===== NEOCRITICISMO ===== (in. Neo-Criticism; fr. Néocriticisme, al. Neukantianismus; it. Neo-criticísmó). [[lexico:m:movimento:start|movimento]] de "[[lexico:r:retorno:start|retorno]] a [[lexico:k:kant:start|Kant]]" iniciado na Alemanha em meados do século passado e que deu [[lexico:o:origem:start|origem]] a algumas das mais importantes manifestações da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] contemporânea. As características comuns de todas as correntes do neocriticismo são as seguintes: 1) [[lexico:n:negacao:start|negação]] da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] e [[lexico:r:reducao:start|redução]] da filosofia a [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] sobre a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]], vale dizer, a [[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]]; 2) [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre o [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]] e o aspecto lógico-objetivo do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]], em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] da qual a [[lexico:v:validade:start|validade]] de um conhecimento é completamente [[lexico:i:independente:start|independente]] do [[lexico:m:modo:start|modo]] como ele é psicologicamente [[lexico:a:adquirido:start|adquirido]] ou conservado; 3) tentativa de partir das estruturas da ciência, tanto da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] quanto do [[lexico:e:espirito:start|espírito]], para chegar às estruturas do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] que a possibilitariam. Na Alemanha, a corrente neocriticista foi constituída pelas seguintes escolas: 1) de Marburgo (Marburger Schule), à qual pertenceram F. A. Lange, H. [[lexico:c:cohen:start|Cohen]], P. [[lexico:n:natorp:start|Natorp]], E. [[lexico:c:cassirer:start|Cassirer]], e à qual também se liga, em [[lexico:p:parte:start|parte]], Nicolai [[lexico:h:hartmann:start|Hartmann]]; 2) de Baden (Badische Schulé), fundada por W. [[lexico:w:windelband:start|Windelband]] e H. [[lexico:r:rickert:start|Rickert]], 3) [[lexico:h:historicismo-alemao:start|historicismo alemão]], com G. [[lexico:s:simmel:start|Simmel]], G. [[lexico:d:dilthey:start|Dilthey]], E. [[lexico:t:troeltsch:start|Troeltsch]], etc. Esta última [[lexico:e:escola:start|escola]] formulou o [[lexico:p:problema:start|problema]] da [[lexico:h:historia:start|história]] analogamente ao modo como as outras escolas kantianas formulavam o problema da [[lexico:c:ciencia-natural:start|ciência natural]] (v. [[lexico:h:historicismo:start|historicismo]]). Fora da Alemanha, vinculam-se à corrente neocriticista C. [[lexico:r:renouvier:start|Renouvier]] e L. [[lexico:b:brunschvicg:start|Brunschvicg]], na França, S. H. Hodgson e R. Adamson, na Inglaterra, e Banfi na Itália. Ou [[lexico:n:neokantismo:start|neokantismo]], movimento filosófico proveniente de Kant (nascido na Alemanha por volta de 1860) e que se desenvolveu até aproximadamente 1914. — Agrupa numerosas escolas: fisiologista (com Helmholtz, F. A. Lange), metafísica (com Liebmann, J. [[lexico:v:volkelt:start|Volkelt]]), realista (com A. Riehl), relativista e positivista (com H. Cornelius), principalmente a [[lexico:e:escola-de-marburgo:start|escola de Marburgo]], ou escola [[lexico:l:logica:start|lógica]] (com H. Cohen, P. Natorp, E. Cassirer, A. Lieber), e a [[lexico:e:escola-de-baden:start|escola de Baden]], ou escola axiológica (com Windelband, Rickert, [[lexico:l:lask:start|Lask]]). É [[lexico:n:necessario:start|necessário]] distinguir o "neokantismo" do "[[lexico:p:pos-kantismo:start|pós-kantismo]]", que lhe é [[lexico:b:bem:start|Bem]] anterior ([[lexico:f:fichte:start|Fichte]], [[lexico:s:schelling:start|Schelling]], [[lexico:h:hegel:start|Hegel]]); o neokantismo é, ele [[lexico:p:proprio:start|próprio]], proveniente de uma [[lexico:r:reacao:start|reação]] contra a "metafísica" pós-kantiana; apresenta-se como um "retorno a Kant", à [[lexico:t:teoria:start|teoria]] das ciências positivas ([[lexico:e:epistemologia:start|epistemologia]]) e a uma [[lexico:m:moral:start|moral]] baseada no [[lexico:d:dever:start|dever]] (e [[lexico:n:nao:start|não]] na inspiração): define-se como uma filosofia "rigorosa e [[lexico:m:metodica:start|metódica]]", que se situa entre a metafísica especulativa e o [[lexico:e:empirismo:start|empirismo]] [[lexico:p:puro:start|puro]] e [[lexico:s:simples:start|simples]]. Por volta de meados do século XIX, sobretudo na Alemanha, assistiu-se à retomada [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]] da filosofia kantiana, no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] preciso de reflexão sobre os fundamentos, os métodos e os limites da ciência. E, posteriormente, essa retomada levaria à ampliação dos âmbitos de exercício da reflexão [[lexico:c:critica:start|crítica]], que não se limitariam mais ao [[lexico:c:campo:start|campo]] da ciência, mas abrangeriam também outros produtos da [[lexico:a:atividade:start|atividade]] humana, como a história e a moral e, depois, a [[lexico:a:arte:start|arte]], o [[lexico:m:mito:start|mito]], a [[lexico:r:religiao:start|religião]], a [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]]. Da mesma [[lexico:f:forma:start|forma]] que o [[lexico:e:espiritualismo:start|espiritualismo]], o [[lexico:c:criticismo:start|criticismo]] pretende combater o [[lexico:f:fetichismo:start|fetichismo]] positivista do "[[lexico:f:fato:start|fato]]" e a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] da ciência metafisicamente absoluta. Entretanto, o neocriticismo é contrário a qualquer metafísica, tanto de [[lexico:t:tipo:start|tipo]] espiritualista como idealista. E, igualmente, é avesso a toda redução da filosofia à ciência empírica (trate-se da [[lexico:f:fisiologia:start|fisiologia]] ou da [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]]), à [[lexico:t:teologia:start|teologia]] ou à metafísica. Para o neocriticismo, a filosofia deve voltar a [[lexico:s:ser:start|ser]] o que era com Kant: [[lexico:a:analise:start|análise]] das condições de validade da ciência e dos outros produtos humanos, como a moral, a arte ou a religião. Assim, só para exemplificar, ao neokantiano não interessam as situações de fato (psicológicas, institucionais ou econômicas) que podem se entrelaçar com a produção e a difusão de uma teoria científica: só lhe interessa a validade da teoria, isto é, as condições dessa validade. Igualmente ocorre em [[lexico:r:relacao:start|relação]] à [[lexico:n:norma:start|norma]] moral ou jurídica ou ao [[lexico:p:produto:start|produto]] [[lexico:a:artistico:start|artístico]]: em que condições é válida a norma? Em que condições é bela esta ou aquela pintura? Assim, o [[lexico:o:objeto:start|objeto]] da filosofia crítica não está nas questões factuais ("[[lexico:q:quid:start|quid]] facti?"), mas sim nas questões de [[lexico:d:direito:start|direito]] ("quid juris?"), questões, repetimos, de validade. Desse modo, está clara a [[lexico:r:razao:start|razão]] pela qual os neokantianos propõem uma filosofia dominada por problemas gnosiológicos ao invés de problemas empírico-factuais ou [[lexico:e:enigmas:start|enigmas]] metafísicos. O neocriticismo exclui e combate o factualismo positivista, a metafísica idealista do espírito e a consideração religiosa dos espiritualistas. Tampouco devemos esquecer que os neokantianos tiveram [[lexico:a:atitude:start|atitude]] crítica em relação à "metafísica" marxista (basta [[lexico:p:pensar:start|pensar]] em Windelband ou em Rickert) e que alguns deles (Cohen, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]]) tornaram-se propugnadores do [[lexico:s:socialismo:start|socialismo]] visto não como resultado do [[lexico:m:materialismo-dialetico:start|materialismo dialético]], e sim muito mais baseado no [[lexico:i:imperativo:start|imperativo]] moral que ordena tratar a [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]], em si e nos outros, sempre como [[lexico:f:fim:start|fim]] e nunca como [[lexico:m:meio:start|meio]]. Perguntava-se Cohen: "[[lexico:c:como-se:start|como se]] concilia a [[lexico:d:dignidade:start|dignidade]] da [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]] com o fato de que o [[lexico:v:valor:start|valor]] do [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] seja determinado pelo mercado, como o de uma [[lexico:m:mercadoria:start|mercadoria]]?" Por essa razão, Cohen e outros neokantianos configuraram-se como [[lexico:g:grupo:start|grupo]] de socialistas não-marxistas. Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, durante a Segunda Internacional, [[lexico:t:todo:start|todo]] um grupo de pensadores marxistas (Adler e, com ele, os austromarxistas, mas também outros), assumindo seriamente os resultados mais importantes da filosofia neokantiana, dariam [[lexico:v:vida:start|vida]] a uma das mais vivas, interessantes e promissoras correntes revisionistas e reformistas no seio da [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] marxista. Na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], inclusive no período de hegemonia do [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]], a tradição kantiana nunca havia desaparecido inteiramente na Alemanha. Entretanto, em 1865, [[lexico:o:otto:start|Otto]] Liebmann (1840-1912) publicou um livro, Kant e os epígonos, onde examinava as [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] orientações da [[lexico:f:filosofia-alema:start|filosofia alemã]] pós-kantiana (o idealismo de Fichte, Schelling e Hegel; o [[lexico:r:realismo:start|realismo]] de [[lexico:h:herbart:start|Herbart]]; o empirismo de Fries; as concepções de [[lexico:s:schopenhauer:start|Schopenhauer]]) e, ao término da análise de cada uma dessas orientações, concluía com o [[lexico:l:lema:start|lema]]: "Devemos, portanto, retornar a Kant". Por sua própria conta, já retornara a Kant o grande cientista Hermann Helmholtz (1821-1894), que, com base em estudos de fisiologia e de [[lexico:f:fisica:start|física]] (Sobre a vista humana, 1855; Doutrina das sensações sonoras, 1863; Os fatos da [[lexico:p:percepcao:start|percepção]], 1879), chegara à [[lexico:t:tese:start|tese]] segundo a qual a nossa [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] fisiopsíquica é uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de [[lexico:a:a-priori:start|a priori]] kantiano. Para Helmholtz, as sensações (sonoras ou luminosas) são sinais que forças externas produzem sobre os nossos órgãos dos sentidos. Esses sinais não são cópias ou representações das [[lexico:c:coisas:start|coisas]], e sim têm alguma relação com as coisas, no sentido de que o mesmo objeto, na mesma [[lexico:s:situacao:start|situação]], produz o mesmo [[lexico:s:sinal:start|sinal]]. Também chegaram autonomamente ao criticismo Friedrich [[lexico:a:albert:start|Albert]] Lange (1828-1875), autor de uma História do [[lexico:m:materialismo:start|materialismo]] (1866), e Alois Riehl (1844-1924), autor de O criticismo filosófico e seu [[lexico:s:significado:start|significado]] para a ciência positiva (1876-1887). Os dois centros de elaboração do neocriticismo foram Marburgo, com Cohen e Natorp, ao qual se liga Cassirer, e Heidelberga, com Windelband e Rickert. Entretanto, não devemos deixar em [[lexico:s:silencio:start|silêncio]] o fato de que, embora tenha alcançado na Alemanha os seus resultados mais significativos, o neocriticismo não foi uma filosofia somente alemã. Na Inglaterra, o neokantismo foi desenvolvido por S.H. Hodgson(1832-1912), Robert Adamson(1852-1902)e Geoerge D. Hicks (1862-1941). Na Itália, foi Antônio Banfi (1886-1957) [[lexico:q:quem:start|quem]] adotou as teses do neocriticismo, juntamente com outras instâncias (como a da filosofia de Simmel e, depois, do [[lexico:m:marxismo:start|marxismo]]). Mas, antes de Banfi, já haviam retornado a Kant também Carlos Cantoni (1840-1906) e Félix Tocco (1845-1911), [[lexico:a:alem:start|além]] de Francisco Fiorentino (1834-1884) e Tiago Barzellotti (1844-1917). Foi notável e influente a [[lexico:p:presenca:start|presença]] do neocriticismo na França. Aqui, basta mencionar Carlos Renouvier (1815-1903), para quem o [[lexico:u:unico:start|único]] fim da filosofia está no estabelecimento de leis gerais e dos limites do conhecimento; Otávio [[lexico:h:hamelin:start|Hamelin]] (1856-1941), que, na [[lexico:o:obra:start|obra]] O [[lexico:i:idealismo-contemporaneo:start|idealismo contemporâneo]] (1905), fez [[lexico:q:questao:start|questão]] de sustentar que não cabe à filosofia aumentar a [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] do [[lexico:s:saber:start|saber]], já que a filosofia [[lexico:n:nada:start|nada]] mais faz do que refletir sobre a [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] do saber. E, como o saber [[lexico:h:humano:start|humano]] está em [[lexico:c:continuo:start|contínuo]] [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] [[lexico:h:historico:start|histórico]], então, afirma Brunschvicg, a história do saber humano é "o laboratório da filosofia". {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}