===== NATUREZA HUMANA ===== O [[lexico:p:problema|problema]] da [[lexico:n:natureza-humana|natureza humana]], a [[lexico:q:quaestio|quaestio]] mihi factus sum (“a [[lexico:q:questao|questão]] que me tornei para mim mesmo”) de [[lexico:a:agostinho|Agostinho]], parece insolúvel, tanto em seu [[lexico:s:sentido|sentido]] [[lexico:p:psicologico|psicológico]] individual como em seu sentido filosófico [[lexico:g:geral|geral]]. É altamente improvável que nós, que podemos conhecer, determinar e definir as [[lexico:e:essencias|essências]] naturais de todas as [[lexico:c:coisas|coisas]] que nos rodeiam e que [[lexico:n:nao|não]] somos, sejamos capazes de fazer o mesmo a nosso [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:r:respeito|respeito]]: seria como pular sobre nossas próprias sombras. [[lexico:a:alem|Além]] disso, [[lexico:n:nada|nada]] nos autoriza a presumir que o [[lexico:h:homem|homem]] tenha uma [[lexico:n:natureza|natureza]] ou [[lexico:e:essencia|essência]] no mesmo sentido em que as outras coisas têm. Em outras [[lexico:p:palavras|palavras]], se temos uma natureza ou essência, então certamente só um [[lexico:d:deus|Deus]] poderia conhecê-la e defini-la, e a primeira precondição é que ele pudesse [[lexico:f:falar|falar]] de um “[[lexico:q:quem|quem]]” [[lexico:c:como-se|como se]] fosse um “quê” [quê sou?]. A [[lexico:p:perplexidade|perplexidade]] decorre do [[lexico:f:fato|fato]] de as formas de cognição humana aplicáveis às coisas dotadas de qualidades “naturais” – inclusive nós mesmos, na [[lexico:m:medida|medida]] limitada em que somos exemplares da [[lexico:e:especie|espécie]] de [[lexico:v:vida|vida]] orgânica mais altamente desenvolvida – de nada nos valerem quando levantamos a [[lexico:p:pergunta|pergunta]]: e quem somos nós? É por isso que as tentativas de definir natureza humana resultam quase invariavelmente na construção de alguma [[lexico:d:deidade|deidade]], isto é, no deus dos filósofos que, desde [[lexico:p:platao|Platão]], revela-se, em um exame mais acurado, como uma espécie de [[lexico:i:ideia|ideia]] platônica do homem. Naturalmente, desmascarar tais [[lexico:c:conceitos|conceitos]] filosóficos do [[lexico:d:divino|divino]] como conceitualizações das capacidades e qualidades humanas não é uma [[lexico:d:demonstracao|demonstração]] da não-existência de Deus, e nem mesmo constitui [[lexico:a:argumento|argumento]] nesse sentido; mas o fato de que as tentativas de definir a natureza do homem levam tão facilmente a uma ideia que nos parece definitivamente “sobre-humana” , e é, portanto, identificada com o divino, pode lançar suspeitas sobre o próprio [[lexico:c:conceito|conceito]] de “natureza humana”.