===== NADA ===== O [[lexico:n:nao-ser:start|não-ser]]. Designa mais um não-ser no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]] do que um não-ser [[lexico:f:fisico:start|físico]] (o [[lexico:v:vazio:start|vazio]]): na [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] hindu, o nada ou "[[lexico:n:nirvana:start|nirvana]]" designa o [[lexico:e:estado:start|Estado]] de [[lexico:a:apatia:start|apatia]] que o [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] alcança quando se livrou de [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:d:desejo:start|desejo]], de toda [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] à [[lexico:a:acao:start|ação]]. A filosofia [[lexico:e:existencialista:start|existencialista]], inspirando-se na de [[lexico:h:hegel:start|Hegel]], devolveu à [[lexico:n:nocao:start|noção]] do nada um papel fundamental: o nada seria experimentado na [[lexico:a:angustia:start|angústia]] da [[lexico:m:morte:start|morte]]; [[lexico:s:sartre:start|Sartre]] (em O [[lexico:s:ser-e-o-nada:start|Ser e o Nada]], 1948) identificou a [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] do nada à da [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]], pela qual recusamos nosso estado e decidimos "[[lexico:n:nao:start|não]] mais [[lexico:s:ser:start|ser]] o que somos": o nada experimentado na experiência da [[lexico:n:negacao:start|negação]], na da [[lexico:a:ausencia:start|ausência]] ou na do fracasso. Mas são ainda as análises de Hegel, na [[lexico:f:fenomenologia-do-espirito:start|fenomenologia do espírito]], as mais sugestivas: o nada seria sentido na experiência da angústia em que o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] se torna "totalmente fluido", em que o indivíduo se aniquila numa [[lexico:i:impressao:start|impressão]] de [[lexico:q:queda:start|Queda]] e vertigem infinitas. Essa experiência seria precisamente a do condenado à morte (e, na [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]], a do [[lexico:e:escravo:start|escravo]], que poderia ser condenado à morte a qualquer [[lexico:m:momento:start|momento]] por seu amo). — De maneira [[lexico:g:geral:start|geral]], dizemos que a noção do "nada" só pode [[lexico:t:ter:start|ter]] sentido quando se trata de um "nada [[lexico:r:relativo:start|relativo]]", experimentado na experiência da ausência, da passagem das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] e de qualquer [[lexico:f:forma:start|forma]] de aniquilamento. A [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de um "nada [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]]" só poderia ser uma ausência absoluta de ideia. [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] "[[lexico:z:zero:start|zero]]" de um [[lexico:o:objeto:start|objeto]] suscetível de aumentar e de diminuir. Para designar [[lexico:e:esse:start|esse]] estado de coisas, dizemos que o respectivo objeto "não é". Porém, há uma [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] marcada entre "não ser" uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] e ser "nada" dela. Assim o frio "não é" calor, contudo não é por isso "nada" de calor, porque o frio só representa um [[lexico:g:grau:start|grau]] reduzido de [[lexico:m:movimento:start|movimento]] molecular que, pela mera intensificação desse mesmo movimento, passa a ser calor. Esse movimento reduzido (frio), pois "não é" calor, não é porém um "nada" de calor. Igualmente, como diz [[lexico:p:pascal:start|Pascal]], uma casa "não é" uma [[lexico:c:cidade:start|cidade]]; contudo não é um "nada" de cidade, porque é uma das mil casas que constituem a cidade. [[lexico:a:alem:start|Além]] dessa acepção puramente quantitativa, o [[lexico:p:problema:start|problema]] do nada é basilar e dos mais intrincados da filosofia. Há, em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], o problema do nada no sentido cosmológico da [[lexico:e:existencia:start|existência]] de um [[lexico:v:vacuo:start|vácuo]], de [[lexico:e:espaco:start|espaço]] vazio, cuja [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] já fora rejeitada pela maioria das escolas gregas, o que foi reforçado pelas teorias modernas. Do problema cosmológico do nada resulta um problema metafísico, no momento em que as coisas do mundo visível são reconhecidas como transitórias e não eternas, de maneira que antes de existirem eram nada. Ora, é uma [[lexico:a:atitude:start|atitude]] [[lexico:t:tipica:start|típica]] do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] [[lexico:g:grego:start|grego]] conceber as coisas não existentes não como nada, mas como "encontrando-se no nada". Isso implica ainda que inconscientemente uma valoração positiva do nada, que aparece como um segundo mundo, menos [[lexico:s:substancial:start|substancial]], o mundo da não-existência, mas que de qualquer maneira não deixa de ser algo. Assim [[lexico:p:platao:start|Platão]] ao lado do seu mundo [[lexico:r:real:start|real]] das [[lexico:i:ideias:start|ideias]], admite um [[lexico:o:outro:start|outro]] mundo do não-ser (mé on), como matriz da qual as [[lexico:c:coisas-reais:start|coisas reais]] são criadas. Em [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] do nada se prende ao conceito da potencialidade. Visto que tudo passa do estado potencial para o de uma forma de quase-subsistência, e as coisas potenciais são e não são ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]]. Simultaneamente o [[lexico:f:fato:start|fato]] de que certas coisas potenciais não cheguem à atualização, conduz à ideia de [[lexico:p:privacao:start|privação]] e imperfeição. O problema do nada como imperfeição, como [[lexico:f:falta:start|falta]] de uma coisa que devia ter lugar, ocupou particularmente os neoplatônicos que converteram o problema metafísico em um problema ético. O não-ser, como privação aderente ao ser do mundo físico, reduz as manifestações desse mundo a um grau inferior do ser, e é ao mesmo tempo a [[lexico:c:causa:start|causa]] do [[lexico:m:mal:start|mal]]. No mesmo sentido a [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]] que equipara "ser" e "[[lexico:b:bem:start|Bem]]" ([[lexico:e:ens:start|ens]] et bonum convertuntur) define o mal como um defeito, privação, falta do bem (defectus bonis). Nesse sentido ético o nada aparece como [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] absoluta e negação peremptória do ser e não aceita, como nas várias acepções metafísicas e cosmológicas, uma [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] de qualquer maneira positiva, como a encontramos em pensadores medievais que até chegam a declarar que, desde que [[lexico:d:deus:start|Deus]] criou o mundo do nada, o nada pertence à [[lexico:e:essencia:start|essência]] de Deus. O [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista aristotélico foi retomado e desenvolvido por Hegel, que considera o [[lexico:d:dever:start|dever]] como a última e absoluta [[lexico:r:realidade:start|realidade]], um fator [[lexico:n:negativo:start|negativo]] é tão [[lexico:n:necessario:start|necessário]] como o [[lexico:p:positivo:start|positivo]]. A proclamação hegeliana da [[lexico:i:identidade:start|identidade]] do ser e do não-ser tenta resolver o problema de maneira muito peculiar. Outros pensadores, muito longe de tal identificação dos extremos mais opostos que se podem imaginar, trataram de esclarecer a ideia do "nada absoluto" em sua mais rigorosa acepção. Enquanto alguns afirmam a possibilidade de tal ideia, outros a rejeitam por razões semelhantes àquelas que [[lexico:b:bergson:start|Bergson]] formula na [[lexico:o:observacao:start|observação]] seguinte: "A ideia do nada absoluto, compreendida no sentido de uma abolição de tudo, é uma ideia que destrói a si mesma, uma pseudo-ideia, uma [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:p:palavra:start|palavra]]. Se suprimir [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] consiste em substitui-la por uma outra, se [[lexico:p:pensar:start|pensar]] a ausência de uma coisa só é [[lexico:p:possivel:start|possível]] pela [[lexico:r:representacao:start|representação]] mais ou menos explícita da [[lexico:p:presenca:start|presença]] de qualquer outra coisa, a ideia de uma abolição de tudo é tão absurda como a de um [[lexico:c:circulo:start|círculo]] quadrado. Há mais, e não menos, na ideia de um objeto concebido como ‘existente’ , porque a ideia do objeto ‘não existente’ é necessariamente a ideia do objeto existente, aumentada pela representação de uma exclusão desse objeto da realidade [[lexico:a:atual:start|atual]] tomada em bloco". [[lexico:c:critica:start|Crítica]]: Não propôs Platão que houvesse alguma coisa fora do ser, porque nada há fora dele. O nada não é um ponto de partida para o ser, como não o é também no pensamento cristão, pois é uma [[lexico:i:ingenuidade:start|ingenuidade]] pensar-se que a creatio ex nihilo indicasse uma gestação do ser ele nada, pois o Criador é [[lexico:e:eterno:start|eterno]] e é Ser e antecede ontologicamente e por [[lexico:d:dignidade:start|dignidade]] à criatura. Entre ser e não-ser há apenas uma [[lexico:r:relacao:start|relação]] de [[lexico:r:razao:start|razão]]. Ao comentar a [[lexico:c:criacao:start|criação]] ex nihilo, [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] diz: "Deus facit ex nihilo... non [[lexico:q:quod:start|quod]] nihilum cedat in substantiam rei, sed quia ab ipso tota [[lexico:s:substantia:start|substantia]] rei producitur nullo alio suppositos" (Summa Theol., I, q. 41, a 3, c). Não há assim um [[lexico:s:suposito:start|supósito]] anterior, de onde o criador tirasse os entes criados (criaturas). Ao criá-los, deu-lhes o ser. É nossa [[lexico:i:imaginacao:start|imaginação]] que concebe, sem contudo poder entendê-lo, esse [[lexico:a:abismo:start|abismo]] de nada anterior à criação. Quando Platão postula que há previamente o ek mageion amorphon, que é informado, determinável pelo [[lexico:a:ato:start|ato]], que o determina, não o afirma anterior cronologicamente à criação, pois o conceito de determinante implica simultaneamente a [[lexico:d:determinacao:start|determinação]], já que o ato de determinar é de [[lexico:v:vetor:start|vetor]] inverso ao sofrer determinação pois, para determinar é preciso que algo seja determinado. O ser não pode proceder senão do ser, o que subtende a [[lexico:p:participacao:start|participação]]. No pensamento cristão, como o demonstrou Tomás de Aquino, a participação está implícita na criação, esta não pode ser compreendia sem aquela, e ao contrário. Compreende-se então que não era infenso a Platão o pensamento criacionista, não naturalmente com as características e a [[lexico:p:precisao:start|precisão]] que teria no [[lexico:p:pensamento-filosofico:start|pensamento filosófico]] cristão. A [[lexico:m:metafora:start|metáfora]] do [[lexico:d:demiurgo:start|demiurgo]] (do [[lexico:a:artesao:start|artesão]]) completa a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]] da criação-participação, [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] inseparáveis e vivos em todo o pensamento filosófico mais elevado. Se cabe a Tomás de Aquino o papel de reunir num só bloco esses dois conceitos, não se pode negar que foi inspirado no pensamento platônico, que conseguiu através do [[lexico:e:empirismo:start|empirismo]] aristotélico, fundar as bases de uma concepção cristã, que é mais profundamente platônica do que inspirada no Estagirita. A [[lexico:e:especulacao:start|especulação]] em torno do nada leva-nos a classificá-lo de [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] modos: 1) Nada absoluto (que chamamos nihilum) que é a ausência total e absoluta do ser, a negação absoluta, que é absurda. 2) Nada absoluto parcial, a ausência absoluta de ser (vacuum), um oceano de nada, cercando uma ilha de ser. Pensamento também [[lexico:a:absurdo:start|absurdo]] não de per si, mas segundo [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]]. 3) Nada de ser criacional antes do ser criacional, que é apenas o possível de ser feito, que cabe ao possível de fazer. A [[lexico:p:potencia:start|potência]] de [[lexico:v:vir-a-ser:start|vir-a-ser]] ante o poder de determinar. É o [[lexico:m:me-on:start|me on]] de Platão, o Meon, como o chamamos, que é objeto da meontologia, cujas bases estão expostas em nossa Filosofia Concreta. 4) Nada relativo o não-ser isto ou aquilo, o nada da nossa experiência. Na [[lexico:o:obra:start|obra]] citada realizamos as especulações que se podem fazer dentro da [[lexico:d:dialetica:start|dialética]] concreta ao [[lexico:t:tema:start|tema]] do nada. Vide Ideias Negativas. Bergson declarou que a ideia do nada é muitas vezes o motor invisível da especulação filosófica. Na [[lexico:f:filosofia-grega:start|filosofia grega]], esta ideia surgiu de várias maneiras como problema da negação do ser, como problema da [[lexico:i:impossibilidade:start|impossibilidade]] de afirmar o nada, etc.. Foi comum a muitos pensadores a ideia de que o nada é a negação do ser; O que há, para já, é o ser e só quando se nega este “aparece” o nada. Outros defenderam que só pode falar-se com [[lexico:s:sentido-do-ser:start|sentido do ser]] uma vez que, como afirmava [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]], só o ser é e o não ser não é. Outros ativeram-se á [[lexico:t:tese:start|tese]] de que do nada não advém nada; afirmar o contrário equivaleria a destruir a noção de [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]] e a de que as coisas poderiam surgir do [[lexico:a:acaso:start|acaso]]. Finalmente outros, como Platão, tentaram [[lexico:v:ver:start|ver]] qual é a [[lexico:f:funcao:start|função]] que pode desempenhar uma “participação do nada” na concepção dos entes que são, ou declararam, como Aristóteles, que tanto a negação como a privação se dão dentro de afirmações, uma vez que do não ser pode afirmar-se que é. Em geral, pois, os filósofos gregos enfrentaram o problema do nada principalmente do ponto de vista do ser. O pensamento cristão substituiu o [[lexico:p:principio:start|princípio]] segundo o qual do nada não advém nada pelo princípio segundo o qual do nada advém o ser criado. A concepção de que Deus criou o mundo do nada transformou inteiramente as bases da especulação filosófica e teve grande [[lexico:i:influencia:start|influência]] na [[lexico:f:filosofia-moderna:start|filosofia moderna]]. [[lexico:k:kant:start|Kant]] assinala que o conceito supremo de que costuma partir uma filosofia [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] é a [[lexico:d:divisao:start|divisão]] entre o possível e o [[lexico:i:impossivel:start|impossível]]. Mas qualquer divisão supõe um conceito dividido e há que remontar a este. Esse conceito é o conceito de objeto em geral (prescindindo de que se trate de um algo ou de um nada). A ele se irão aplicar os conceitos categoriais e, de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com cada um deles, haverá diversos tipos de nada. O sentido [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]] da privação e da negação foi acentuado por Hegel quando, mesmo no [[lexico:c:comeco:start|começo]] de A [[lexico:c:ciencia-da-logica:start|CIÊNCIA DA LÓGICA]], manifesta que o ser e o nada são igualmente indeterminados: Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], “o ser, o imediatamente determinado é, na realidade, um nada” e “o nada tem a mesma determinação ou, melhor dizendo, a mesma falta de determinação que o ser”. Segundo Hegel, esta identificação é possível porque se esvaziou previamente o ser de toda a [[lexico:r:referencia:start|referência]] com o [[lexico:f:fim:start|fim]] de alcançar a sua pureza absoluta; assim purificado, do ser diz-se o mesmo que do não ser e, portanto, o ser e o nada são a mesma coisa. A absoluta imediatez do ser coloca-o no mesmo [[lexico:p:plano:start|plano]] que a sua negação e só o [[lexico:d:devir:start|devir]] poderá surgir como um movimento capaz de transcender a identificação da tese e da [[lexico:a:antitese:start|antítese]]. Bergson assinala, por seu lado, que a [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] sempre rejeitou a [[lexico:d:duracao:start|duração]] e a existência como fundamentos do ser pelo fato de os considerar contingentes. Daí as tentativas sempre fracassadas de deduzir da essência a existência. Esta dificuldade fica solucionada, segundo Bergson, quando se demonstra que a ideia do nada é uma pseudo-ideia, quando se [[lexico:n:nota:start|nota]] que não se pode nem imaginá-la nem pensá-la e que o pensar só suprime uma [[lexico:p:parte:start|parte]] do todo e não o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] todo, isto é, só suplanta um ser por outro ser. A representação de um objeto como inexistente acrescenta algo à ideia do objeto: acrescenta-lhe a ideia de exclusão. Daí que haja mais e não menos na ideia do objeto concebido como inexistente que na do objeto concebido como existente. Diferente da de Bergson é a ideia de [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] sobre o nada. Heidegger não [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] porque é que se afirma que há um nada, mas porque é que o não há. O nada não é, para Heidegger, a negação de um [[lexico:e:ente:start|ente]], mas aquilo que possibilita o não e a negação. O nada é o [[lexico:e:elemento:start|elemento]] dentro do qual flutua, esbracejando para se sustentar, a existência. Este nada descobre-se na têmpera [[lexico:e:existencial:start|existencial]] da angústia. Assim, o nada é aquilo que torna possível o transcender do ser. Aquilo que implica - não [[lexico:l:logica:start|lógica]] mas ontologicamente - o ser. Por isso há uma potência do nada sem a qual não haveria liberdade. Pensadores de tendência lógica- [[lexico:a:analitica:start|analítica]] criticaram esta concepção que proposições tais como “o nada aniquila” significam logicamente o mesmo que “a chuva chove”. Tais teses acerca do nada serão rebeldias inaceitáveis às regras sintéticas da [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]]. Cabe dizer que Heidegger não pretende formular proposições acerca do nada. Isto vê-se claramente na [[lexico:e:exposicao:start|exposição]] de Sartre. Este aceita e corrige as análises de Heidegger, sustentando que o ser pelo qual o nada vem ao mundo deve ser o seu próprio nada. Para esses autores, pois, só a liberdade radical do [[lexico:h:homem:start|homem]] (entendida no caso de Sartre como nada) permite enunciar significativamente essas proposições. Sartre diz, explicitamente, que o problema da liberdade condiciona o aparecimento do problema do nada, pelo menos na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que a liberdade é entendida como algo que precede a essência do homem e a torna possível, isto é, na medida em que a essência do ser [[lexico:h:humano:start|humano]] está suspensa da liberdade. O [[lexico:s:suposto:start|suposto]] íntimo de Heidegger e Sartre seria o da “impotência da lógica para enfrentar [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] problema, pois a lógica apareceria só no momento em que houvesse um ser enunciador, que se tornaria possível precisamente, porque transcendido do nada. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}