===== NOESE E NOEMA ===== O [[lexico:c:campo:start|campo]] dos fenômenos puros revela-se ainda uma corrente heracliteana de fenômenos, encontrando-se a [[lexico:c:consciencia:start|consciência]], portanto, em permanente fluir, durando e ordenando-se num [[lexico:c:continuo:start|contínuo]] [[lexico:i:indefinido:start|indefinido]] de durações. A [[lexico:t:temporalidade:start|temporalidade]], [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] [[lexico:g:geral:start|geral]] de todas as vivências, é uma temporalidade [[lexico:i:imanente:start|imanente]], puramente vivida. A consciência dá-se num presente que vem de um passado e segue para um [[lexico:f:futuro:start|futuro]]. A [[lexico:v:vivencia:start|vivência]] é unificada por este fluxo [[lexico:t:temporal:start|temporal]]. Assim, a temporalidade é uma [[lexico:f:forma:start|forma]] necessária da consciência que une as vivências umas às outras. O [[lexico:t:tempo:start|tempo]] desempenha, por isso, uma [[lexico:f:funcao:start|função]] unificadora relativamente à consciência; faz dela uma única vivência designativa do mesmo [[lexico:o:objeto:start|objeto]]; postula, no entanto, uma [[lexico:s:sintese:start|síntese]] ainda mais íntima entre os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] constitutivos da própria vivência. Essa unificação leva-se a [[lexico:e:efeito:start|efeito]] pela [[lexico:i:intencionalidade:start|intencionalidade]]. A intencionalidade é como um raio de [[lexico:l:luz:start|luz]], que provém do [[lexico:e:eu:start|eu]] e se dirige ao objeto; simplesmente tem, no seu [[lexico:c:caminho:start|caminho]], de animar, por assim dizer, substratos que expliquem a [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] dos objetos de que tenho consciência; são esses substratos os dados sensíveis, também chamados hiléticos, ou, simplesmente, hilé, em si mesmos desprovidos de intencionalidade (sons, cores, sensações em geral). A intencionalidade enforma-os, torna-os e também intencionais, pois adquirem [[lexico:r:referencia:start|referência]] [[lexico:i:intencional:start|intencional]] ao objeto [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] que determinam. Considerada como enformante, a intencionalidade é a [[lexico:n:noese:start|noese]]; a noese e os seus elementos materiais constituem a [[lexico:p:parte:start|parte]] «[[lexico:r:real:start|real]]» da vivência. Porém, esses mesmos [[lexico:d:dados-hileticos:start|dados hiléticos]], tornados intencionais, são polarizados em [[lexico:o:ordem:start|ordem]] à [[lexico:d:designacao:start|designação]] imediata do objeto. Surge deste [[lexico:m:modo:start|modo]] a vivência orientada para o objeto — o [[lexico:n:noema:start|noema]]. Este noema transcende, de certo modo, a vivência, [[lexico:n:nao:start|não]] pertence aos seus constituintes reais; é a componente «[[lexico:i:irreal:start|irreal]]» ou «intencional», porque tende para o objeto que designa. Finalmente, há a considerar o objeto. Examinando o noema, encontramos que nele reside um conteúdo, ou seja o seu [[lexico:s:sentido:start|sentido]], através do qual o noema se relaciona com o seu objeto. [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] apresenta como [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], o caso de uma árvore. Essa árvore não se dá na consciência isoladamente, mas revestida por um certo [[lexico:n:numero:start|número]] de elementos que designam diretamente a árvore ou dão à árvore uma [[lexico:m:modalidade:start|modalidade]] característica. Este conjunto, assim formado, representa o noema completo. A camada [[lexico:e:exterior:start|exterior]] dos elementos, que afetam o modo [[lexico:c:como-se:start|como se]] tem consciência do objeto, neste caso, da árvore, são os [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] noemáticos. Quer dizer, a árvore pode tornar-se [[lexico:c:consciente:start|consciente]], não só pela [[lexico:p:presenca:start|presença]], no caso de uma [[lexico:p:percepcao:start|percepção]], mas também como recordada, imaginada, etc. Estes caracteres noemáticos exprimem os modos, segundo os quais se apresenta o objeto como tal. A estes caracteres noemáticos juntam-se os caracteres de [[lexico:s:ser:start|ser]] (Seincharaktere) que indicam o modo como o objeto é concebido no seu mesmo ser. Husserl designa-os por correlatos noemáticos dos caracteres (noéticos) de [[lexico:c:crenca:start|crença]] (Glaubenscharaktere) ou caracteres dóxicos, pois na [[lexico:a:atitude:start|atitude]] transcendental a [[lexico:c:certeza:start|certeza]] ou [[lexico:d:duvida:start|dúvida]] relativamente à [[lexico:e:existencia:start|existência]] do objeto só pode conceber-se como uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de crença ou de [[lexico:o:opiniao:start|opinião]]. Os caracteres noemáticos caracterizam o objeto, neste caso a árvore, no modo de se apresentar. Podem variar e o objeto permanecer o mesmo. Por seu turno o objeto é determinado por uma [[lexico:s:serie:start|série]] de elementos que compreende os dados hiléticos, enquanto projetados no noema, devido à intencionalidade e que se podem manter idênticos através dos caracteres noemáticos. Esses elementos é que nos determinam o objeto e constituem o núcleo noemático em sentido [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]]. Neles e por eles é que o objeto se encontra [[lexico:s:significado:start|significado]] na sua [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] de objeto consciente. [Morujão] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}