===== MISTÉRIOS ===== [[lexico:m:mysteria:start|Mysteria]]. VIDE [[lexico:m:misterio:start|mistério]] Mystérion, ou, melhor, mystéria — só o plural é testemunhado pelos documentos mais antigos [Cf. K. Kerényi, «Mysterien der Kabiren», I, «Der Sinn der Bezeichnung ‘Mysteria’», in Eranos Jahrbuch, xi, 1944, p. 11, e O. Kern, s. v. «Mysterien», na RE.] —, designa um [[lexico:g:genero:start|gênero]] de festividades religiosas que se distinguem de todas as outras pelo mandamento do segredo. O [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:n:nome:start|nome]] já denuncia esta [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] diferencial: myeîn, «iniciar», ou myeisthai, «[[lexico:s:ser:start|ser]] iniciado», tem por [[lexico:r:raiz:start|raiz]] mu- (cf. lat. mutus), que significa «fechar». Portanto, a [[lexico:s:significacao:start|significação]] de «iniciado», que, etimologicamente, poderíamos traduzir por «o que mantém os lábios cerrados», deve [[lexico:t:ter:start|ter]] constituído durante muito [[lexico:t:tempo:start|tempo]] um dos mais poderosos [[lexico:m:motivos:start|motivos]] para crer que a iniciação nos mistérios consistia em transmitir e [[lexico:e:explicar:start|explicar]] oralmente uma doutrina oculta, algo indizível e [[lexico:i:inefavel:start|inefável]] acerca do ser [[lexico:d:divino:start|divino]] e do [[lexico:d:destino:start|destino]] do [[lexico:h:homem:start|homem]] e do [[lexico:k:kosmos:start|kosmos]]. A [[lexico:f:forca:start|força]] de [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] talvez revigorasse e se impusesse finalmente sob a [[lexico:i:influencia:start|influência]] de um [[lexico:c:conceito:start|conceito]] — se ele é [[lexico:f:falso:start|falso]] ou [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]], nem tanto importa discutir, nesta oportunidade — do mistério cristão: os desígnios de [[lexico:d:deus:start|Deus]], ao encarnar no Homem, tanto excedem as possibilidades do [[lexico:e:entendimento:start|entendimento]] [[lexico:h:humano:start|humano]], que a [[lexico:e:encarnacao:start|Encarnação]] será sempre para nós um mistério, isto é, indizível e inefável, porque incompreensível [[lexico:d:dom:start|dom]] do [[lexico:a:amor:start|amor]] divino. Mas, contra tal [[lexico:s:significado:start|significado]] do mistério pagão, já [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] nos adverte por estas inequívocas [[lexico:p:palavras:start|palavras]]: «os iniciados [[lexico:n:nao:start|não]] são submetidos a qualquer ensinamento, mas a uma [[lexico:e:experiencia:start|experiência]], mediante a qual adquirem certa [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] de ânimo, provisto que de tal sejam capazes» [Arist., frag. 15 (Rose), p. 84 da ed. de Ross.]. Aparentemente, os Mistérios Eleusinos proporcionavam uma experiência comum e quase pública de [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:e:esse:start|esse]] domínio , que, dada a sua própria [[lexico:n:natureza:start|natureza]], e embora fosse comum a todos, precisava ser escondida, mantida em segredo para o domínio [[lexico:p:publico:start|público]]: todos podiam participar dos mistérios, mas a ninguém era lícito [[lexico:f:falar:start|falar]] deles. Os mistérios tinham a [[lexico:v:ver:start|ver]] com o indizível, e qualquer experiência que não pudesse ser expressa em palavras era apolítica e talvez antipolítica por [[lexico:d:definicao:start|definição]] (cf. Karl Kerenyi, Die Geburt der Helena (1943-45), p. 48 ss.). Tinham a ver com o segredo do nascimento e da [[lexico:m:morte:start|morte]], como parece prová-lo um fragmento de Píndaro: oide men biou teleutan, oiden de diosdoton archan (fragm. 137a), em que supostamente o iniciado conhecia “o [[lexico:f:fim:start|fim]] da [[lexico:v:vida:start|vida]] e o [[lexico:c:comeco:start|começo]] [[lexico:d:dado:start|dado]] por [[lexico:z:zeus:start|Zeus]]”. [ArendtCH, 8, Nota] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}