===== MODAIS ===== No [[lexico:e:estudo:start|estudo]] das distinções, salientamos a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] [[lexico:m:modal:start|modal]] proposta por Suarez, que consiste na que se dá entre uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] e um [[lexico:m:modo:start|modo]] de [[lexico:s:ser:start|ser]] desta. Assim a dependência do [[lexico:e:efeito:start|efeito]] à [[lexico:c:causa:start|causa]] é um modo, [[lexico:b:bem:start|Bem]] como um modo é a [[lexico:u:uniao:start|união]] das partes de um [[lexico:t:todo:start|todo]], ou o deslocamento da [[lexico:t:terra:start|Terra]] em torno do [[lexico:s:sol:start|sol]], que é um modo de ser da Terra. É patente desde logo que os modos são inseparáveis do ser que modifica. Consequentemente, se há uma [[lexico:e:entidade:start|entidade]] dos modos, [[lexico:n:nao:start|não]] há uma ensidade dos mesmos, por lhes faltar [[lexico:s:subsistencia:start|subsistência]] própria, pois a têm em [[lexico:o:outro:start|outro]], in alius, inaliedade, portanto. Está justificada a distinção modal se pudermos justificar os modos. E como estamos aqui em [[lexico:m:materia:start|matéria]] não pacífica, impõe-se examinemos bem [[lexico:p:ponto:start|ponto]] tão descuidado na [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]], de magna importância para os estudos ontológicos. Para que tal estudo traga algum benefício às novas investigações ontológicas, hoje tão exigentes e atuais, impõe-se demoremo-nos na [[lexico:a:analise:start|análise]] das modais, porque tal estudo é fundamental para a boa [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] da “[[lexico:t:teoria:start|teoria]] [[lexico:g:geral:start|geral]] das Tensões”, onde procedemos a globalização do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] epistemico, segundo o modo de [[lexico:v:ver:start|ver]] decadialéctico. Grande é a [[lexico:p:problematica:start|problemática]] que a teoria das modais suscita, e como os modos são seres mínimos, de uma [[lexico:i:intensidade:start|intensidade]] mínima, o terreno em que se pisa é tão subtil, que é preciso [[lexico:t:ter:start|ter]] o máximo cuidado para manter uma nítida [[lexico:v:visao:start|visão]] [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]], que obedeça ao [[lexico:m:metodo:start|método]] criteriológico por nós estudado em nosso livro “[[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]]”. Não só as modais interessaram vivamente ao pensamento escolástico no seu período de fluxo da Contra-Reforma, com Suarez, Cayetano, João de [[lexico:s:santo:start|santo]] Tomás, a [[lexico:e:escola:start|escola]] de Coimbra, etc., como na [[lexico:f:filosofia-moderna:start|filosofia moderna]], com [[lexico:d:descartes:start|Descartes]], Wolf, [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]], [[lexico:h:hegel:start|Hegel]], [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] e outros, é um [[lexico:t:tema:start|tema]] exigente. De antemão devemos estabelecer aqui que vamos tratar dos modos ontológicos e não dos modos lógicos nem doa medes semânticos, como, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]]: as declinações. Surgem os modos, em certo [[lexico:s:sentido:start|sentido]], e fazemos [[lexico:q:questao:start|questão]] de salientar de antemão esta [[lexico:d:diferenca:start|diferença]], quanto aos seres cronotópicos, como determinações que correspondem à imperfeição desses seres, que não actualizam tudo quanto podem ser. Determinadas potencialidades, que se atualizam em diversos estados distintos dos entes, a eles inerentes, aparecem-nos como modalidades desses entes. Dessa [[lexico:f:forma:start|forma]], os modos estão apontando a vários problemas ontológicos que exigem [[lexico:m:meditacao:start|meditação]] e análise, pois, ao nos surgirem, apontam-nos uma nova capa entitativa da [[lexico:r:realidade:start|realidade]] dos seres. Como dissemos, não vamos examinar os modos lógicos. Sabemos que o [[lexico:j:juizo:start|juízo]] é susceptível de determinações modais em [[lexico:n:numero:start|número]] de seis, como sejam: de maneira necessária, de maneira [[lexico:i:impossivel:start|impossível]], de maneira [[lexico:p:possivel:start|possível]], de maneira [[lexico:c:contingente:start|contingente]] e segundo a [[lexico:v:verdade:start|verdade]] e a [[lexico:f:falsidade:start|falsidade]]. Distinguidos os modos lógicos e os semânticos dos modos ontológicos, vemos, então, que os primeiros se referem às maneiras conceptuais da [[lexico:m:modalidade:start|modalidade]] [[lexico:l:logica:start|lógica]] ou [[lexico:s:semantica:start|semântica]], enquanto os últimos, que nos interessam, referem-se a uma entidade que passaremos a precisar: o modo de ser. Considerava [[lexico:d:duns-scotus:start|Duns Scotus]] como entidade (entitas) a [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] de tudo o que possui ser, em qualquer sentido e em qualquer [[lexico:g:grau:start|grau]] que seja. Terá, portanto, o modo uma entidade desde que tenha um ser, em qualquer sentido e em qualquer grau. Na [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]], o modo é tomado em sentido lato como uma [[lexico:d:determinacao:start|determinação]], quer do ser, quer do obrar, quer do [[lexico:e:existir:start|existir]]. Para a [[lexico:t:teoria-modal:start|teoria modal]], o modo é, contudo, uma entidade. Uma entidade incompleta, imperfeita, débil, mas com uma [[lexico:c:consistencia:start|consistência]] ontológica, embora de per si insubsistente. São seres de outros (inaliedade), são seres cuja consistência é uma assistência (ad sistentia), sem, no entanto, reduzirem-se totalmente às [[lexico:r:relacoes:start|relações]], como ainda veremos; são insistentes (in sistentia), inerentes, que podem ser reduzidos formalmente a outros [[lexico:p:predicamentos:start|predicamentos]], cujo [[lexico:e:esquema:start|esquema]] permita essa [[lexico:a:assimilacao:start|assimilação]]. Qualquer modificação de uma entidade [[lexico:r:real:start|real]] é um modo. Este não acrescenta uma nova entidade à entidade, mas modifica. O modo, portanto, modifica; e um atualizar, e sua consistência está na atualização. O modo é assim a atualização de uma determinação de uma entidade real. É, portanto, uma determinação última. Não tem uma ensidade [[lexico:i:independente:start|independente]], e sua [[lexico:r:razao:start|razão]] de ser é a de ser uma modalidade de outra realidade. Conclui-se, pois, que o modo revela uma peculiaridade: a de não ser uma entidade independente, mas dependente, e totalmente dependente de outra realidade. Por conseguinte, é inseparável absolutamente da entidade real, e não tem consistência nenhuma fora dessa entidade real. Assim é um ser de outro e por outro. O [[lexico:m:movimento:start|movimento]] deste auto é um ser deste, e sua entidade é dada por este auto. Em si, o seu movimento não tem realidade, falta-lhe ensidade. Ademais não se separa do ser que modifica. Não se distingue ut re a re, como uma coisa de outra coisa. É um haver da coisa, e fora dessa coisa é [[lexico:n:nada:start|nada]]: o modo é um haver de outra entidade. Apresenta as seguintes propriedades: a) seu ser consiste num haver de outra entidade; b) sua absoluta inseparabilidade total da entidade que ele modifica; c) [[lexico:a:ausencia:start|ausência]] de [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] ôntica independente. O modo nunca é um [[lexico:e:ens:start|ens]] per se, não tem [[lexico:p:perseitas:start|perseitas]], perseidade. Não subsiste, porque, para tal, precisaria existir [[lexico:p:por-si:start|por si]], o que implica [[lexico:e:existencia:start|existência]] e perseidade. (O rodar desta roda não tem uma subsistência fora da roda. Não esqueçamos que existir significa ter entidade na [[lexico:n:natureza:start|natureza]], fora de suas [[lexico:c:causas:start|causas]]). O modo não se dá fora de suas causas, por isso falta-lhe a estrutura ôntica independente; d) sua [[lexico:e:essencia:start|essência]] está em outro, do qual não subsiste independentemente ; e) tem positividade porém, porque se revela na modificação, que é real. O modo é a modificação, é o modificar-se, e sua realidade está no atualizar-se como entidade modificativa. [[lexico:e:esse:start|esse]] modificar-se consiste na [[lexico:a:afeccao:start|afecção]] que sofre a entidade modificada, no haver-se da entidade, nessa [[lexico:f:funcao:start|função]] modificativa. É ela esquematicamente captada como algo que se distingue da realidade modificada da sua estrutura ôntica. Portanto, é uma determinação última da estrutura ôntica, e como determinação é [[lexico:a:atual:start|atual]]. O modo, enquanto tal, é sempre atual, um modo de consistência [[lexico:f:fisica:start|física]]. Suarez considera esse modo [[lexico:f:fisico:start|físico]] como uma real e última determinação das [[lexico:c:coisas:start|coisas]]. Dessa forma, não acrescenta “uma nova entidade realmente distinta da realidade a que afecta e modifica, mas é essa mesma entidade, sob um novo [[lexico:e:estado:start|Estado]] de ser, sob uma nova forma de haver-se. É um novo estado de modificação. Uma nova maneira real de ser da entidade modificada” (Alcorta). É comum confundir-se o modo com o [[lexico:a:acidente:start|acidente]]. Mas o acidente tem uma consistência ontológica própria, distinta realmente, e, para Suarez, onticamente independente da [[lexico:s:substancia:start|substância]], e a ela irredutível. O acidente acrescenta-se à substância, e como uma capa ôntica pertence a uma [[lexico:e:esfera:start|esfera]] distinta da realidade (Alcorta). O modo apenas modifica a entidade preexistente. Por isso, ele se distingue apenas modalmente, pois não se distingue como uma realidade de outra realidade, ut re a re. Desde que tenhamos um [[lexico:c:conceito:start|conceito]] mais amplo de real, como o expusemos ao estudar as distinções, diríamos que há uma distinção, de grau meta fisicamente menor, entre o modo e a entidade modificada, e que um se distingue do outro, real-modalmente, à [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] do que estudamos sobre a ficcionalidade. Há uma distinção real-modal, e não real-física, entre modo e a entidade modificada. Por isso não tem ele consistência ontológica independente (não é real-físico), mas distingue-se como uma realidade, mas, modalmente, por faltar-lhe essa consistência. Esse ponto ainda se esclarecerá melhor mais adiante. Consequentemente, tem ele uma entidade, a qual é positiva e real, e que consiste apenas numa modificação atual e última de outra entidade, num haver-se inerente a esta. Não é um [[lexico:p:puro:start|puro]] [[lexico:n:nao-ser:start|não-ser]], e tudo quanto não é um puro não-ser tem uma estrutura ontológica. A realidade do modo está na sua [[lexico:a:atualidade:start|atualidade]] de modificação; é, portanto, uma determinação última, pois que determinação outra, ademais, poderia haver [[lexico:a:alem:start|além]] daquela que é atual. que é a última da realidade, assim como o [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]], no [[lexico:a:ato:start|ato]] de existir, é urna determinação última da [[lexico:e:especie:start|espécie]]? Precisa-se [[lexico:a:agora:start|agora]] o que Suarez chamava de distinção mo-dal. É a que se dá entre uma realidade e sua modificação real. Tem as coisas múltiplos modos de ser e de haver-se, e entre esses últimos estão os modos, as entidades modais. Suarez dividia-as, segundo os seus estados, em modais de união, de dependência, de [[lexico:p:presenca:start|presença]], de [[lexico:i:inerencia:start|inerência]], de determinação efetiva. São entidades tênues, sutis. Não são distintas por razão, pois se dão extra mentis, por isso ex natura rei, independentes do operacional do [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]]. Como não têm uma entidade inteiramente independente, sua distinção é apenas modal, sem negar que seja real, como já vimos. A união une, a inerência inere, o movimento movimenta-se. Nessa atualidade [[lexico:f:funcional:start|funcional]] está a realidade do modo, que é uma modificação do preexistente a ele. Na concepção tomista das distinções, pode-se classificar a modal como uma distinção real menor. A entidade modificada, no curso de seus modos, permanece como ser, o que varia é o [[lexico:e:estar:start|estar]] da entidade, na [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] de seu haver-se. Assim, a [[lexico:r:riqueza:start|riqueza]] da nossa [[lexico:l:lingua:start|língua]] permite tornar clara a visão ontológica do modo, e compreender-se, ademais, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] importante nesta matéria: a inseparabilidade ontológica dele da entidade modificada, e não a inversa, pois esta pode ser separada daquela, sem deixar de ser o que é, que indica uma distinção real menor, não mútua, para usarmos a [[lexico:c:classificacao:start|classificação]] tomista. Decorre daí, para os modalistas, a dificuldade na [[lexico:d:definicao:start|definição]] do modo, visto ter ele uma consistência tão tênue. É importante o papel da teoria das modais para a filosofia [[lexico:m:moderna:start|moderna]]. Tendo tomado seu [[lexico:i:impulso:start|impulso]] no período de fluxo da escolástica, na Contra [[lexico:r:reforma:start|Reforma]], onde surgiram nomes como Cayetano, Suarez, Vasquez, Soncinas, os conimbrenses, os complutenses, os salmaticenses, prossegue até a filosofia de nossos dias, através de Descartes, [[lexico:s:spinoza:start|Spinoza]], [[lexico:m:malebranche:start|Malebranche]], [[lexico:h:hume:start|Hume]], [[lexico:l:locke:start|Locke]], Hegel, [[lexico:h:husserl:start|Husserl]], Heidegger, sem desmerecimento dos não citados. Dentre todos eles, no entanto, surge Suarez como a [[lexico:f:figura:start|figura]] [[lexico:m:maxima:start|máxima]] no estudo das modais, que tão grande papel exerce e vai exercer ainda para o melhor exame da realidade. Procuraremos, no entanto, frisar os matizes que diferenciam as diversas posições e os pontos de encontro que as identificam, procurando, por todos os meios, ser o mais claro na [[lexico:e:exposicao:start|exposição]], pois sempre consideramos que, na filosofia, o mais difícil é expor com clareza o que é fundamentalmente obscura Dizia Descartes que os modos têm, como função, o serem afecções da substância, serem estados de variação e mobilidade, que afetam a substância e fazem-na mudar. Na Escolástica, os modos são modificações do ser. Revela-se desde logo que é mais [[lexico:d:dinamica:start|dinâmica]] (no sentido [[lexico:m:moderno:start|moderno]] do [[lexico:t:termo:start|termo]], na acepção de movimento) a maneira de ver os modos da filosofia moderna sem, no entanto, repelir a [[lexico:p:posicao:start|posição]] da escolástica. Vemos a [[lexico:i:influencia:start|influência]] do pensamento modalista na filosofia de Spinoza, em Leibniz, em Locke, apesar dos matizes diferenciais, pois alguns, como Hume, terminam por reduzi-los a meras [[lexico:i:ideias:start|ideias]] complexas, formadas pela [[lexico:a:associacao-de-ideias:start|associação de ideias]] [[lexico:s:simples:start|simples]], ou declinando para um [[lexico:s:significado:start|significado]] e consistência meramente gnosiológicos, como Spinoza, ou reduzidos apenas às possibilidades do haver-se, do ser do [[lexico:d:dasein:start|Dasein]], na concepção heideggeriana. O modo de ser é fundamentalmente construtivo do Dasein, [[lexico:s:situacao:start|situação]] primária de toda [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]] [[lexico:e:existencial:start|existencial]] (Heidegger “Sein und Zeit”, pág. 42). Assim, a [[lexico:p:preocupacao:start|preocupação]], a [[lexico:a:ansiedade:start|ansiedade]], etc,, são modos derivados e manifestativos da originária situação do Dasein. São determinações do seu ser e do seu estar, por isso se pode [[lexico:e:estar-no-mundo:start|estar no mundo]] num modo de ser [[lexico:a:autentico:start|autêntico]] ou inautêntico. São os modos, para Suarez, maneiras de ser, e como não são puros não-ser, têm uma entidade tênue. Todo ser criado, no que se refere à sua [[lexico:e:essencia-e-existencia:start|essência e existência]], é um ser participante, pois as recebe de outro, mantendo, assim, uma dependência ([[lexico:p:pendor:start|pendor]] de) [[lexico:e:essencial:start|essencial]] de outro. Todos os entes criados, enquanto tais, dependem do ser primordial, cuja [[lexico:d:discussao:start|discussão]] teológica cabe à [[lexico:t:teologia:start|teologia]], Mas a criatura distingue-se realmente. O modo é distinguido apenas real-modalmente. Portanto, entre o modo e a entidade há uma composição. A teoria modalista, em Suarez, permite o esclarecimento de muitos pontos ontológicos. Vejamos alguns exemplos. A substância é completa ou incompleta. A substância completa distingue-se da incompleta. Esta é [[lexico:p:parte:start|parte]] da matéria e da forma, partes substanciais. O [[lexico:s:suposto:start|suposto]], enquanto tal, é a substância completa; é um’ e incomunicável, e o que se lhe agregue é de natureza [[lexico:s:substancial:start|substancial]]. As [[lexico:s:substancias:start|substâncias]] incompletas, próprias dos seres criados, necessitam sempre de outro [[lexico:g:genero:start|gênero]] de entidade. A substância é um modo de ser, um determinado modo de existir por si e sem dependência de um sustentante, um modo de existir em si (ensidade), que se distingue do modo de existir em outro (inaliedade). [[lexico:s:subsistir:start|subsistir]] significa existir por si; existência e perseidade, portanto. As coisas criadas têm um modo de subsistir incompleto. Um existir, com perseidade, completo, caberia ao ser originário, [[lexico:d:deus:start|Deus]]» que seria uma substância completa. Se os modos revelam a imperfectibilidade dos entes, não revelam a imperfectibilidade do ser. O modo, neste ser, é um [[lexico:i:indice:start|índice]] da sua imperfectibilidade, porque, na sua atualização (e o modo é sempre atual), ele afirma um poder-ser este [[lexico:e:ente:start|ente]], que se perfectibiliza, como [[lexico:p:potencia:start|potência]], no ato, através do [[lexico:d:devir:start|devir]]. Mas os modos no ser, este transcendentalmente considerado, não são índices de imperfectibilidade do ser, mas, ao contrário, da sua pujança. No ente limitado, o modo é um apontar do [[lexico:l:limite:start|limite]], pois é uma determinação que consiste num determinar-se hic et nunc. No [[lexico:c:comparar:start|comparar]] das coisas, os modos revelam imperfeições havidas ou tidas. Mas todos os modos, como ser debilissimos, são do ser e no ser. Se no ser, transcendentalmente, há modos, esses não implicam imperfeições, porque estão contidos no todo do ser. Um exemplo grosseiro nos revela com clareza o que pretendemos dizer: [[lexico:q:quem:start|quem]] é milionário tem um milhão. Cada parte do milhão é, em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a ele, uma imperfeição do milhão, é algo do milhão, sem ser o milhão. Os modos, na comparação entre os entes, revelam imperfeição, como o revelaria cada parte do milhão comparada a outra, em face daquele. Não revelam, porém, imperfeição do ser [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]], que ao permitir a atualização dos entes e de suas modalidades, nada perde de sua [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]], porque eles se dão nele e são dele. Neste caso, os modos não podem ser esgrimidos contra a perfectibilidade do ser, como as coisas finitas, as coisas criadas não podem ser esgrimidas como imperfectibilidade do Criador, para uma concepção criacionista. O ser [[lexico:f:finito:start|finito]] não nega o poder [[lexico:i:infinito:start|infinito]] do Ser Supremo, que pode tudo porque só ele é absolutamente. O poder-menos inclui-se no poder-mais. A variedade dos entes criados atesta o poder infinito do ser, que não é limitado em seu poder por nenhum outro e, ademais, é infinito, pois é tudo quanto pode ser, porque o poder-ser nele está incluso. Assim, no [[lexico:r:referente:start|referente]] à teoria das modais, os modos revelam a imperfeição dos entes, quando considerados no ente (onticamente), mas transcendentalmente não revelam imperfeição do ser (ontologicamente). Ao contrário, revelam um poder, que é perfeição. Assim o ter um milhão não é refutado pela parte do milhão. O um milionésimo, ante o milhão, é uma imperfeição milionar, não uma imperfeição do milhão, é uma imperfeição da parte enquanto tal, não do todo, enquanto tal. Ao contrário, ante o todo, é uma perfeição do todo. Por isso a criatura não é uma Imperfeição do Criador, mas é da sua perfeição. A distinção real-real surge-nos quando há realidades ou estruturas ontológicas que têm consistência própria, ou que podem isolar-se de maneira absoluta e [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]. Dessa forma, uma se distingue da outra, se contradistinguem no que são e pelo que são, no [[lexico:q:quod:start|quod]] e no [[lexico:q:quo:start|quo]]. Uma não é a outra e da outra se distingue com o que é, e o que representa. Para que tal se de é impossível que os extremos tenham, cada um, intrínseca [[lexico:m:mente:start|mente]], e em [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], algo que não tenha o outro [[lexico:e:extremo:start|extremo]]. Suarez exemplificava assim: se a visão e o ouvido se distinguem extrinsecamente pela cor e pelo som, é [[lexico:n:necessario:start|necessário]] que intrinsecamente se distingam realmente nas entidades que recebem as cores e os sons. Portanto, quando há uma distinção por algo [[lexico:e:extrinseco:start|extrínseco]], esta deve fundar-se imediatamente em algo [[lexico:i:intrinseco:start|intrínseco]]. A distinção de razão dá-se quando a uma mesma realidade nos referimos com dois ou mais [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] distintos e inadequados , Não há, portanto, aqui, como é fácil ver-se, distinção real-real. Estabelecida a diferença entre a distinção real-real e a de razão, propõe Suarez a modal, e funda-se ela no seguinte: as realidades nos mostram capas ontológicas, que consistem em puras modificações de outras entidades. Essas modificações só o são quando modificam, isto é, quando estão em seu pleno exercício atual de modificar. É nesse exercício que está o seu ser, mas, este, nada é fora da realidade modificada, pois consiste apenas no causar modificativo que se realiza na realidade. Assim o movimento é sempre movimento de [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]], e sua entidade consiste em ser o modo de ser de outra coisa; e é, como tal, em seu exercício, no seu ato de determinar. A coisa em movimento distingue-se de si mesma, tomada enquanto tal, mas apenas modalmente. É uma distinção real, mas que se coloca entre a real maior e a de razão. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}