===== OKHEMA ===== [[lexico:o:ochema:start|ochema]], ὅχημα, veículo da [[lexico:a:alma:start|alma]], veículo do [[lexico:e:espirito:start|espírito]], espírito [[lexico:f:fantastico:start|fantástico]] A [[lexico:t:teoria:start|teoria]] neoplatônica do veículo ochema-pneuma é, como seus aderentes a percebem, baseada nos escritos de [[lexico:p:platao:start|Platão]] e suportada por aqueles de [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]]. Se olharmos estas passagens a suportando, entretanto, descobrimos pouco com o que defender as afirmações dos neoplatonistas. Como Kissling afirma: "A teoria do ochema-pneuma, como encontrada nos escritores neo-platônicos, representa a reconciliação de Platão e Aristóteles em um assunto que o primeiro nunca pensou e o [[lexico:u:ultimo:start|último]] foi incapaz de definir inteligivelmente. Como então os neoplatonistas conceberam o veículo da alma, e com que textos platônicos e aristotélicos conectaram sua [[lexico:c:crenca:start|crença]]? O veículo pretende unir duas [[lexico:e:entidade:start|entidade]] diametralmente opostas: a alma incorpórea e o [[lexico:c:corpo:start|corpo]] corpóreo. É, portanto, nem material nem imaterial, mas um [[lexico:m:meio:start|meio]] entre estes dois extremos. Filósofos posteriores afirmavam que o [[lexico:e:eter:start|éter]], mencionado em [[lexico:e:epinomis:start|Epinomis]] 981c5-8 ([[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] que acreditavam [[lexico:s:ser:start|ser]] de Platão) e nas obras de Aristóteles (por ex. De Caelo 270b20-26), era a [[lexico:s:substancia:start|substância]] compreendendo o veículo. Para os neoplatonistas, o veículo preenche três funções: abriga a alma [[lexico:r:racional:start|racional]] em sua descida do [[lexico:r:reino:start|reino]] noético (vide [[lexico:n:nous:start|noûs]]) para o reino da [[lexico:g:geracao:start|geração]]; age como [[lexico:o:orgao:start|órgão]] da [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] dos sentidos e [[lexico:i:imaginacao:start|imaginação]] (vide [[lexico:p:phantasia:start|phantasia]]); e, através de ritos teúrgicos, pode ser purificado e elevado, um veículo para o [[lexico:r:retorno:start|retorno]] da alma racional através do cosmos para os [[lexico:d:deuses:start|deuses]]. Os neoplatonistas foram capazes de subscrever estas funções nos escritos de Platão e Aristóteles. Em [[lexico:t:timeu:start|Timeu]] 41e1-1, Platão diz que o [[lexico:d:demiurgo:start|demiurgo]] "distribuiu cada (alma) para cada (estrela), e tendo as montado (as almas humanas) como em um veículo, mostrou-as a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] do [[lexico:u:universo:start|universo]]". Para um neoplatonista, o veículo [[lexico:n:nao:start|não]] é uma estrela mas o «ochema-pneuma». Uma vez a alma situada em seu [[lexico:p:proprio:start|próprio]] veículo, ela desce para a geração. Neoplatonistas interpretam, de maneira similar, o [[lexico:m:mito:start|mito]] do [[lexico:f:fedro:start|Fedro]], no qual as almas dos deuses e humanos são comparadas a cocheiros viajando em coches 'ochemata', 247b1-3. Para neoplatonistas, cada uma destas passagens demonstra uma alma conectada a seu próprio veículo tanto no cosmos e na sua descida à [[lexico:t:terra:start|Terra]]. A [[lexico:f:funcao:start|função]] imaginativa do veículo depende da teoria aristotélica (Da Geração 744a1-5). As percepções dos sentidos são impressas no veículo e podem por conseguinte serem processadas pela alma (note-se que aqui o veículo é intermediário entre os sentidos do corpo e a alma imaterial). [[lexico:a:alem:start|Além]] do mais, em Da Geração 736b37-38, Aristóteles diz que o [[lexico:p:pneuma:start|pneuma]] é "[[lexico:a:analogo:start|análogo]] ao [[lexico:e:elemento:start|elemento]] que as estrelas consistem". Assim, é um [[lexico:s:simples:start|simples]] passo para os filósofos posteriores combinar o pneuma de Aristóteles com o éter, o elemento das estrelas, e com a ochema platônica, dentro do qual o Demiurgo colocou a alma. Da doutrina da crescente materialidade da alma em sua descida, o veículo obtém sua terceira função teúrgica. Pois se o veículo se macula pelas adições materiais em sua descida, a [[lexico:p:purificacao:start|purificação]] destas máculas materiais deve ser realizada antes da alma reascender. De [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com a prática religiosa dos séculos II e IV, a purificação do veículo ocorre em atos rituais teúrgicos. [[lexico:p:plotino:start|Plotino]] dá pouca importância à [[lexico:t:teurgia:start|teurgia]], e como resultado, é relativamente desinteressado com o ochema-pneuma. Nunca usa o [[lexico:t:termo:start|termo]] okema para se referir ao corpo etéreo da alma. No entanto, Plotino parece subscrever à crença em uma entidade como o veículo. Na Enéada-IV, 3, 15, discutindo a descida da alma, Plotino afirma que quando a alma deixa o reino noético, vai "primeiro para o [[lexico:c:ceu:start|céu]] e recebe lá um corpo através do qual continua em mais corpos terrestres". Aqui está a [[lexico:n:nocao:start|noção]], comum em teorias do veículo tardias, de gradações ou envelopes de [[lexico:m:materia:start|matéria]] agregando-se ao corpo [[lexico:p:primario:start|primário]]. Plotino parece adotar o papel da purificação ([[lexico:k:katharsis:start|katharsis]]) destes envelopes na Enéada-III, 6, 5: Mas a purificação da [[lexico:p:parte:start|parte]] sujeita a afeições é o despertar de imagens não apropriadas e de não vê-las, e sua [[lexico:s:separacao:start|separação]] é efetivada por não se inclinar demais para baixo e não [[lexico:t:ter:start|ter]] uma [[lexico:f:figura:start|figura]] mental das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] de baixo. Mas separando pode também significar se desvencilhar das coisas de que está separada quando não está estabelecida sobre um [[lexico:s:sopro:start|sopro]] vital (pneumatos) túrbido pela glutonia (gastrimargia) e saciado com carnes impuras, mas aquilo no que reside é tão fino que pode sobre ele viajar (ep autou okeisthai) em [[lexico:p:paz:start|paz]]. Aqui Plotino claramente menciona o pneuma em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a sua purificação e a separação da alma do corpo. Parece que a alma pode [[lexico:e:existir:start|existir]] pacificamente com seu pneuma purificado (embora Plotino esteja hesitante). O [[lexico:u:uso:start|uso]] do [[lexico:v:verbo:start|verbo]] ocheisthai implica que Plotino era familiar com o termo ochema. Em Eneada-IV, 3, 24, Plotino está de novo discutindo a separação da alma do corpo. Nas linhas 20-28, quando se preocupa com o castigo das almas no [[lexico:h:hades:start|Hades]], Plotino argumenta que almas com corpos recebem castigos corporais mas aquelas purificadas não são de [[lexico:m:modo:start|modo]] algum dragadas (ephelkomenais) pelos corpos, mas existem inteiramente fora delas. Como [[lexico:n:nota:start|nota]] Smith, o particípio ephelkomenais é comumente usado do veículo. Assim, parece que, em [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]] com interpretações neoplatônicas posteriores do Fedro 113d4-6, Plotino aceita o papel do pneuma como [[lexico:s:substrato:start|substrato]] para as almas punidas no Hades. Plotino [[lexico:n:nada:start|nada]] desenvolve em seus escritos sobre o “veículo da alma”, embora certamente tenha tido contato com esta doutrina àquela [[lexico:e:epoca:start|época]]. Coube a [[lexico:p:porfirio:start|Porfírio]] e Jâmblico dar a doutrina um [[lexico:l:lugar:start|lugar]] certo no [[lexico:n:neoplatonismo:start|neoplatonismo]]. Em seu tratado De Regressu Animae, Porfírio está interessado em incluir tal doutrina do “veículo da alma” em seu [[lexico:s:sistema-filosofico:start|sistema filosófico]], dando poder teúrgico exclusivamente sobre o veículo ele mesmo. O veículo é purificado por teurgia e a alma intelectual se separa do corpo não por teurgia mas por [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]]. Esta [[lexico:p:posicao:start|posição]] não é adotada por Jâmblico que enfatiza a teurgia como [[lexico:u:unico:start|único]] meio de purificação da alma e de sua separação do corpo; filosofia somente é insuficiente. A importância desta doutrina do veículo da alma é proporcional à ênfase dada à teurgia. Plotino, que pouco se interessa por tais ritos, não se preocupa com o veículo. Seu discípulo Porfírio, que é mais interessado em teurgia mas ainda considera tais ritos menos valiosos que a filosofia, és mais preocupado com o veículo e tem mais a dizer sobre seu papel. Jâmblico, discípulo de Porfírio, dá a maior importância para a teurgia e, como resultado, desenvolve uma teoria completa do veículo. O [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] do [[lexico:e:estudo:start|estudo]] de Finamore é exatamente recuperar o que Jâmblico legou sobre a [[lexico:q:questao:start|questão]] do “veículo da alma” em seus escritos, tentando [[lexico:e:explicar:start|explicar]] o papel desta doutrina em sua filosofia, consultando fundamentalmente De Mysteriis, [[lexico:d:de-anima:start|De anima]] e outros fragmentos de comentários platônicos. [FINAMORE, John. Iamblichus and the Theory of the Vehicle of the Soul. Publicado na coleção American Classical Studies, pela The American Philological Association em 1985] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}