===== NOETON ===== noêtón: capaz de [[lexico:s:ser:start|ser]] compreendido pelo [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]]; o [[lexico:o:objeto:start|objeto]] do intelecto, o [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]] (contrário de [[lexico:a:aistheton:start|aistheton]]) 1. O noeton é o objeto da [[lexico:o:operacao:start|operação]] da [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] do [[lexico:n:nous:start|noûs]]. Entre os [[lexico:p:pre-socraticos:start|pré-socráticos]], onde a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] do noûs do [[lexico:p:principio:start|princípio]] [[lexico:g:geral:start|geral]] cognitivo da [[lexico:p:psyche:start|psyche]] foi muito gradual ([[lexico:v:ver:start|ver]] [[lexico:n:noesis:start|noesis]] 7), os objetos da primeira faculdade [[lexico:n:nao:start|não]] eram muito considerados. Constituem, de [[lexico:f:fato:start|fato]], «[[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]» ([[lexico:e:episteme:start|episteme]]), para [[lexico:h:heraclito:start|Heráclito]] o conhecimento de «a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] que gosta de se ocultar», para [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]] o conhecimento do «verdadeiro ser». Com [[lexico:p:platao:start|Platão]] as distinções tomaram-se mais agudas. Os noeta são os objetos da faculdade da [[lexico:a:alma:start|alma]] chamada [[lexico:l:logistikon:start|logistikon]] (ver psyche 15-18); são, em [[lexico:s:suma:start|suma]], os eide transcendentes. Mas, para [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], os eide são imanentes (ver [[lexico:e:eidos:start|eidos]] 15) e, assim, há a considerar mais distinções. O eidos nas [[lexico:c:coisas:start|coisas]] pode ser considerado sob dois pontos de vista. Com [[lexico:r:respeito:start|respeito]] à [[lexico:s:substancia:start|substância]] em que inere, é a [[lexico:c:causa:start|causa]] [[lexico:f:formal:start|formal]] dessa substância; com respeito ao noûs de outra, é potencialmente inteligível (noeton) por [[lexico:e:esse:start|esse]] noûs. Mas antes de se tornar verdadeiramente noeton tem de ser levado e apresentado a esse noûs. Esta é a [[lexico:f:funcao:start|função]] do [[lexico:p:phantasma:start|phantasma]] que é como uma [[lexico:i:imagem:start|imagem]] visual só que não tem [[lexico:m:materia:start|matéria]]: o noûs pensa os noeta nos phantas-mata ([[lexico:d:de-anima:start|De anima]] ni, 431b-432a). Na [[lexico:a:analise:start|análise]] final, então, os noeta qua noeta estão no noûs, primeiro potencialmente, depois atualmente. Esta transição da [[lexico:p:potencia:start|potência]] ao [[lexico:a:ato:start|ato]] ocorre no noûs [[lexico:p:pathetikos:start|pathetikos]] (ver noûs 11). Mas, em termos da [[lexico:t:teoria:start|teoria]] aristotélica potencia-ato, os noeta deviam [[lexico:e:estar:start|estar]] todos presentes em ato no noûs poetikos (ver noûs 12). Mas Aristóteles nunca diz isto, recorrendo a uma comparação da operação do [[lexico:i:intelecto-agente:start|intelecto agente]] à de uma [[lexico:f:fonte:start|fonte]] luminosa: o [[lexico:i:intelecto-ativo:start|intelecto ativo]] ilumina o [[lexico:i:intelecto-passivo:start|intelecto passivo]] (ibid. III, 430a). 2. Durante o período do [[lexico:p:platonismo:start|platonismo]] médio foi feita uma [[lexico:s:serie:start|série]] de revisões na teoria do eidos, [[lexico:p:parte:start|parte]] das quais era muito provavelmente uma sincretização extensiva do platonismo e do peripatetismo ([[lexico:m:mal:start|mal]] exposto em Cícero, Acad. post. I, 17-18) de [[lexico:m:modo:start|modo]] a incluir tanto o eidos [[lexico:t:transcendente:start|transcendente]] platônico como o eidos [[lexico:i:imanente:start|imanente]] aristotélico dentro do [[lexico:e:esquema:start|esquema]] da [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]] (o seu progressivo [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] pode ser detectado em [[lexico:s:seneca:start|Sêneca]], Ep. 65, 8 e Basílio o Grande, De spiritu sancto 76a). Os autores deste período começaram a traçar uma distinção entre o eidos que é imanente às coisas como sua causa formal e a [[lexico:i:idea:start|idea]] que é a [[lexico:c:causa-exemplar:start|causa exemplar]] das coisas naturais (Sêneca, Ep. 58, 19; Albino, Epit. IX, 2; confrontar Aristóteles, [[lexico:m:metafisica:start|Metafísica]] 1070a). Apelavam para textos-prova platônicos tais como o [[lexico:t:timeu:start|Timeu]] 48 e 50c-d (ver Calcídio, In Timeu 304, 9 onde idea — spccies intelligibilis e eidos — natura corporis; sobre o [[lexico:p:problema:start|problema]] geral da [[lexico:i:imanencia:start|imanência]] dos eide platônicos, ver [[lexico:g:genesis:start|genesis]] 10-11), e a invocação constante do [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] do [[lexico:a:artesao:start|artesão]], com os seus vestígios do [[lexico:d:demiourgos:start|demiourgos]] platônico, parece finalmente [[lexico:t:ter:start|ter]] levado à [[lexico:d:descricao:start|descrição]] explícita das ideai como «os [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]] de [[lexico:d:deus:start|Deus]]» (Fílon, De opif. 17-20; D. L. III, 12-13; Sêneca, Ep. 65, 7; Albino, Epit. IX, 1: noeseis theou). Este não era, evidentemente, um [[lexico:c:conceito:start|conceito]] completamente novo. Parece, de fato, alheio a Platão para [[lexico:q:quem:start|quem]] o noûs-demiourgos, embora sendo um Deus, estava nitidamente subordinado aos eide transcendentes (ver noûs 6). Mas Aristóteles [[lexico:f:fala:start|fala]] (De [[lexico:a:anima:start|anima]] III, 429a) [[lexico:c:como-se:start|como se]] alguém na [[lexico:a:academia:start|Academia]] sustentasse que o noûs era «o [[lexico:l:lugar:start|lugar]] das Formas» ([[lexico:t:topos:start|topos]] eidon) e, como já vimos, a direção da própria teorização de Aristóteles parecia sugerir que os noeta estão realmente presentes no noûs [[lexico:p:poietikos:start|poietikos]] e, possivelmente, também no noûs cósmico (ver noûs 9). 3. Dois pontos são de assinalar na [[lexico:h:historia:start|história]] subsequente dos noeta transcendentes, as ideai de Albino, que servem de causa [[lexico:e:exemplar:start|exemplar]] das coisas. Primeiro, [[lexico:d:dado:start|dado]] que o primeiro princípio de Albino é o noûs e um dos demiourgos (ver noûs 15), [[lexico:n:nada:start|nada]] há a opor ao fato dos noeta serem os pensamentos (noesis) de Deus. Mas entre Albino e [[lexico:p:plotino:start|Plotino]] a [[lexico:t:transcendencia:start|transcendência]] do [[lexico:u:uno:start|uno]] deslocou o noûs do primeiro lugar na [[lexico:h:hierarquia:start|hierarquia]] das hipóstases, e este fato levantou logo de início o problema de [[lexico:s:saber:start|saber]] se os noeta são os pensamentos do Uno e se, na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], há qualquer [[lexico:a:atividade:start|atividade]] [[lexico:n:noetica:start|noética]] no Uno. Segundo, concedendo que os noeta estão no noûs cósmico, qual é exatamente o seu [[lexico:e:estatuto:start|estatuto]] [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]]? 4. A [[lexico:q:questao:start|questão]] da atividade noética do Uno foi quase de [[lexico:c:certeza:start|certeza]] levantada pela descrição que Aristóteles faz da [[lexico:e:energeia:start|energeia]] do [[lexico:p:primeiro-motor:start|primeiro motor]] como noesis (ver noûs 9). Tal [[lexico:p:posicao:start|posição]] é irreconciliável com o [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista que Plotino tem do Uno e ele dedica [[lexico:t:todo:start|todo]] um ensaio ([[lexico:e:eneadas:start|Eneadas]] V, 6) à [[lexico:r:refutacao:start|refutação]] do ponto de vista de Aristóteles. Os argumentos são tirados duma variedade de fontes (são, de fato, tão esquemáticos que sugerem um repertório platônico sobre o assunto), mas detêm-se essencialmente sobre a necessária [[lexico:p:pluralidade:start|pluralidade]] em qualquer [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de noesis e sobre o estatuto ontológico dos noeta que, na [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] de Plotino, não são de modo algum pensamentos. [[lexico:p:proclo:start|Proclo]], porém, volta a uma posição mais aristotélica. Há uma atividade cognitiva em Deus que é não-dividida, necessária, e perfeitamente determinada, se [[lexico:b:bem:start|Bem]] que os seus objetos não o sejam; isto é [[lexico:p:possivel:start|possível]] porque o conhecimento ([[lexico:g:gnosis:start|gnosis]]) de Deus não é dos particulares em si, mas dele como sua causa (Elem. theol., prop. 124); ver [[lexico:t:trias:start|trias]], noûs 9. 5. O segundo ponto, o estatuto ontológico dos noeta, é atacado por Plotino nas Eneadas V, 9, 7. A [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de os eide serem meras [[lexico:i:ideias:start|ideias]] ou [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] (noemata) tinha já sido levantada e negada no Parm. 132a-c. Mas a Academia passou por um período céptico com [[lexico:a:arcesilau:start|Arcesilau]] e Carnéades, durante o qual as ideai transcendentes caíram em desfavor (ver Cícero, Acad. post. I, 17; para a restauração das ideai por Antíoco de Ascalão, ibid. I, 30-33) e isto era, evidentemente, ainda um problema de importância para Plotino. Ele nega a sua [[lexico:r:realidade:start|realidade]] puramente conceptual. Os noeta não são propriamente descritos como pensamentos (noeseis) do noûs cósmico porque, ao contrário dos pensamentos, a sua [[lexico:e:existencia:start|existência]] não depende de serem pensados: aqui, [[lexico:p:pensar:start|pensar]] e [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] são idênticos; o noûs eternamente ativado são os noeta (ver V, 9, 5). [[lexico:a:alem:start|Além]] disso, se fossem pensamentos, teriam de [[lexico:e:existir:start|existir]] objetos de pensamento (nooumena) anteriores a eles. Os noeta existem [[lexico:p:por-si:start|por si]] próprios, não porque o noûs os pense (v, 9, 7). Estão presentes no noûs cósmico como uma [[lexico:u:unidade:start|unidade]] do mesmo modo que um [[lexico:g:genero:start|gênero]] contém todas as suas espécies (v, 9, 6) ou uma [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] contém todos os seus teoremas. Somos nós que os separamos no nosso modo [[lexico:d:discursivo:start|discursivo]] de pensamento (v, 9, 8; ver noesis 19-20). 6. Para Plotino há dois graus de noeta: as ideai que existem num [[lexico:e:estado:start|Estado]] de unidade no noûs cósmico, e as que têm uma existência plural no nosso noûs imanente e [[lexico:h:humano:start|humano]] e que nos são dadas pelo noûs transcendente que é dator formarum (ver noûs 21). Em V, 9, 8 ele diz que estas estão «próximas da realidade ([[lexico:a:aletheia:start|aletheia]])», mas em geral não insiste muito numa [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre as duas e somos informados que cada um de nós é um [[lexico:k:kosmos-noetos:start|kosmos noetos]], i. e., temos dentro das nossas almas todos os noeta (III, 4, 3). Estes conceitos estão um pouco alterados em Proclo. Os dois discordaram quanto ao problema do [[lexico:g:grau:start|grau]] de contato entre o noûs transcendente e o imanente( ver as suas diferentes explicações da natureza intermitente da [[lexico:i:inteleccao:start|intelecção]] humana na rubrica noesis 21) e esta discordância reflete-se nos seus pontos de vista sobre os noeta nas nossas almas. Segundo Proclo (Elem. theol., props. 194-195) a alma possui os eide das coisas sensíveis (i. e., os [[lexico:l:logoi-spermatikoi:start|logoi spermatikoi]]) de uma maneira exemplar (paradeigmatikos - [[lexico:p:paradeigma:start|paradeigma]]), sem matéria e sem [[lexico:e:extensao:start|extensão]] (ver [[lexico:p:physis:start|physis]]). Possui as formas inteligíveis, os noeta de uma maneira refletida (eikonikos - [[lexico:e:eikon:start|eikon]]); não abrange os artigos genuínos mas meras radiações (emphaseis) deles. Para [[lexico:h:hyle:start|hyle]] noete, ver [[lexico:a:aphairesis:start|aphairesis]]; para a [[lexico:r:relatividade:start|relatividade]] da [[lexico:i:inteligibilidade:start|inteligibilidade]], [[lexico:g:gnorimon:start|gnorimon]]. A faculdade que capta os noeta, quer a um nível cósmico, quer humano, é tratada nas rubricas noûs e psyche e a sua operação na rubrica noesis. A história primitiva dos noeta qua Formas é discutida na rubrica eidos. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}