===== NIETZSCHE ===== NIETZSCHE (Friedrich), [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] alemão (Rökken, perto de Lutzen, 1844 — Weimar 1900). Estudante em Bonn e Leipzig, e amigo de Richard Wagner, lecionou em Bale de 1869 a 1878. Morreu louco. Um entusiasmado [[lexico:a:amor:start|amor]] pela [[lexico:v:vida:start|vida]] foi o [[lexico:p:principio:start|princípio]] invariável de sua [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]]. A procura de uma [[lexico:s:sintese:start|síntese]] entre o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:d:dionisiaco:start|dionisíaco]] dos desejos e o mundo [[lexico:a:apolineo:start|apolíneo]] da [[lexico:s:sabedoria:start|sabedoria]] ([[lexico:o:origem:start|origem]] da [[lexico:t:tragedia:start|tragédia]], 1872), a [[lexico:r:recusa:start|recusa]] da [[lexico:m:moral:start|moral]] cristã, ou "[[lexico:m:moral-dos-escravos:start|moral dos escravos]]" ([[lexico:h:humano:start|humano]] demasiado humano, 1878; Para [[lexico:a:alem:start|além]] do [[lexico:b:bem:start|Bem]] e do [[lexico:m:mal:start|mal]], 1886), sua "inversão de valores", que substitui as teorias dos valores preestabelecidos por uma moral criadora, sua [[lexico:t:teoria:start|teoria]] do "[[lexico:s:super-homem:start|super-homem]]" ([[lexico:a:assim-falou-zaratustra:start|Assim falou Zaratustra]], 1885; A [[lexico:g:genealogia-da-moral:start|Genealogia da Moral]], 1887; O crepúsculo dos [[lexico:i:idolos:start|ídolos]], 1888) assim como a teoria do "[[lexico:r:retorno:start|retorno]] [[lexico:e:eterno:start|eterno]]" das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] da vida humana são os principais temas de seu [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]. O [[lexico:e:esforco:start|esforço]] de sua moral foi o de sair do [[lexico:p:pessimismo:start|pessimismo]] mais [[lexico:p:profundo:start|profundo]], reconhecendo, entretanto, todas as experiências negativas, as "desgraças" que a vida pode reservar ao [[lexico:h:homem:start|homem]]; sua [[lexico:m:maxima:start|máxima]] foi a de "fazer com o mais profunda [[lexico:d:desespero:start|desespero]] a [[lexico:e:esperanca:start|esperança]] mais invencível", graças a um heróico esforço da [[lexico:v:vontade:start|vontade]] e da [[lexico:i:imaginacao:start|imaginação]]. Seu lirismo, que implica numa [[lexico:c:contemplacao:start|contemplação]] [[lexico:e:estetica:start|estética]] da vida e dá [[lexico:n:natureza:start|natureza]], aproxima-o das filosofias da natureza próprias ao [[lexico:r:romantismo:start|Romantismo]] alemão ([[lexico:s:schelling:start|Schelling]], [[lexico:s:schopenhauer:start|Schopenhauer]]). A teoria do retorno eterno influenciou certas filosofias da [[lexico:h:historia:start|história]], principalmente a teoria dos "ciclos de [[lexico:c:cultura:start|cultura]]" de [[lexico:s:spengler:start|Spengler]] ou Toynbee; sua moral individualista marcou certas obras literárias — a de Gide, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]]. A exploração de sua filosofia pelo fascismo e o nacional-socialismo deveu-se a uma deformação do pensamento do filósofo que sempre opôs a "besta prussiana" à [[lexico:c:civilizacao:start|civilização]] francesa. Friedrich Nietzsche (1844-1900) nasceu em Roecken, Prússia, [[lexico:f:filho:start|filho]] de um pastor protestante e de remota origem polaca. Desde moço aprofundou seus estudos em filosofia, estudando entusiasticamente a [[lexico:l:literatura:start|literatura]] grega. Por sua grande cultura, foi aprovado sem exames na Universidade de Leipzig, por voto unânime da Congregação. Aos 24 anos de idade, foi nomeado lente de filosofia na Universidade de Basileia (Suíça), onde por seu precário [[lexico:e:estado:start|Estado]] de saúde, teve de aposentar-se, vivendo, desde aí, em [[lexico:s:solidao:start|solidão]]. A [[lexico:l:leitura:start|leitura]] da [[lexico:o:obra:start|obra]] de Schopenhauer ("O Mundo como [[lexico:r:representacao:start|Representação]] e como Vontade") levou-o ao pessimismo, reagindo logo para uma concepção "otimista trágica" e para um "dionisismo", diríamos, [[lexico:e:existencial:start|existencial]], que colimou em seu [[lexico:l:lema:start|lema]] do [[lexico:a:amor-fati:start|amor fati]], que consiste no amor à vida com todas as suas alegrias e tristezas. Influenciado pelas filosofias dos [[lexico:p:pre-socraticos:start|pré-socráticos]], dos [[lexico:v:vedanta:start|vedanta]], e por outros mais modernos, entre eles Lichtenberg, [[lexico:p:pascal:start|Pascal]], [[lexico:s:spinoza:start|Spinoza]], [[lexico:h:hegel:start|Hegel]], formulou um ataque extremado a todos os valores religiosos, filosóficos e científicos tradicionais, como também aos postulados do cientificismo do século XIX. Acusou os metafísicos, defendeu o [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] [[lexico:a:artistico:start|artístico]] contra a frieza da [[lexico:r:razao:start|razão]], aceitando para a [[lexico:a:arte:start|arte]] uma [[lexico:j:justificacao:start|justificação]] suficiente da [[lexico:e:existencia:start|existência]], concebendo o [[lexico:u:universo:start|universo]] como a obra de um [[lexico:d:demiurgo:start|demiurgo]] [[lexico:a:artista:start|artista]]. Afirmou a existência de um [[lexico:i:instinto:start|instinto]] poderoso no homem, que o impulsiona à procura da [[lexico:v:verdade:start|verdade]], que o impele à arte; à vitória sobre [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], [[lexico:e:energia:start|energia]] essa que é [[lexico:e:essencia:start|essência]] da vida (Vontade de [[lexico:p:potencia:start|Potência]]), essência que compõe até os átomos que [[lexico:n:nao:start|não]] são mais que partículas de "vontade de potência", o [[lexico:t:todo:start|todo]], e até [[lexico:d:deus:start|Deus]], que ele mesmo define como "Vontade de Potência". O homem, assim como superou o "[[lexico:h:homo-faber:start|homo faber]]", tem de [[lexico:s:superar:start|superar]] o "homo sapiens". O homem é uma ponte para uma super-humanidade de homens, que vencem suas fraquezas e se libertam da [[lexico:t:tirania:start|tirania]] de seus instintos e da razão, para a conquista de uma plena [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]]. É [[lexico:e:esse:start|esse]] o [[lexico:i:ideal:start|ideal]] do super-homem, acessível somente aos que desejam ir além de si mesmo. Esse ideal não é um [[lexico:f:fim:start|fim]]. Nietzsche é dinamista, dialético-trágico. O [[lexico:p:proprio:start|próprio]] super-homem conhecerá superações. Suas contribuições à [[lexico:s:sociologia:start|sociologia]] e à [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] são avultadas, havendo influído decisivamente em toda a concepção [[lexico:e:existencialista:start|existencialista]] [[lexico:m:moderna:start|moderna]] da filosofia, e na obra dos psicologistas profundos, que decorrem de [[lexico:f:freud:start|Freud]], Adler e [[lexico:j:jung:start|Jung]], como de Spengler, [[lexico:s:scheler:start|Scheler]], etc. Sua doutrina, devido ao choque das contradições, oferece [[lexico:c:campo:start|campo]] para interpretações díspares. Há inúmeras exegeses da sua obra e quase todas as correntes ideológicas da [[lexico:a:atualidade:start|atualidade]] disputam a sua doutrina. Nietzsche faleceu nos albores deste século, havendo, porém, em 1888, perdido inteiramente a razão, devido a seus grandes padecimentos. Foi Nietzsche um dos filósofos do século passado de maior nomeada e de pior [[lexico:s:sorte:start|sorte]] intelectual. Durante dezenas de anos falou-se dele longamente, foi lido e comentado e mal compreendido; no [[lexico:g:geral:start|geral]], costumou-se abordá-lo pela superfície, pelo mais brilhante e atrativo de sua obra,. o que nela era literatura — na verdade excelente —, inclusive por seus erros mais graves, porém não se soube desprender de tudo isso o fundo de autêntica filosofia que seus livros encerram. Por esse [[lexico:m:motivo:start|motivo]], ainda hoje, depois de tantos anos de inquieto rumor em torno a sua [[lexico:f:figura:start|figura]], Nietzsche reclama uma [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] adequada e filosófica de seu pensamento. Seu curriculum vitae é bem conhecido: nasce em 1844, estuda [[lexico:f:filologia:start|filologia]] em Bonn e Leipzig; em 1869 é professor dessa [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] em Basileia, onde se intensifica seu contato com Erwin Rohde e Burckhardt; em 1879, sua má saúde obriga-o a deixar sua cátedra e dedicar-se somente a seu [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] de escritor; dez anos depois perde a razão, e morre sem recobrá-la, com o século, em 1900. Sua obra — aforística e dispersa — acusa a [[lexico:i:influencia:start|influência]] de Schopenhauer e de Wagner, e ressente-se de imprecisão, de predomínio artístico sobre o conceitual e [[lexico:s:sistematico:start|sistemático]], de arrebatamentos apaixonados que frequentemente o impelem para o [[lexico:e:erro:start|erro]]; como um exemplo, quando se refere ao cristianismo, que interpretou sempre de um [[lexico:m:modo:start|modo]] torcido, sem sequer suspeitar que algumas de suas [[lexico:i:ideias:start|ideias]] mais valiosas guardavam uma filiação cristã indubitável. Ocupou-se Nietzsche longamente do [[lexico:t:tema:start|tema]] da vida, e suas descobertas nesse campo, embora ainda não utilizadas com [[lexico:p:precisao:start|precisão]] suficiente, foram decisivas. Entre [[lexico:k:kierkegaard:start|Kierkegaard]] e a [[lexico:s:suma:start|suma]] maturidade de [[lexico:d:dilthey:start|Dilthey]], Nietzsche preenche um [[lexico:l:lugar:start|lugar]] insubstituível na história da conquista da [[lexico:r:realidade:start|realidade]] vital, e é isto o que atualmente mais interessa nele. [Marías] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}