===== OBJETIVIDADE DOS VALORES ===== VIDE [[lexico:o:ontologia-dos-valores:start|ontologia dos valores]] e [[lexico:o:objetividade-do-valor:start|objetividade do valor]] Por conseguinte, dos valores pode-se discutir, e se se pode discutir dos valores é porque na base da [[lexico:d:discussao:start|discussão]] está a [[lexico:c:conviccao:start|convicção]] profunda de que são objetivos, de que estão aí e de que [[lexico:n:nao:start|não]] são simplesmente o resíduo de agrado ou desagrado, de [[lexico:p:prazer:start|prazer]] ou de [[lexico:d:dor:start|dor]], que fica na minha [[lexico:a:alma:start|alma]] depois da [[lexico:c:contemplacao:start|contemplação]] do [[lexico:o:objeto:start|objeto]]. De outra [[lexico:p:parte:start|parte]], poderíamos acrescentar que os valores se descobrem. Descobrem-se [[lexico:c:como-se:start|como se]] descobrem as verdades científicas. Durante um certo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] o [[lexico:v:valor:start|valor]] não é conhecido como tal valor, até que chega na [[lexico:h:historia:start|história]] um [[lexico:h:homem:start|homem]] ou um [[lexico:g:grupo:start|grupo]] de homens que de repente têm a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de intuí-lo, e então o descobrem, no "[[lexico:s:sentido:start|sentido]] pleno da [[lexico:p:palavra:start|palavra]] "descobrir". E aí está. Mas então não aparece diante deles como algo que antes não era e [[lexico:a:agora:start|agora]] é, mas como algo que antes não era intuído e agora é intuído. De [[lexico:m:modo:start|modo]] que a [[lexico:d:deducao:start|dedução]] ou [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] que contra a [[lexico:o:objetividade-dos-valores:start|objetividade dos valores]] se extrai do [[lexico:f:fato:start|fato]] de não serem os valores [[lexico:c:coisas:start|coisas]], é um? consequência excessiva; porque pelo fato de os valores não serem coisas, não estamos autorizados a dizer que sejam impressões puramente subjetivas da dor ou do prazer. Isto, porém, nos apresenta uma dificuldade profunda. De um lado, vimos que, como quer que os juízos de valor se distinguem dos juízos de [[lexico:e:existencia:start|existência]], porque os juízos de valor não enunciam [[lexico:n:nada:start|nada]] acerca do [[lexico:s:ser:start|ser]], resulta que os valores não são coisas. Mas acabamos de [[lexico:v:ver:start|ver]], de outra parte, que os valores também não são impressões subjetivas. Isto parece contraditório. Parece que há uma disjuntiva férrea que nos obriga a optar entre coisas ou impressões subjetivas. Parece como se estivéssemos obrigados a dizer: ou os valores são coisas, ou os valores são impressões subjetivas. E resulta que não podemos dizer nem fazer nenhuma dessas duas afirmações. Não podemos afirmar que são coisas, porque não o são, nem podemos afirmar que sejam impressões subjetivas, porque também não o são. Então dir-se-ia que teria chegado nossa [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]] dos valores a um beco sem saída. Porém não há tal beco sem saída. O que há é que esta mesma dificuldade, este mesmo muro em que parece que tropeçamos, nos oferece a solução do [[lexico:p:problema:start|problema]]. A disjuntiva é falsa. Não nos podem obrigar a optar entre ser [[lexico:c:coisa:start|coisa]] e ser impressões subjetivas, porque existe um escape, uma saída, que é neste caso a autêntica [[lexico:f:forma:start|forma]] de [[lexico:r:realidade:start|realidade]] que têm os valores: os valores não são nem coisas nem impressões subjetivas, porque os valores não são, porque os valores não têm essa [[lexico:c:categoria:start|categoria]] própria dos objetos reais e dos objetos ideais, essa primeira categoria de ser. Os valores não são, e como quer que não são, não há possibilidade de que tenha alguma validez o [[lexico:d:dilema:start|dilema]] entre ser coisas ou ser impressões. Nem coisas nem impressões. As coisas são, as impressões também são. Porém os valores não são. E então, que é isso tão esquisito de que os valores não são? Que quer dizer este [[lexico:n:nao-ser:start|não-ser]]? É um não-ser que é algo, é um não-ser muito estranho. Pois [[lexico:b:bem:start|Bem]]; para esta variedade [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]] dos valores, que consiste em que não-são, descobriu a meados do século passado o [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] alemão Lotze a palavra exata, o [[lexico:t:termo:start|termo]] [[lexico:e:exato:start|exato]]: os valores não-são, mas valem. Uma coisa é valor e outra coisa é ser. Quando dizemos de algo que vale, não dizemos nada do seu ser, mas dizemos que não é indiferente. A não-indiferença constitui esta variedade ontológica que contrapõe o valor ao ser. A não-indiferença é a [[lexico:e:essencia:start|essência]] do valer. O valer, pois, é agora a primeira categoria desse novo [[lexico:m:mundo:start|mundo]] de objetos que delimitamos sob o [[lexico:n:nome:start|nome]] de valores. Os valores não têm, pois, a categoria do ser, mas a categoria do valer, e acabamos de dizer aquilo que é o valer. O valer é não ser diferente. A não-indiferença constitui o valer, e ao mesmo tempo podemos precisar algo melhor esta categoria: a coisa que vale não é por isso nem mais nem menos do que a coisa que não vale. A coisa que vale é algo que tem valor; o [[lexico:t:ter:start|ter]] valor é o que constitui o valer; valer significa ter valor, e ter valor não é ter uma realidade entitativa a mais ou a menos, mas simplesmente não ser indiferente, ter [[lexico:e:esse:start|esse]] valor. E então percebemos que o valor pertence essencialmente ao grupo [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]] que [[lexico:h:husserl:start|Husserl]], seguindo nisso ao psicólogo Stumpf, chama objetos não independentes ou, [[lexico:d:dito:start|dito]] em outros termos, que não têm [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesmos substantividade, que não são, mas que aderem a [[lexico:o:outro:start|outro]] objeto. Assim, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], — psicologicamente, não logicamente — o [[lexico:e:espaco:start|espaço]] e a cor não são independentes um do outro; não podemos [[lexico:r:representar:start|representar]] o espaço sem cor nem a cor sem espaço. Eis aqui um exemplo de objetos que necessariamente estão aderidos um ao outro. Pois bem: ontologicamente podemos separar o espaço e a cor; porém o valor e a coisa que tem valor não os podemos separar ontologicamente, e isto é o [[lexico:c:caracteristico:start|característico]]: que o valor não é um [[lexico:e:ente:start|ente]], mas é sempre algo que adere ã coisa e, por conseguinte, é o que chamamos vulgarmente uma [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]]. O valor é uma qualidade. Chegamos com isto à segunda categoria desta [[lexico:e:esfera:start|esfera]]. Os valores têm a primeira categoria de valer em [[lexico:l:lugar:start|lugar]] de ser, e a segunda categoria da qualidade pura (v. [[lexico:q:qualidade-dos-valores:start|qualidade dos valores]]). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}