===== MÚLTIPLO ===== Múltiplo significa o numeroso, multiplicado. Uma das providências mais importantes do [[lexico:s:sistema|sistema]] socrático-platônico é sem [[lexico:d:duvida|dúvida]] a solução da [[lexico:o:oposicao|oposição]] entre o Um e o múltiplo. Ou reduz-se o múltiplo ao Um, [[lexico:c:como-se|como se]] vê no [[lexico:e:eleatismo|eleatismo]] parmenídico ou, então, é reduzido o múltiplo a alguns [[lexico:e:elementos|elementos]] [[lexico:s:simples|simples]]. O que, no entanto, sempre se pretendeu na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] foi a [[lexico:r:reducao|redução]] do múltiplo ao Um, da variedade à simplicidade, da heterogeneidade à [[lexico:h:homogeneidade|homogeneidade]], por uma [[lexico:n:natural|natural]] exigência da [[lexico:r:razao|razão]], [[lexico:f:funcao|função]] homogeneadora e sintetizadora por [[lexico:e:excelencia|excelência]]. Tais tentativas porém detêm-se ante outras aporias. Ao desejar fugir de uma [[lexico:a:aporia|aporia]], a solução desta prepara quase sempre o [[lexico:c:caminho|caminho]] para encontrar outras e numerosas, e quando o [[lexico:e:espirito|espírito]] [[lexico:h:humano|humano]] aquieta-se neste ou naquele [[lexico:f:filosofo|filósofo]] que julgou encontrar o [[lexico:p:ponto|ponto]] definitivo de seu sistema, eis que se alçam novas dificuldades, novos obstáculos a [[lexico:s:superar|superar]], novas aporias a desafiar a [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] e a [[lexico:p:provocar|provocar]] muitas vezes retornos a velhos pontos de partida, à [[lexico:s:semelhanca|semelhança]] do castigo de [[lexico:s:sisifo|Sísifo]] que muito [[lexico:b:bem|Bem]] simboliza o [[lexico:e:esforco|esforço]] humano na procura da [[lexico:v:verdade|verdade]] através do caminhos da filosofia. Observamos no [[lexico:p:processo|processo]] [[lexico:h:historico|histórico]] da filosofia velhas doutrinas surgirem em novos avatares, exigentes de novas pesquisas e com a promessa de novas possibilidades. A solução socrática das formas separadas [[lexico:n:nao|não]] surge apenas de um [[lexico:d:desejo|desejo]] de solucionar a oposição do um e do múltiplo mas, sobretudo, por [[lexico:c:compreender|compreender]] que o fluxo do [[lexico:f:fieri|fieri]], do [[lexico:v:vir-a-ser|vir-a-ser]], do [[lexico:d:devir|devir]] das [[lexico:c:coisas|coisas]], exigia uma verdade estável, um [[lexico:l:logos|Logos]] imutável, como também o compreendeu [[lexico:h:heraclito|Heráclito]], o que tem sido virtualizado quase sempre com grave prejuízo para a melhor [[lexico:c:compreensao|compreensão]] do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] do efesino. [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] em De Substantias Separatas (cap.1) diz que a [[lexico:a:alma|alma]] humana por [[lexico:t:ter|ter]] um [[lexico:i:intelecto|intelecto]] está em condições de conhecer a verdade. E quando a inteligência conhece a verdade, apreende um [[lexico:o:objeto|objeto]] que se encontra à [[lexico:p:parte|parte]] do [[lexico:m:mundo|mundo]] das naturezas sensíveis. Foi também o que levou [[lexico:p:platao|Platão]] a admitir a [[lexico:e:existencia|existência]] de realidades separadas das coisas sensíveis. A [[lexico:l:luta|luta]] contra o cepticismo e contra os fisiólogos levou o pensamento socrático-platônico a procurar a solução das aporias, o que o colocou no [[lexico:p:problema|problema]] da [[lexico:p:participacao|participação]] ([[lexico:m:metexis|metexis]]). Esta gira, nesse pensamento, em torno da [[lexico:r:realidade|realidade]] das formas que é inegavelmente o ponto central do sistema, mas que só pode [[lexico:s:ser|ser]] compreendida na proporção em que seja esclarecido o [[lexico:t:tema|tema]] da participação.