===== NIILISMO DE NIETZSCHE ===== O [[lexico:n:niilismo:start|niilismo]], diz [[lexico:n:nietzsche:start|Nietzsche]], é "a [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] necessária do cristianismo, da [[lexico:m:moral:start|moral]] e do [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de [[lexico:v:verdade:start|verdade]] da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]]". Quando as ilusões perdem a máscara, então [[lexico:n:nada:start|nada]] resta: o [[lexico:a:abismo:start|abismo]] do nada. "Como [[lexico:e:estado:start|Estado]] [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]], o niilismo torna-se [[lexico:n:necessario:start|necessário]], em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], quando procuramos em [[lexico:t:todo:start|todo]] o [[lexico:a:acontecimento:start|acontecimento]] um ‘[[lexico:s:sentido:start|sentido]]’ que ele [[lexico:n:nao:start|não]] tem, até que, por [[lexico:f:fim:start|fim]], começa a faltar [[lexico:c:coragem:start|coragem]] a [[lexico:q:quem:start|quem]] procura". Aquele "sentido" podia [[lexico:s:ser:start|ser]] a realização ou o fortalecimento de um [[lexico:v:valor:start|valor]] moral ([[lexico:a:amor:start|amor]], [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]] de [[lexico:r:relacoes:start|relações]], [[lexico:f:felicidade:start|felicidade]] etc). Mas o que devemos constatar é que a desilusão quanto a [[lexico:e:esse:start|esse]] pretenso fim é "uma [[lexico:c:causa:start|causa]] do niilismo". Em segundo lugar, "postulou-se [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]], sistematização e até organização em todo o acontecer e em sua base". Entretanto, o que se viu é que esse [[lexico:u:universal:start|universal]], que o [[lexico:h:homem:start|homem]] construíra para poder crer no seu [[lexico:p:proprio:start|próprio]] valor, não existe! No fundo, o que aconteceu? "Alcançou-se o [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] da [[lexico:f:falta:start|falta]] de valor quando se compreendeu que não é lícito interpretar o [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:g:geral:start|geral]] da [[lexico:e:existencia:start|existência]] nem com o conceito de ‘fim’, nem com o conceito de ‘[[lexico:u:unidade:start|unidade]]’, nem com o conceito de ‘verdade’." Caem assim "as mentiras de vários milênios" e o homem fica sem os enganos das ilusões, mas fica só. Não há valores absolutos; aliás, os valores são desvalores; não existe nenhuma [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] [[lexico:r:racional:start|racional]] e universal que possa sustentar o [[lexico:e:esforco:start|esforço]] do homem; não há nenhuma [[lexico:p:providencia:start|providência]], nenhuma [[lexico:o:ordem:start|ordem]] cósmica: "A [[lexico:c:condicao:start|condição]] geral do [[lexico:m:mundo:start|mundo]], por toda a [[lexico:e:eternidade:start|Eternidade]], é o [[lexico:c:caos:start|caos]], não como [[lexico:a:ausencia:start|ausência]] de [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]], e sim no sentido de falta de ordem ou de estrutura, de [[lexico:f:forma:start|forma]], de [[lexico:b:beleza:start|beleza]], de [[lexico:s:sabedoria:start|sabedoria]] (...) "O mundo não tem sentido: "[[lexico:e:eu:start|eu]] encontrei em todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] esta [[lexico:c:certeza:start|certeza]] feliz: elas preferem dançar com os pés do [[lexico:a:acaso:start|acaso]]". Não há ordem, não há sentido. Mas há necessidade: o mundo tem em si a necessidade da [[lexico:v:vontade:start|vontade]]. Desde a eternidade, o mundo é dominado pela vontade de se aceitar e de se repetir. E essa a doutrina do [[lexico:e:eterno-retorno:start|eterno retorno]] que Nietzsche retoma da [[lexico:g:grecia:start|Grécia]] e do Oriente. O mundo não procede de [[lexico:m:modo:start|modo]] retilíneo em direção a um fim (como acredita o cristianismo), nem o seu [[lexico:d:devir:start|devir]] é [[lexico:p:progresso:start|progresso]] (como pretende o [[lexico:h:historicismo:start|historicismo]] hegeliano e pós-hegeliano), mas "todas as coisas eternamente retornam e nós com elas; nós já existimos eternas vezes e todas as coisas conosco". Toda [[lexico:d:dor:start|dor]] e todo [[lexico:p:prazer:start|prazer]], todo [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] e todo [[lexico:s:suspiro:start|suspiro]], toda [[lexico:c:coisa:start|coisa]] indizivelmente pequena e grande retornará: "Voltarão até essa teia de aranha e este raio de lua entre as árvores, até este [[lexico:i:identico:start|idêntico]] [[lexico:m:momento:start|momento]] e eu mesmo". O mundo que se aceita a [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] e que se repete: essa a doutrina cosmológica de Nietzsche. E, a ela, Nietzsche vincula a sua outra doutrina, do [[lexico:a:amor-fati:start|amor fati]]: amar o necessário, aceitar este mundo e amá-lo. O homem descobre que a [[lexico:e:essencia:start|essência]] do mundo é vontade, vê que ele é [[lexico:e:eterno:start|eterno]] [[lexico:r:retorno:start|retorno]] e se reconcilia voluntariamente com o mundo: recolhe em sua própria vontade de aceitação do mundo a mesma vontade que se aceita a si mesma. Ele segue voluntariamente o [[lexico:c:caminho:start|caminho]] que outros homens seguiram cegamente, aprova esse caminho e não procura mais fugir dele, como fazem os doentes e decrépitos. É o que ensina Zaratustra: "Tudo aquilo que existiu é fragmento, enigma, acaso espantoso, até que a vontade criadora agrega: assim queria eu que fosse, assim quero que seja, assim eu quererei que seja". {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}