===== OBJETIVIDADE ===== (in. Objectivity; fr. Objectivité; al. Objektivität; it. Oggettività). 1. Em [[lexico:s:sentido|sentido]] [[lexico:o:objetivo|objetivo]]: [[lexico:c:carater|caráter]] daquilo que é [[lexico:o:objeto|objeto]]. Neste sentido, [[lexico:h:husserl|Husserl]] falava de uma "objetividade primária" que pertenceria às [[lexico:c:coisas|coisas]] e as privilegiaria diante dos outros objetos, como [[lexico:p:propriedade|propriedade]], [[lexico:r:relacoes|relações]], estados de [[lexico:f:fato|fato]], conjuntos, etc. (Ideen, I, § 10). 2. Em sentido [[lexico:s:subjetivo|subjetivo]]: caráter da consideração que procura [[lexico:v:ver|ver]] o objeto como ele é, [[lexico:n:nao|não]] levando em conta as preferências ou os interesses de [[lexico:q:quem|quem]] o considera, mas apenas procedimentos intersubjetivos de averiguação e aferição. Neste [[lexico:s:significado|significado]], a objetividade é um [[lexico:i:ideal|ideal]] de que a [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]] científica se aproxima à [[lexico:m:medida|medida]] que dispõe de técnicas convenientes. O traço de [[lexico:e:espirito|espírito]] [[lexico:c:classico|clássico]], que informa com [[lexico:e:estilo|estilo]] peculiar toda a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] de [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], poderia [[lexico:s:ser|ser]] encontrado também em muitas outras teorias do [[lexico:s:sistema|sistema]] elaborado pelo [[lexico:s:santo|santo]] Doutor. Constantemente ao estudá-lo perceberíamos o inalterável [[lexico:r:respeito|respeito]] às hierarquias do [[lexico:r:real|real]], a inalterável submissão à objetividade mais estrita; todos os [[lexico:c:caracteres|caracteres]], em [[lexico:s:suma|suma]], que qualificam de clássica uma filosofia e a mantêm sempre aberta a todos os ensinamentos que [[lexico:d:deus|Deus]] e as coisas nos enviam. Porque dois caminhos se oferecem [[lexico:a:agora|agora]] ante o [[lexico:f:filosofo|filósofo]]: ou considerar que na [[lexico:v:verdade|verdade]] o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] se ajusta ao objeto, ou considerar que o objeto se ajusta ao pensamento. No primeiro caso temos [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:t:tipo|tipo]] de filosofia que poderíamos chamar aberta. [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] e Tomás de Aquino são, sem [[lexico:d:duvida|dúvida]], os representantes mais perfeitos desta maneira de filosofar. No segundo caso temos o tipo de filosofia que cabe chamar fechada, e cujos expoentes mais ilustres são talvez [[lexico:d:descartes|Descartes]] e [[lexico:k:kant|Kant]]. A filosofia aberta começa pela [[lexico:r:realidade|realidade]], pelo ser, e trata de fixar em conhecimentos verdadeiros a [[lexico:e:estrutura|estrutura]] própria da realidade, destas e aquelas realidades, de toda a realidade em [[lexico:g:geral|geral]] e daquela realidade que é [[lexico:f:fonte|fonte]] e [[lexico:o:origem|origem]] de toda realidade. A filosofia aberta é, pois, em termos gerais realista; procura ajustar o pensamento ao ser; está sempre atenta a submeter a [[lexico:r:razao|razão]] às exigências do objeto. É objetiva no amplo sentido da [[lexico:p:palavra|palavra]]; quer dizer, submissa humildemente às modalidades do objeto [[lexico:p:puro|puro]]. Pelo contrário, as filosofias fechadas seguem o [[lexico:c:caminho|caminho]] diametralmente oposto. Começam pelo [[lexico:e:eu|eu]] cognoscente; analisam depois o [[lexico:a:ato|ato]] [[lexico:r:racional|racional]] de conhecer; fixam as estruturas próprias do pensamento e logo depois transferem ao objeto essas estruturas do [[lexico:s:sujeito|sujeito]] e reduzem o ser que é a [[lexico:s:simples|simples]] [[lexico:t:termo|termo]] do eu que conhece. Para essas filosofias fechadas o objeto não é mais que um [[lexico:p:produto|produto]], por assim dizer, do sujeito; de [[lexico:s:sorte|sorte]] que tudo isto que chamamos a realidade fica aprisionado dentro das modalidades e condições em que funciona o pensamento racional puro. O [[lexico:n:nome|nome]] de [[lexico:i:idealismo|Idealismo]] não encaixa [[lexico:m:mal|mal]] nessa maneira de filosofar, na qual a realidade se reduz à [[lexico:c:condicao|condição]] de simples [[lexico:i:ideia|ideia]]. Das filosofias abertas, objetivas, sem preconceitos, o [[lexico:e:exemplo|exemplo]] melhor sucedido é sem dúvida a filosofia de Tomás de Aquino. Pela sua própria índole e [[lexico:e:essencia|essência]], o [[lexico:r:realismo|realismo]] do Doutor Angélico oferece entrada franca no seu vasto seio a todos os modos de [[lexico:s:saber|saber]] que sejam exigidos pela estrutura própria do objeto conhecido. Será [[lexico:e:experimental|experimental]] nas ciências positivas da [[lexico:n:natureza|natureza]] material; [[lexico:a:analitico|analítico]] nas ciências matemáticas dos objetos ideais; racional na pesquisa [[lexico:o:ontologica|ontológica]] do ser puro; crítico e [[lexico:p:psicologico|psicológico]] na [[lexico:h:historia|história]] dos acontecimentos humanos; de [[lexico:a:autoridade|autoridade]] na [[lexico:c:ciencia|ciência]] teológica da [[lexico:r:revelacao|revelação]] divina. No realismo, a [[lexico:f:fe|fé]], a razão, a [[lexico:c:critica|crítica]], a [[lexico:a:analise|análise]], a [[lexico:o:observacao|observação]], a [[lexico:e:experimentacao|experimentação]], são vias e métodos igualmente legítimos que nos proporcionam conhecimentos verdadeiros da realidade quando se adaptam convenientemente às estruturas ônticas do objeto estudado. A [[lexico:u:unidade|unidade]] da verdade. Firmada sobre a unidade do ser, não somente não sofre detrimento, mas ao contrário se afirma e enaltece com a [[lexico:d:diversidade|diversidade]] harmônica dos modos humanos de conhecer. A filosofia de Tomás de Aquino aceita todas essas modalidades de [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] e as faz convergir todas na [[lexico:s:sintese|síntese]] total do saber.