===== NARCISO ===== Os [[lexico:d:deuses|deuses]], para punir-lhe o [[lexico:o:orgulho|orgulho]] inflexível e o [[lexico:c:coracao|coração]] empedernido, despertaram-lhe uma [[lexico:p:paixao|paixão]] estranha. Conta-se que uma vez, para descansar das fadigas do dia e dos tórridos calores do verão, Narciso foi sentar-se [[lexico:p:proximo|próximo]] a uma [[lexico:f:fonte|fonte]], tão transparente e tão calma, que suas águas eram polidas como um espelho. As árvores que, defendendo seu frescor do [[lexico:f:fogo|fogo]] do [[lexico:s:sol|sol]], nela refletiam suas folhas, e os delicados ramos de relva que engrinaldavam as margens trançavam sobre a água prateada uma dupla coroa. Nesse ínterim, como sentisse sede, Narciso deitou-se na relva, debruçou-se sobre a fonte e vislumbrou sua [[lexico:i:imagem|imagem]] refletida nas límpidas águas. Alucinado por essa [[lexico:v:visao|visão]], imobilizou-se diante dela e contemplou, como em [[lexico:e:extase|êxtase]] amoroso, os encantos que o haviam feito tantas vezes admirado. [[lexico:n:nada|nada]] conseguia arrancá-lo ao seu [[lexico:p:proprio|próprio]] olhar. Pouco a pouco, porém, como gota de orvalho ao Sol, viu apagar-se e fundir-se as rosas de sua cútis. Quando o fogo secreto, que o crestava por um [[lexico:f:fantasma|fantasma]] inconsistente, tinha-o consumido, as Náiades, suas irmãs, choraram-no e cortaram os cabelos para colocá-los sobre seu túmulo. Depois, tendo preparado uma fogueira, quiseram levar o cadáver, mas encontraram em seu [[lexico:l:lugar|lugar]] apenas uma flor amarela e branca, que ainda conserva o seu [[lexico:n:nome|nome]]. [Mário Meunier]