===== NEOPLATONISMO ===== O [[lexico:s:sistema-filosofico:start|sistema filosófico]] que nasceu em [[lexico:a:alexandria:start|Alexandria]] no século III d. C. e foi ensinado em diversas escolas até o século VI. "-— Provém de uma junção das influências racionais da [[lexico:g:grecia:start|Grécia]] (pitagóricos, [[lexico:p:platao:start|Platão]]) e das influências místicas de [[lexico:o:origem:start|origem]] hindu e judaica. Seu fundador é Ammonios Saccas; seu principal representante é [[lexico:p:plotino:start|Plotino]]: sua doutrina é uma [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da "[[lexico:e:emanacao:start|emanação]]" que inspirou profundamente a [[lexico:p:patristica:start|patrística]] cristã (doutrina dos Papas do século I ao V), o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] medieval e a [[lexico:c:cabala:start|cabala]]. As teorias do [[lexico:v:verbo:start|verbo]] [[lexico:d:divino:start|divino]], da [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] espiritual, que requerem [[lexico:n:nao:start|não]] apenas [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] mas também a [[lexico:p:participacao:start|participação]] da [[lexico:a:alma:start|alma]], a da [[lexico:v:vontade:start|vontade]] humana como [[lexico:d:desejo:start|desejo]] do [[lexico:b:bem:start|Bem]] e sobretudo a de "Um [[lexico:a:alem:start|além]] do [[lexico:s:ser:start|ser]]" (e não somente um além do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]), fazem dessa doutrina um [[lexico:e:espiritualismo:start|espiritualismo]] muito [[lexico:p:profundo:start|profundo]], que inspiraria [[lexico:s:santo:start|santo]] [[lexico:a:agostinho:start|Agostinho]] e marcaria toda a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] ocidental (dela procede, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], a concepção do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] como "[[lexico:a:atividade:start|atividade]]", que é fundamental em [[lexico:k:kant:start|Kant]], [[lexico:f:fichte:start|Fichte]] e em toda a filosofia reflexiva). O neoplatonismo não é só como o [[lexico:n:nome:start|nome]] indica, uma renovação da filosofia de Platão, mas é um [[lexico:s:sistema:start|sistema]] que, além do pensamento platônico, recolhe com grande vigor especulativo as restantes direções fundamentais da filosofia antiga (com exceção do epicurismo), bem como as [[lexico:i:ideias:start|ideias]] religiosas e místicas, incluindo as orientais. — Fundado por Amonio Saccas, o neoplatonismo foi pela primeira vez exposto por Platino. No cimo do seu sistema coloca Plotino o [[lexico:u:uno:start|uno]], que se ergue por sobre todos os contrários. Uma vez que o [[lexico:e:ente:start|ente]] existe só por sua [[lexico:u:unidade:start|unidade]], o Uno é anterior ao ente. A própria [[lexico:d:denominacao:start|denominação]] "o Uno" deve entender se de [[lexico:f:forma:start|forma]] puramente negativa. Em face de toda a [[lexico:m:multiplicidade:start|multiplicidade]], o Uno é o ser [[lexico:p:primitivo:start|primitivo]], a [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] suprema que, ao produzir aquela, não muda nem perde [[lexico:n:nada:start|nada]] de sua plenitude. A produção do [[lexico:m:multiplo:start|múltiplo]] a partir do Primeiro realiza-se mediante uma "progressão" (ou "[[lexico:p:processao:start|processão]]") de seres. Estes são: a [[lexico:m:mente:start|mente]] ou [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]], a [[lexico:a:alma-do-mundo:start|alma do mundo]] e a [[lexico:m:materia:start|matéria]]. Como esta [[lexico:s:serie:start|série]] é intemporal, o mundo, considerado como um [[lexico:t:todo:start|todo]], é [[lexico:e:eterno:start|eterno]]. O [[lexico:m:movimento:start|movimento]] descendente do [[lexico:u:universo:start|universo]], que procede do [[lexico:s:superior:start|superior]] ao imperfeito, é ateleológico, ao passo que a [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] regressiva para o Primeiro é dominada por uma [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]] que cresce progressivamente, em conformidade cora a [[lexico:c:categoria:start|categoria]] [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]]. A unidade do [[lexico:p:pensar:start|pensar]] e do ser constitui a [[lexico:e:essencia:start|essência]] da mente ([[lexico:n:nous:start|noûs]]). Esta está voltada para o Uno que a produziu. Dele tem seu conteúdo, a [[lexico:s:saber:start|saber]]: as ideias que, não obstante, formam na mente uma multiplicidade, um sistema. Sua elaboração leva às [[lexico:c:categorias:start|categorias]] e números e também à matéria inteligível como [[lexico:s:substrato:start|substrato]] de todas as ideias (formas). — Assim como o Uno produz o noûs, assim este produz a alma, como sua [[lexico:i:imagem:start|imagem]] imperfeita. Indivisível em si, pode, entanto, a alma penetrar no mundo tópico-temporal (por ela criado) e animá-lo, sem que todavia se divida a si mesma, senão dividindo apenas sua [[lexico:a:acao:start|ação]]. Compete à sua [[lexico:n:natureza:start|natureza]] dar origem à matéria [[lexico:s:sensivel:start|sensível]]. Esta não possui nada da natureza do Uno nem do Bem, não sendo portanto capaz de produzir qualquer [[lexico:c:coisa:start|coisa]] ulterior. Ela é trevas, sem [[lexico:o:ordem:start|ordem]] nem forma; é o [[lexico:p:principio:start|princípio]] do [[lexico:m:mal:start|mal]]. A alma, a que aludimos, é a alma do universo ou natureza. As almas individuais estão contidas nela e identificam-se com as ideias que a alma do universo recebe do noûs. O [[lexico:d:destino:start|destino]] da alma consiste em desviar-se do sensível e em voltar-se para o noûs e, por este, regressar ao Uno. Na [[lexico:v:vida:start|vida]] presente isto só raras vezes é [[lexico:p:possivel:start|possível]] e por breves momentos. Todavia a alma já aqui deve pensar em tal [[lexico:r:retorno:start|retorno]], pois que, do contrário, nem quando a [[lexico:m:morte:start|morte]] chegar, estará em condições de o fazer, senão que deverá novamente unir-se a um [[lexico:c:corpo:start|corpo]]. — Visto a missão do [[lexico:h:homem:start|homem]] consistir em tornar-se [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] a [[lexico:d:deus:start|Deus]], as [[lexico:v:virtudes:start|virtudes]] da vida [[lexico:s:social:start|social]] não bastam. Antes, trata-se de desligar a alma da [[lexico:u:uniao:start|união]] maculante com o corpo, mediante a [[lexico:p:purificacao:start|purificação]] ([[lexico:k:katharsis:start|katharsis]]) e de, pela vida no noûs (a [[lexico:t:theoria:start|theoria]] = conhecimento contemplativo), prepará-la para a união com o Uno no [[lexico:e:extase:start|êxtase]]. A doutrina de Plotino é [[lexico:p:panenteismo:start|panenteísmo]]. Mas em seu sistema há também [[lexico:l:lugar:start|lugar]] para o [[lexico:p:politeismo:start|politeísmo]], [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] este que [[lexico:p:porfirio:start|Porfírio]] e Jâmblico acentuaram mais ainda. Este ampliou o sistema plotiniano da tríplice "progressão" (ou "processão"), introduzindo ulteriores tríadas. De [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:i:identico:start|idêntico]] ao Jâmblico procede [[lexico:p:proclo:start|Proclo]], que deu a última forma [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]] ao neoplatonismo. Segundo ele, o homem possui, como base para a união extática, uma [[lexico:p:potencia:start|potência]] anímica superior à [[lexico:r:razao:start|razão]]: o "uno". Juntamente com outros pensadores, atribui ele à alma, além do corpo material, um corpo etéreo ou luminoso incorruptível. — O neoplatonismo foi o [[lexico:u:ultimo:start|último]] grande sistema da filosofia antiga. Influiu grandemente na [[lexico:f:filosofia-patristica:start|filosofia patrística]] ( filosofia patrística ) e na [[lexico:m:mistica:start|mística]] cristã, persistindo seu [[lexico:i:influxo:start|influxo]] até na [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]]. — [[lexico:b:brugger:start|Brugger]]. (in. Neo-Platonism; fr. Néo-platonisme; al. Neuplatonismus; it. Neoplatonismó). [[lexico:e:escola:start|escola]] filosófica fundada em Alexandria por Amônio Saccas no séc. II d.C., cujos maiores representantes são Plotino, Jâmblico e Proclos. O neoplatonismo é uma escolástica, ou seja, a utilização da [[lexico:f:filosofia-platonica:start|filosofia platônica]] (filtrada através do [[lexico:n:neopitagorismo:start|neopitagorismo]], do [[lexico:p:platonismo:start|platonismo]] médio e de Fílon) para a defesa de verdades religiosas reveladas ao homem ab antiquo e que podiam ser redescobertas na intimidade da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]]. Os fundamentos do neoplatonismo são os seguintes: 1) [[lexico:c:carater:start|caráter]] de [[lexico:r:revelacao:start|revelação]] da [[lexico:v:verdade:start|verdade]], que, portanto, é de natureza religiosa e se manifesta nas instituições religiosas existentes e na [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] do homem sobre si [[lexico:p:proprio:start|próprio]]; 2) caráter [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] da [[lexico:t:transcendencia:start|transcendência]] divina: Deus, visto como o Bem, está além de qualquer [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] cognoscível e é julgado [[lexico:i:inefavel:start|inefável]]; 3) teoria da emanação, ou seja, todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] existentes derivam necessariamente de Deus e vão-se tornando cada vez menos perfeitas à [[lexico:m:medida:start|medida]] que se afastam d’Ele; consequentemente o mundo inteligível (Deus, [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]] e Alma do mundo) é distinto do mundo sensível (ou material), que é uma imagem ou [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] do [[lexico:o:outro:start|outro]]; 4) retorno do mundo a Deus através do homem e de sua progressiva interiorização, até o [[lexico:p:ponto:start|ponto]] do êxtase, que é a união com Deus. No neoplatonismo costumam ser distinguidas as seguintes escolas: Siríaca, fundada por Jâmblico; de Pérgamo, à qual pertencem, entre outros, o imperador Juliano, [[lexico:c:chamado:start|chamado]] o Apóstata; de Atenas, cujo maior representante foi Proclos. Mas a [[lexico:i:influencia:start|influência]] das doutrinas fundamentais do neoplatonismo sobre muitas correntes do [[lexico:p:pensamento-filosofico:start|pensamento filosófico]] foram e continuam sendo profundas. O "platonismo" do [[lexico:r:renascimento:start|Renascimento]] na [[lexico:r:realidade:start|realidade]] é um neoplatonismo que repete, com algumas variações, as teses acima expostas. As variações que caracterizam o [[lexico:n:neoplatonismo-renascentista:start|neoplatonismo renascentista]] (de Cusa, [[lexico:p:pico-della-mirandola:start|Pico della Mirandola]] e Ficino) são relativas à maior importância atribuída ao homem e à sua [[lexico:f:funcao:start|função]] no mundo, de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com o espírito [[lexico:g:geral:start|geral]] do Renascimento . O neoplatonismo inglês, ao contrário, é uma forma de [[lexico:r:racionalismo:start|racionalismo]] [[lexico:r:religioso:start|religioso]] que floresceu na escola de Cambridge no séc. XVII (Cudworth, Moore, Whichcote, Smith, Culverwel): por um lado, opõe-se ao [[lexico:m:materialismo:start|materialismo]] de [[lexico:h:hobbes:start|Hobbes]] e, por outro, sustenta que as ideias fundamentais da [[lexico:r:religiao:start|religião]] foram impressas diretamente por Deus na razão e no intelecto do homem, e por isso precedem o conhecimento [[lexico:e:empirico:start|empírico]] das coisas naturais. Mas mesmo no neoplatonismo inglês são muitos os temas do Renascimento, especialmente de Ficino. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}