===== NOMOTÉTICO E IDIOGRÁFICO ===== Depois de [[lexico:d:dilthey:start|Dilthey]], a [[lexico:c:critica-da-razao-historica:start|crítica da razão histórica]] daria substanciais passos adiante — que ainda causam impacto por sua [[lexico:o:originalidade:start|originalidade]] e [[lexico:v:validade:start|validade]] — com Max [[lexico:w:weber:start|Weber]]. Mas, entre Dilthey e Weber, situa-se um [[lexico:g:grupo:start|grupo]] de pensadores que, movendo-se em torno dos problemas levantados e discutidos por Dilthey, introduzem algumas novidades metodológicas (como é o caso de [[lexico:w:windelband:start|Windelband]] e de [[lexico:r:rickert:start|Rickert]]) ou então levam às últimas consequências o [[lexico:r:relativismo:start|relativismo]] de Dilthey (o que fazem [[lexico:s:simmel:start|Simmel]] e [[lexico:s:spengler:start|Spengler]]) ou ainda reagem a [[lexico:e:esse:start|esse]] relativismo propondo valores absolutos (esse o [[lexico:c:caminho:start|caminho]] trilhado sobretudo por [[lexico:t:troeltsch:start|Troeltsch]] e [[lexico:m:meinecke:start|Meinecke]], mas também pelo [[lexico:u:ultimo:start|último]] Windelband e por Rickert). Wilhelm Windelband (1848-1915) — representante da [[lexico:e:escola-de-baden:start|escola de Baden]] juntamente com Rickert, como já sabemos, enfrenta o [[lexico:p:problema:start|problema]] do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] [[lexico:h:historico:start|histórico]] como neocriticista: para ele, "a [[lexico:c:ciencia-historica:start|ciência histórica]] constitui o problema da [[lexico:c:critica:start|crítica]], a [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] da [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] [[lexico:n:natural:start|natural]]". Em 1894, no [[lexico:e:escrito:start|escrito]] [[lexico:h:historia:start|História]] e [[lexico:c:ciencia-natural:start|ciência natural]], ele faz [[lexico:q:questao:start|questão]] de precisar que a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] [[lexico:n:nao:start|não]] podia permanecer estranha ao portentoso [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] das ciências históricas, sob [[lexico:p:pena:start|pena]] de correr o [[lexico:r:risco:start|risco]] de se defasar em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a efetivas aquisições científicas. Mas pode-se considerar satisfatórios os resultados conseguidos por Dilthey em seu [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]]? Sobre que bases sólidas Dilthey apoiava a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre ciências da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] e [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] do [[lexico:e:espirito:start|espírito]]? Windelband rejeita com firmeza tal distinção, por se tratar de distinção [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] infundada que contrapõe a "natureza" ao "espírito". Na [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] de Windelband, a distinção de Dilthey é o mascaramento metodológico de pressuposta, ilegítima e não proclamada distinção metafísica entre natureza e espírito. Consequentemente, Windelband (prescindindo aqui da sua [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] nem sempre muito correta de Dilthey) contrapõe à distinção de base objetual (natureza e [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:h:humano:start|humano]]) de Dilthey uma distinção de [[lexico:m:metodo:start|método]]. Windelband distingue as disciplinas científicas em ciências [[lexico:n:nomoteticas:start|nomotéticas]] e ciências idiográficas. As primeiras são as que procuram determinar as leis gerais que expressam a [[lexico:r:regularidade:start|regularidade]] dos fenômenos; as segundas são as ciências que voltam sua [[lexico:a:atencao:start|atenção]] para o [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] [[lexico:s:singular:start|singular]], visando [[lexico:c:compreender:start|compreender]] sua especificidade e [[lexico:i:individualidade:start|individualidade]]. Escreve Windelband: "As ciências de [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] procuram no conhecimento do [[lexico:r:real:start|real]] ou o [[lexico:g:geral:start|geral]], sob a [[lexico:f:forma:start|forma]] de [[lexico:l:lei:start|lei]] da natureza, ou [[lexico:p:particular:start|particular]], em sua [[lexico:f:fisionomia:start|fisionomia]] historicamente determinada. Elas consideram, por um lado, a forma permanente e, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, o conteúdo singular, determinado em si, do [[lexico:d:devir:start|devir]] real. As primeiras são ciências da lei, as outras são ciências do [[lexico:a:acontecimento:start|acontecimento]]; aquelas mostram [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] sempre, estas o que foi outrora. No primeiro caso, o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] científico é [[lexico:n:nomotetico:start|nomotético]], no segundo é idiográfico." Assim, perde [[lexico:t:todo:start|todo]] o seu [[lexico:v:valor:start|valor]] a distinção objetual proposta por Dilthey: qualquer fenômeno e qualquer acontecimento pode [[lexico:s:ser:start|ser]] estudado como caso particular de uma uniformidade ou para se compreender o seu [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:t:tipico:start|típico]] e a sua irrepetibilidade. Desse [[lexico:m:modo:start|modo]], por exemplo, "a ciência da natureza orgânica tem caráter nomotético enquanto sistemático-descritiva e tem caráter idiográfico enquanto considera o desenvolvimento dos organismos sobre a [[lexico:t:terra:start|Terra]]". Assim, de um lado a lei e de outro lado os acontecimentos em sua individualidade. E, assim, como não se pode deduzir da lei o acontecimento particular, porque é [[lexico:u:unico:start|único]] e irrepetível, da mesma forma não se pode, a partir deste, chegar à [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] da lei. "A lei e o acontecimento permanecem, uma ao lado do outro, como as únicas grandezas incomensuráveis da nossa [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] do mundo". Para Windelband, essa irredutibilidade é problema insolúvel. E, no entanto, é nessa irredutibilidade que se basearia a [[lexico:a:autonomia:start|autonomia]] das ciências históricas. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}