===== NIILISMO ===== (in. Nihilism; fr. Nihilisme; al. Nihilismus; it. Nihilismó). [[lexico:t:termo:start|termo]] usado na [[lexico:m:maioria-das-vezes:start|maioria das vezes]] com intuito [[lexico:p:polemico:start|polêmico]], para designar doutrinas que se recusam a reconhecer realidades ou valores cuja [[lexico:a:admissao:start|admissão]] é considerada importante. Assim, Hamilton usou [[lexico:e:esse:start|esse]] termo para qualificar a doutrina de [[lexico:h:hume:start|Hume]], que nega a [[lexico:r:realidade:start|realidade]] [[lexico:s:substancial:start|substancial]] (Lectures on Metaphysics, I, pp. 293-94); nesse caso a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] quer dizer [[lexico:f:fenomenismo:start|fenomenismo]]. Em outros casos, é empregada para indicar as atitudes dos que negam determinados valores morais ou políticos. [[lexico:n:nietzsche:start|Nietzsche]] foi o [[lexico:u:unico:start|único]] a [[lexico:n:nao:start|não]] utilizar esse termo com intuitos polêmicos, empregando-o para qualificar sua [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] radical aos valores morais tradicionais e às tradicionais crenças metafísicas: "O niilismo não é somente um conjunto de considerações sobre o [[lexico:t:tema:start|tema]] ‘Tudo é vão’, não é somente a [[lexico:c:crenca:start|crença]] de que tudo merece morrer, mas consiste em colocar a mão na [[lexico:m:massa:start|massa]], em destruir. (...) É o [[lexico:e:estado:start|Estado]] dos [[lexico:e:espiritos:start|espíritos]] fortes e das vontades fortes do qual não é [[lexico:p:possivel:start|possível]] atribuir um [[lexico:j:juizo-negativo:start|juízo negativo]]: a [[lexico:n:negacao:start|negação]] ativa corresponde mais à sua [[lexico:n:natureza:start|natureza]] profunda" (Wille zur Macht, ed. Kröner, XV, § 24). A negação de qualquer crença. — O niilismo apareceu na Rússia, no século XIX, inicialmente como uma [[lexico:a:atitude:start|atitude]], um "estado de [[lexico:d:desesperanca:start|desesperança]]" [[lexico:p:proprio:start|próprio]] a todos os que não sabem o que fazer da própria [[lexico:v:vida:start|vida]]; tornou-se logo depois uma doutrina, enunciada por Dobroliubov (1836-1861) e Pissarev (1840-1868) (profundamente inspirados pelo [[lexico:p:positivismo:start|positivismo]] de Augusto [[lexico:c:comte:start|Comte]]), cujo [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] [[lexico:i:imediato:start|imediato]] é varrer todas as [[lexico:i:ideias:start|ideias]] adquiridas ([[lexico:t:teologia:start|teologia]], [[lexico:e:estetica:start|estética]] etc), todos os preconceitos sociais, e cujo objetivo [[lexico:u:ultimo:start|último]] é instaurar uma nova [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] apta a assegurar a [[lexico:f:felicidade:start|felicidade]] das massas, sociedade essa que se basearia em dados científicos. Após 1870, sob a [[lexico:i:influencia:start|influência]] de Tchernychev, o niilismo evolui no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de uma [[lexico:c:critica:start|crítica]] do capitalismo e da injustiça [[lexico:s:social:start|social]] na Rússia. Reagindo às perseguições governamentais e à instigação de agitadores, certos niilistas participam de atentados anarquistas, que não faziam [[lexico:p:parte:start|parte]] do programa [[lexico:p:primitivo:start|primitivo]]. Dessa maneira, ligam-se a homens como Bakunine, cujo O Estado e a [[lexico:a:anarquia:start|anarquia]] (1873) recomenda "destruir o mais possível, o mais rapidamente possível". O niilismo confunde-se então com todos os movimentos que visam destruir o [[lexico:r:regime:start|regime]] do czar: seu objetivo é total [[lexico:d:destruicao:start|destruição]] das estruturas sociais, sem nenhuma [[lexico:i:intencao:start|intenção]] positiva de renovação. O niilista identifica-se ao anarquista, para [[lexico:q:quem:start|quem]] a destruição e a [[lexico:l:luta:start|luta]] revolucionária constituem um [[lexico:f:fim:start|fim]] em si. Opõe-se ao [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] revolucionário, cujo objetivo não é o de destruir, mas o de instaurar uma nova [[lexico:o:ordem:start|ordem]]. a) É a doutrina que admite que o [[lexico:n:nada:start|nada]], [[lexico:a:alem:start|além]] de [[lexico:s:ser:start|ser]] ou de haver, é capaz de ser pensado. O [[lexico:a:argumento:start|argumento]] de [[lexico:g:gorgias:start|Górgias]] que o defendia era: "Se posso [[lexico:p:pensar:start|pensar]] em [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]], é porque existe; ora, posso pensar no nada; logo, o nada existe". Este [[lexico:s:silogismo:start|silogismo]] é uma verdadeira [[lexico:f:falacia:start|falácia]], porque não se [[lexico:p:prova:start|prova]] que tudo sobre que podemos pensar existe, porque o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] só pode, de per si, afirmar a [[lexico:e:existencia:start|existência]] em quem pensa, não uma existência fora do pensamento. Ademais, pensar na [[lexico:a:ausencia:start|ausência]] de todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]], que é o [[lexico:m:modo:start|modo]] de pensar sobre o nada, que em si é impensável, não é ainda colocar o nada, nem realizá-lo. b) Chama-se de niilismo toda [[lexico:p:posicao-filosofica:start|posição filosófica]], doutrinária, [[lexico:e:etica:start|ética]], etc., que preconize uma valorização e até uma supervalorização desse [[lexico:c:conceito:start|conceito]] [[lexico:n:negativo:start|negativo]] de nada, e ainda empreenda sua [[lexico:a:atividade:start|atividade]] doutrinária ou social no que é destrutivo, no que aniquila o que há, ou que pretende, em [[lexico:s:suma:start|suma]], destruir todos os valores para afirmar os desvalores. Vide [[lexico:v:valor:start|valor]]. Nietzsche foi o grande crítico do niilismo e o classificou em ativo e [[lexico:p:passivo:start|passivo]], em [[lexico:p:positivo:start|positivo]] e negativo, o que permite inúmeras combinações. É ativo o niilismo que empreende uma [[lexico:a:acao:start|ação]] destrutiva. É positivo quando pretende destruir algo para ser substituído por algo julgado melhor, como os revolucionários construtivistas. É negativo quando consiste na não oposição ao destrutivo. É passivo, o que aceita a destruição sem contribuir diretamente para ela, sem opor obstáculos, por cumplicidade passiva. E essa cumplicidade será positiva ou negativa, na proporção em que colabore com a destruição para construir, ou com a destruição pura e [[lexico:s:simples:start|simples]]. Nietzsche chamava-se de niilista ativo positivo, pois desejava derrocar a escala de valores do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] burguês de sua [[lexico:e:epoca:start|época]] para substitui-la por uma outra mais nobre e mais digna para o [[lexico:h:homem:start|homem]]. Niil... e [[lexico:p:palavras:start|palavras]] derivadas, vide nihil... e derivadas. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}