===== NECESSIDADES DA VIDA ===== O tradicional [[lexico:r:ressentimento|ressentimento]] do [[lexico:f:filosofo|filósofo]] contra a [[lexico:c:condicao-humana|condição humana]] de possuir um [[lexico:c:corpo|corpo]] [[lexico:n:nao|não]] é a mesma [[lexico:c:coisa|coisa]] que o antigo desdém em [[lexico:r:relacao|relação]] às [[lexico:n:necessidades-da-vida|necessidades da vida]]; a sujeição à [[lexico:n:necessidade|necessidade]] era apenas um dos aspectos da [[lexico:e:existencia|existência]] corpórea, e uma vez libertado desta necessidade o corpo era capaz daquela [[lexico:a:aparencia|aparência]] pura que os gregos chamavam de [[lexico:b:beleza|beleza]]. Depois de [[lexico:p:platao|Platão]], os filósofos acrescentaram ao ressentimento de serem forçados por necessidades corporais o ressentimento contra qualquer [[lexico:t:tipo|tipo]] de movimentação. É por [[lexico:v:viver|viver]] em completa [[lexico:q:quietude|quietude]] que somente o corpo do filósofo habita a [[lexico:c:cidade|cidade]], segundo Platão. É esta também a [[lexico:o:origem|origem]] da acusação de «abelhudice» (poly-prugmosyne) dirigida àqueles que passam a [[lexico:v:vida|vida]] a cuidar da [[lexico:p:politica|política]]. (...) [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] é bastante [[lexico:e:explicito|explícito]] quanto à conexão entre a [[lexico:v:vita-activa|vita activa]] e as necessidades e carências do corpo [[lexico:h:humano|humano]], que os homens e os animais têm em comum (Summa theologica. ii.2. 182. 1). (...) Tomás de Aquino ressalta a quietude da [[lexico:a:alma|alma]], e recomenda a vita activa porque ela esgota e, portanto, «arrefece as paixões interiores» e prepara o [[lexico:h:homem|homem]] para a [[lexico:c:contemplacao|contemplação]] (Summa theologica ii.2 182. 3).