===== ÒN ===== VIDE [[lexico:o:onta:start|onta]] ón (tó): [[lexico:s:ser:start|ser]], [[lexico:e:ente:start|ente]]. Latim (tardio): [[lexico:e:ens:start|ens]]. Plural: ónta (tá) / onta. Particípio presente neutro substantivado do [[lexico:v:verbo:start|verbo]] einai: ser (V. pes. sing.: eimí / eimi: sou). [[lexico:t:traducao:start|Tradução]] literal: o ente, o ser sendo. A [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]] ([[lexico:p:palavra:start|palavra]] forjada no século XVII por Clauberg) é a [[lexico:p:parte:start|parte]] da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] que estuda o ser como [[lexico:n:nocao:start|noção]] [[lexico:u:universal:start|universal]] (de óntos / ontos, genitivo de òn). Dupla [[lexico:s:significacao:start|significação]]: a) o ser [[lexico:s:singular:start|singular]], o existente; b) o [[lexico:a:ato:start|ato]] de ser, o [[lexico:f:fato:start|fato]] de ser; e daí: o ser em [[lexico:g:geral:start|geral]], tomado abstratamente; que pode vir a ser, em [[lexico:p:platao:start|Platão]]: o Ser em si, a [[lexico:e:essencia:start|Essência]] do Ser, [[lexico:r:realidade:start|realidade]] [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]]. [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] faz distinções mais sutis: a) ser [[lexico:p:por-acidente:start|por acidente]] (katà symbebekós / kata [[lexico:s:symbebekos:start|symbebekos]]), que se exprime pelo [[lexico:p:predicado:start|predicado]]: o [[lexico:h:homem:start|homem]] é músico; e ser [[lexico:p:por-si:start|por si]] (kath’hautó / kath hauto), que se exprime pelo [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] (v. autos); b) o ser como [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]], por [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] da [[lexico:e:existencia:start|existência]] (o ser é aqui contrário ao [[lexico:n:nao-ser:start|não-ser]], mè òn / [[lexico:m:me-on:start|me on]]); c) ser em ato (entelékheia / entelekheia): vidente = que vê atualmente tais objetos; e ser em [[lexico:p:potencia:start|potência]] (dynámei / dynamei, dativo): vidente = capaz de [[lexico:v:ver:start|ver]] os objetos (Met., A, 7, E, 2-4, K, 8-9). E com [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]] que começa a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] do Ser, com o emprego [[lexico:s:sistematico:start|sistemático]] da palavra òn. Eventualmente ela é encontrada antes dele no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:c:concreto:start|concreto]]: os seres (Filolau, in Estobeu, Ed., I, 21). Atribuíam-se a [[lexico:a:arquitas:start|Arquitas]], na [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]], duas obras de elaboração mais tardia: um tratado Dos [[lexico:p:principios:start|princípios]] (Peri arkhôn / Peri archon) e um tratado Do ser (Peri óntos / Peri ontos), no qual a palavra òn é empregada correntemente no sentido de ser em geral; a maioria dos críticos, por [[lexico:c:causa:start|causa]] desse vocabulário, rejeita a autenticidade desses tratados; mas [[lexico:n:nao:start|não]] se deve esquecer que Arquitas (t c. 380), embora pitagórico, é duas gerações mais novo que Parmênides (t c. 450) e conheceu sua [[lexico:o:obra:start|obra]]; ademais, ele emprega o dialeto dórico em [[lexico:u:uso:start|uso]] na Magna [[lexico:g:grecia:start|Grécia]]: tà eónta / ta eonta em vez de tà ónta (Estobeu, Écl, I, 35, e II, 2). Aliás, [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]], contemporâneo de Arquitas, conhece [[lexico:b:bem:start|Bem]] a doutrina dos [[lexico:e:eleatas:start|eleatas]] e emprega o vocabulário deles: "Alguns - constata ele - acreditam que o ser (tò òn) é [[lexico:u:unico:start|único]] (hén / [[lexico:h:hen:start|hen]]) ([[lexico:x:xenofonte:start|Xenofonte]], Mem., 1,1,14). [[lexico:e:euclides:start|Euclides]] de Mégara, aluno de Sócrates, identifica o não-ser com o [[lexico:m:mal:start|mal]], pois o Ser é o Bem. [[lexico:g:gorgias:start|Górgias]], [[lexico:o:outro:start|outro]] contemporâneo de Arquitas, manipula as [[lexico:p:palavras:start|palavras]] òn e mè òn no [[lexico:p:puro:start|puro]] [[lexico:e:estilo:start|estilo]] eleático. Aliás, ele muda eventualmente de [[lexico:t:terminologia:start|terminologia]], adotando einai em [[lexico:l:lugar:start|lugar]] de òn, em sua famosa proclamação niilista transmitida por Aristóteles: "[[lexico:n:nada:start|nada]] (oudén / ouden) existe (ouk eínai / ouk einai); se [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] existe, é [[lexico:i:incognoscivel:start|incognoscível]] (ágnoston / agnoston); se existe e se é cognoscível, não pode manifestar-se aos outros" (Sobre [[lexico:m:melisso:start|Melisso]], [[lexico:x:xenofanes:start|Xenófanes]] e Górgias, V; cf. [[lexico:s:sexto-empirico:start|Sexto Empírico]], Adv. log., I, 65-87). Na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], a obra de Górgias, Do não-ser e da [[lexico:n:natureza:start|natureza]], que não chegou até nós, é uma resposta a Parmênides ou, mais exatamente, à sua ontologia absolutista. Esta tem como [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida dois axiomas irrefutáveis: o Ser é, e o não-ser não é. Portanto, só há um único Ser (o [[lexico:u:uno:start|uno]]); pois, se houvesse um segundo (como a [[lexico:d:diade:start|díade]] - dyás / [[lexico:d:dyas:start|dyas]] - de [[lexico:p:pitagoras:start|Pitágoras]]), ele seria o não-Ser, ou seja, nada. Daí a [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] do Ser: "O Ser é incriado e imperecível, pois só ele é [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]], imutável e [[lexico:e:eterno:start|eterno]]." "O Ser também não é divisível, pois ele é inteiramente [[lexico:i:identico:start|idêntico]] a [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]" (fr.VIII, 3-5,22).A mesma doutrina está em Melisso, com o [[lexico:a:argumento:start|argumento]] extraído da [[lexico:m:mudanca:start|mudança]]: "Se o Ser (eón / eon) mudasse, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] pereceria, e o que não é (ouk eón / ouk eon) apareceria" (fr.VIII, 6). Contra o [[lexico:e:eleatismo:start|eleatismo]] erige-se o [[lexico:a:atomismo:start|atomismo]] de Leucipo e de [[lexico:d:democrito:start|Demócrito]], que "tomam como [[lexico:e:elementos:start|elementos]] o pleno e o [[lexico:v:vacuo:start|vácuo]], por eles chamados, respectivamente, Ser e não-ser" (Aristóteles, Met., A, 4). É também contra a doutrina do Ser de Parmênides que Platão reage no Parmênides e no [[lexico:s:sofista:start|sofista]], mas de um [[lexico:m:modo:start|modo]] bem diferente do de Górgias. No primeiro [[lexico:d:dialogo:start|diálogo]], ele expõe que o Ser verdadeiro é a Essência ([[lexico:e:eidos:start|eidos]] / eidos), que é múltipla e compartilha o Ser, que é assim o Universal, ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] uno e [[lexico:m:multiplo:start|múltiplo]] (162a-b etc). No segundo, mostra que, a partir do [[lexico:m:momento:start|momento]] em que há [[lexico:p:pluralidade:start|pluralidade]] no Ser, [[lexico:t:todo:start|todo]] ser é ao mesmo tempo ser e não-ser, ser por participar do Ser, não-ser por participar do não-Ser (240b-258c); a [[lexico:s:sorte:start|sorte]] da ontologia é posta num impasse por Parmênides, que negava o [[lexico:p:principio:start|princípio]] da [[lexico:a:alteridade:start|alteridade]] em [[lexico:n:nome:start|nome]] do [[lexico:p:principio-de-identidade:start|princípio de identidade]], e sai desse impasse com Platão. Este aproveita a [[lexico:o:ocasiao:start|ocasião]] para estabelecer os cinco gêneros supremos (eíde mégista / eide megista) das [[lexico:e:essencias:start|Essências]] eternas: o Ser (tò òn), o repouso, o [[lexico:m:movimento:start|movimento]], o mesmo e o outro (v. [[lexico:g:genos:start|genos]]). Já em [[lexico:f:fedon:start|Fédon]] (78c-d), Platão mostrara que, em cada [[lexico:c:coisa:start|coisa]], o que é (hó esti / ho esti) sempre, ou seja, seu ser (tò òn), é a Essência única que é em si e por si" (auto kath’hautó). v. autos. Em Aristóteles, a [[lexico:f:filosofia-primeira:start|filosofia primeira]] (he próte philosophía / he [[lexico:p:prote-philosophia:start|prote philosophia]]), aquilo que chamamos de metafísica, é a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] do [[lexico:s:ser-enquanto-ser:start|ser enquanto ser]] (tò òn hê òn / to on he on) (Met., T, 1; E, 1; K, 3), ou seja, ela não estuda este ou aquele [[lexico:g:genero:start|gênero]] de seres, mas o Ser enquanto universal (kathólou / [[lexico:k:katholou:start|katholou]]). Pois "tudo o que é é [[lexico:c:chamado:start|chamado]] ser em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] de alguma coisa una e comum, ainda que em sentidos múltiplos" (ibid., K, 3). Para [[lexico:p:plotino:start|Plotino]], o Ser que merece realmente [[lexico:e:esse:start|esse]] nome é o ser verdadeiramente ser (òn óntos òn / on ontos on) (III, VI, 6), que só existe no [[lexico:m:mundo:start|mundo]] inteligível (IV, III, 5) e é ao mesmo tempo o [[lexico:o:objeto:start|objeto]] de seu [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] (V,V, 1). Isso aproxima Plotino de Aristóteles, v. [[lexico:n:nous:start|noûs]] / noûs. 1. O verbo esse (ser), em latim, não tem particípio; on, portanto, era intraduzível. Foi na Idade Média que se descobriu um longínquo particípio presente, utilizado por raros autores. Mas ainda se preferia traduzir o particípio on pelo infinitivo esse:"Agens sequitur esse" (O agir decorre do ser). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}