===== NATUREZA DA QUANTIDADE ===== O [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:t:termo:start|termo]] [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] evoca imediatamente em nossos [[lexico:e:espiritos:start|espíritos]] uma [[lexico:m:multidao:start|multidão]] de objetas, ou a [[lexico:e:extensao:start|extensão]] própria a cada um deles: [[lexico:t:todo:start|todo]] um conjunto de propriedades, [[lexico:d:divisibilidade:start|divisibilidade]], mensurabilidade, [[lexico:l:localizacao:start|localização]], etc., ligando-se a esta primeira [[lexico:p:percepcao:start|percepção]]. Qual desses aspectos exprime mais formalmente a [[lexico:e:essencia:start|essência]] mesma da quantidade? Para [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], é o [[lexico:f:fato:start|fato]] de constituir um todo divisível em partes intrínsecas distintas. S. Tomás dirá (loc. cit.) : "quantum dicitur [[lexico:q:quod:start|quod]] est divisibile in ea quae insunt", e precisa que a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] dos [[lexico:e:elementos:start|elementos]] que [[lexico:n:nao:start|não]] existem, senão virtualmente no misto, e diferentemente das, partes essenciais, [[lexico:m:materia-e-forma:start|matéria e forma]], que são incapazes de [[lexico:t:ter:start|ter]] uma [[lexico:e:existencia:start|existência]] isolada, as partes da quantidade são, como tais, aptas a constituir, verdadeiras [[lexico:c:coisas:start|coisas]]. São, dir-se-á em [[lexico:l:logica:start|lógica]], partes integrantes. Os comentadores de S. Tomás, João de S. Tomás por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], para definir a quantidade colocam primeiramente o fato de ordenar ou desenvolver as partes relativamente ao todo: a quantidade é assim o que dá à [[lexico:s:substancia:start|substância]] o ter partes exteriores umas às outras segundo certa [[lexico:o:ordem:start|ordem]]. A concepção precedente, esta acrescenta a [[lexico:p:precisao:start|precisão]] de uma [[lexico:s:situacao:start|situação]] relativa das partes com [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao todo; no fundo as duas definições redundam no mesmo. A concepção de quantidade como ordem de partes se acrescenta imediatamente a [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]], já assinalada, de divisibilidade, e devido ao fato de serem homogêneas estas partes, a de mensurabilidade. Refletindo sobre as condições da quantidade, tais como nos aparece no [[lexico:m:misterio:start|mistério]] da Eucaristia, onde o [[lexico:c:corpo:start|corpo]] de Cristo é contido sob as espécies do pão com sua quantidade própria, os teólogos vieram a distinguir da ordenação interna das partes da quantidade sua ordenação relacionada aos corpos envolventes, o que se chama sua extensão externa ou espacial. No mistério precedente, é esta última propriedade que se acha miraculosamente privada de seu [[lexico:e:efeito:start|efeito]]: o Corpo de Cristo tem ainda, sob a hóstia, suas partes integrantes distintas, mas elas não se relacionam mais a outros corpos, como um [[lexico:l:lugar:start|lugar]]. O fato de serem, na [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] comum, localizadas, ou de ocuparem um lugar, possibilita enfim para as partes da quantidade a prerrogativa de serem impenetráveis: de [[lexico:p:potencia:start|potência]] [[lexico:n:natural:start|natural]], um mesmo lugar não pode [[lexico:s:ser:start|ser]] simultâneamente ocupado por dois corpos. Duas grandes formas de quantidade se nos apresentam espontâneamente: a quantidade de extensão ou de [[lexico:g:grandeza:start|grandeza]] dimensível, e o [[lexico:n:numero:start|número]]. A [[lexico:d:distincao:start|distinção]] muito antiga das disciplinas matemáticas fundamentais, [[lexico:g:geometria:start|geometria]] e [[lexico:a:aritmetica:start|aritmética]], apenas transporta para o [[lexico:p:plano:start|plano]] científico esta percepção de [[lexico:s:senso-comum:start|senso comum]]. Nós a reencontramos no peripatetismo, mas aprofundada pela diferença [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] da continuidade. A quantidade dimensível é então denominada quantidade contínua ou "concreta", e a quantidade de multidão, quantidade descontínua ou "discreta". Para Aristóteles, o [[lexico:c:continuo:start|contínuo]] é uma [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] na qual as partes não somente se tocam ([[lexico:s:simples:start|simples]] contiguidade) mas também se confundem. A quantidade concreta será portanto aquela na qual as partes não estão atualmente separadas, ou são contínuas "quod est divisibile in partes continuas". Assim uma linha é divisível em porções de linha na qual as partes estão atualmente confundidas. No interior da quantidade concreta deve-se distinguir: o contínuo simultâneo, linha, superfície, volume, que pertencem [[lexico:p:por-si:start|por si]] ao [[lexico:p:predicamento:start|predicamento]] quantidade, e o contínuo sucessivo, [[lexico:m:movimento:start|movimento]], [[lexico:t:tempo:start|tempo]], que não é quantidade senão de maneira derivada, em [[lexico:r:razao:start|razão]] de seu [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]], o corpo aumentado ao qual ele implica necessariamente grandeza. A quantidade discreta é o número, quer dizer a quantidade que pode ser dividida em partes não contínuas: "quod est divisibile secundum potentiam in partes non continuas". O número ele próprio não pode ser considerado absolutamente, fazendo-se [[lexico:a:abstracao:start|abstração]] das coisas, contadas, 10 por exemplo, no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]]: nomeia-se o número numerante; a coleção mesma dos objetos que se conta, 10 homens, chama-se o número numerado. O número é constituído de seus elementos últimos e irredutíveis de unidades, e ele é medido pela [[lexico:u:unidade:start|unidade]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}