===== O POLÍTICO ===== [[lexico:o:o-politico|O Político]] / The Statesman / Le Politique / El [[lexico:p:politico|Político]] / Πολιτικός / Politikós *Excertos da [[lexico:t:traducao|tradução]] de [[lexico:h:historia-da-filosofia|História da Filosofia]], de Émile [[lexico:b:brehier|Bréhier]], por Eduardo Sucupira [[lexico:f:filho|filho]]* O constante perigo de [[lexico:d:decadencia|decadência]] que ameaça as cidades é o [[lexico:m:meio|meio]] indireto de provar a [[lexico:n:necessidade|necessidade]] do [[lexico:g:governo|governo]] de filósofos, capazes de deter a sua [[lexico:q:queda|Queda]]. A [[lexico:v:visao|visão]] [[lexico:s:social|social]] pessimista, que se origina dessa [[lexico:e:especie|espécie]] de [[lexico:l:lei|lei]] de degradação das cidades, [[lexico:n:nao|não]] é contrabalançada, em [[lexico:p:platao|Platão]], pela [[lexico:c:crenca|crença]] de que a [[lexico:t:tecnica|técnica]] [[lexico:p:politica|política]] pode realizar algum [[lexico:p:progresso|progresso]] em [[lexico:s:sentido|sentido]] inverso. Não é equilibrada senão por uma crença não [[lexico:r:racional|racional]], mas inteiramente viva, em [[lexico:r:relacao|relação]] à [[lexico:f:forma|forma]] cíclica do devenir. O devenir, retroagindo sobre [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]], conduz ao [[lexico:e:estado|Estado]] [[lexico:p:primitivo|primitivo]]. Mas, a essa crença, Platão não deu qualquer forma filosófica e científica, como a que deu à [[lexico:d:descricao|descrição]] do [[lexico:f:fato|fato]], diretamente comprovado, da decadência dos governantes. Empresta-lhe a forma de [[lexico:m:mito|mito]], que expõe no Político, destinado, sem [[lexico:d:duvida|dúvida]], a melhor evidenciar o sítio [[lexico:e:exato|exato]] e delimitado da [[lexico:a:arte|arte]] política em uma [[lexico:e:evolucao|evolução]], cujo conjunto escapa plenamente aos critérios da arte racional. Platão imagina, com [[lexico:e:efeito|efeito]], que na idade feliz de Cronos, o [[lexico:s:sol|sol]] e os astros caminhavam em sentido inverso ao do [[lexico:a:atual|atual]], e que [[lexico:t:todo|todo]] o [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] dos seres ocorria, igualmente, em sentido inverso, isto é, que ia da [[lexico:m:morte|morte]] ao [[lexico:r:renascimento|Renascimento]], em [[lexico:l:lugar|lugar]] de ir do nascimento à morte. Isso significava que a [[lexico:t:terra|Terra]] produzia, espontaneamente e sem o [[lexico:t:trabalho|trabalho]] [[lexico:h:humano|humano]], todos os frutos úteis ao [[lexico:h:homem|homem]]; e, em [[lexico:g:geral|geral]], que cada [[lexico:s:ser|ser]] chegava, sem [[lexico:e:esforco|esforço]], a seu [[lexico:p:ponto|ponto]] de [[lexico:p:perfeicao|perfeição]]. Como não havia nenhum trabalho técnico, não era necessária qualquer [[lexico:u:uniao|união]] política. Mas, quando o sol modifica o sentido de seu curso, e simultaneamente, os seres, lenta e dificilmente, em meio a obstáculos de toda [[lexico:s:sorte|sorte]], alcançam sua maturidade, é então que se fazem necessárias as técnicas de toda [[lexico:c:classe|classe]], principalmente a técnica social. A maior [[lexico:p:parte|parte]] das artes são dons que os [[lexico:d:deuses|deuses]] propiciam aos homens para ampará-los em suas dificuldades (268 e - 275 b). Eis porque a arte social assume, no Político, [[lexico:f:fisionomia|fisionomia]] tão peculiar e inovadora; toda arte humana manipula [[lexico:c:coisas|coisas]] mutantes, diversas, e, desde logo, procede menos por meio de regras gerais do que por recursos que se adaptem às circunstâncias. Acontece o mesmo com a arte política; "as dessemelhanças entre os homens e suas [[lexico:a:acoes|ações]], a completa [[lexico:a:ausencia|ausência]] de imobilidade nos assuntos humanos opõem-se a toda [[lexico:r:regra|regra]] [[lexico:s:simples|simples]] que sirva para todos os casos e todos os tempos" (294 b), tanto em [[lexico:m:materia|matéria]] de arte política como nas demais artes. Disso se conclui que o homem de Estado, o técnico político, é uma lei viva e soberano [[lexico:a:absoluto|absoluto]] da [[lexico:c:cidade|cidade]], como o pastor o é de seu rebanho. Platão chega, assim, a dar ao político um [[lexico:c:carater|caráter]] providencial e sobre-humano, como germes longínquos da [[lexico:t:teoria|teoria]] do poder no império romano e no papado. Aqui, menos ainda, se vislumbra qualquer [[lexico:e:esperanca|esperança]], baseada na [[lexico:r:razao|razão]], de progresso [[lexico:n:natural|natural]], e o mito substituirá, regularmente, o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] em todos os casos em que se trate de retornar a um estado [[lexico:s:superior|superior]] ao nosso (293-300).