===== OCHEMA ===== óchêma, [[lexico:o:okhema|okhema]], ὅχημα: veículo, carro, [[lexico:c:corpo|corpo]] astral 1. Como decorre da [[lexico:h:historia|história]] da [[lexico:p:psyche|psyche]], uma [[lexico:s:serie|série]] de forças aparentemente irreconciliáveis estavam presentes no seu [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] quase desde o [[lexico:p:principio|princípio]]: a [[lexico:p:posicao|posição]] materialista que vê a psyche como uma [[lexico:f:forma|forma]] aperfeiçoada de um ou [[lexico:o:outro|outro]] dos [[lexico:e:elementos|elementos]] e, eventualmente, como [[lexico:p:pneuma|pneuma]], [[lexico:e:especie|espécie]] de quinto [[lexico:e:elemento|elemento]] aparentado com o [[lexico:a:aither|aither]]; a posição espiritualista derivada da doutrina pitagórica da [[lexico:a:alma|alma]] como uma [[lexico:s:substancia|substância]] divina diferente em espécie do corpo; e, finalmente, a [[lexico:t:teoria|teoria]] aristotélica da [[lexico:e:entelecheia|entelecheia]] que tenta [[lexico:e:explicar|explicar]] a psyche em termos de [[lexico:f:funcao|função]] ([[lexico:v:ver|ver]] [[lexico:e:ergon|ergon]], [[lexico:e:energeia|energeia]]) de algum corpo. 2. O [[lexico:p:platonismo|platonismo]] tardio foi, de [[lexico:f:fato|fato]], forçado a concordar com o [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista da entelecheia em [[lexico:v:virtude|virtude]] do [[lexico:i:interesse|interesse]] de [[lexico:p:platao|Platão]] pela função no [[lexico:t:timeu|Timeu]]. Tentaram fazê-lo por [[lexico:m:meio|meio]] de uma teoria que, nos seus termos mais gerais, afirma que a alma tem outro corpo quase-físico ou ochema, geralmente [[lexico:a:adquirido|adquirido]] durante a «descida» pré-natal através dos céus ([[lexico:k:kathodos|kathodos]]; ver [[lexico:p:plotino|Plotino]], Enn. IV, 3, 15; Macróbio, In Somn. Scip. I, 12). Este torna-se gradualmente mais pesado e mais visível à [[lexico:m:medida|medida]] que desce através do [[lexico:a:aer|aer]] úmido ([[lexico:p:porfirio|Porfírio]], De antro nymph. II). Com a sua [[lexico:v:vulgar|vulgar]] [[lexico:d:devocao|devoção]] textual os neoplatônicos dedicaram-se a descobrir a [[lexico:o:origem|origem]] desta doutrina em Platão e particularmente no Tim. 41d-e onde o [[lexico:d:demiourgos|demiourgos]] semeia cada alma num astro «como num carro» (ochema; confrontar [[lexico:f:fedro|Fedro]] 247b), antes de incorporar algumas delas na [[lexico:t:terra|Terra]] e «armazenar» outras nos planetas (ibid. 42d). Mas quando se passa à [[lexico:e:explicacao|explicação]] da [[lexico:n:natureza|natureza]] destes «veículos», recorrem a [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]]. 3. Aristóteles descrevera o pneuma como a sede da alma nutritiva (threptike) e sensitiva (aisthetike), [[lexico:a:analogo|análogo]] em composição ao aither que é o elemento material das estrelas (De gen. anim. 736b-737a). Assim o «veículo» da alma é descrito pelos neoplatônicos como um corpo etéreo (aitherodes) e [[lexico:s:semelhante|semelhante]] à [[lexico:l:luz|luz]] (augoeides), (Jâmblico, De myst. III, 14; o sidereum e luminosum [[lexico:c:corpus|corpus]] de Macróbio, In Somn. Scip. I, 12 e II, 13). 4. A teoria é exposta, com uma série considerável de aperfeiçoamentos, em [[lexico:p:proclo|Proclo]], Elem. theol., props. 205-209. Cada alma humana está inicialmente sob a [[lexico:i:influencia|influência]] da alma divina (ver psyche, ouranioí) num ou outro dos planetas (prop. 204; ver Tim. 42d e Proclo, In Tim. III, 280). São óbvias as implicações astrológicas disto, mas havia um consenso [[lexico:g:geral|geral]] neoplatônico que as theiai psychai dos planetas [[lexico:n:nao|não]] são responsáveis pelo [[lexico:m:mal|mal]] (Plotino, Enn. II, 3, 10; Jâmblico, De myst. I, 18; Proclo, In Tim. III, 313). O corpo astral da alma individual está consequentemente relacionado com o corpo da alma planetária (prop. 204; [[lexico:c:comparar|comparar]] Enn. IV, 4, 31 e ver [[lexico:s:sympatheia|sympatheia]]). Este é o corpo imortal, imaterial, perpetuamente ligado à alma (props. 206-207); há porém um outro corpo perecível que a alma adquire durante a sua descida, [[lexico:c:composto|composto]] de «mantos» (chitones; prop. 209; ver In Tim. III, 297) cada vez mais materiais. Este é mortal e, embora sobreviva à [[lexico:m:morte|morte]] (o [[lexico:t:tempo|tempo]] suficiente, segundo parecia, para sofrer os castigos corporais do [[lexico:t:tipo|tipo]] descrito por Platão no [[lexico:f:fedon|Fédon]] 114a), é eventualmente dissipado. A alma humana individual, então, conforme a versão revisionista de Proclo, tem três corpos: o imortal, imaterial «estrelado» (astroeides) ou luminoso, associado à [[lexico:p:parte|parte]] imortal da alma; o «espiritual» (pneianatikon) possuído pelas partes [[lexico:m:mortais|mortais]] da alma e os vários daimones do [[lexico:u:universo|universo]]; e, finalmente, o corpo carnal da estadia da alma na terra (In Tini. III, 236, 298; Theol. Plat. III, 125).