===== MÉTODO SEMIÓTICO ===== O [[lexico:u:uso:start|uso]] do vocábulo ‘[[lexico:s:semiotica:start|semiótica]]’ assim como a [[lexico:d:divisao:start|divisão]] [[lexico:g:geral:start|geral]] desta [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] filosófica, são devidos a Charles Morris, designando a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] geral dos signos. São os signos, [[lexico:o:objeto:start|objeto]] da semiótica, importantes, e mesmo necessários, para o [[lexico:m:metodo:start|método]] científico, pelas seguintes razões arroladas por [[lexico:b:bochenski:start|Bochenski]]: 1. A ciência é uma [[lexico:o:obra:start|obra]] [[lexico:s:social:start|social]] que somente mediante o [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] coletivo pode cristalizar em [[lexico:r:realidade:start|realidade]]. Este trabalho coletivo requer a [[lexico:c:comunicacao:start|comunicação]] do [[lexico:s:saber:start|saber]], [[lexico:p:possivel:start|possível]] através dos signos: [[lexico:p:palavras:start|palavras]] faladas e escritas. As palavras [[lexico:n:nao:start|não]] sào, pois, [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] acessória, mas um [[lexico:m:meio:start|meio]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] da ciência. 2. As palavras, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, são alguma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] material, acontecimentos. Se com elas se consegue que os [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] sejam melhor e mais claramente formulados, ter-se-á facilitado enormemente o trabalho dos [[lexico:c:cientistas:start|cientistas]]. E é que o [[lexico:e:entendimento:start|entendimento]] [[lexico:h:humano:start|humano]] funciona muito melhor manejando [[lexico:c:coisas:start|coisas]] materiais, para cuja [[lexico:a:apreensao:start|apreensão]] está mais capacitado. Pense-se na [[lexico:o:operacao:start|operação]] de contar: pode-se fazer mentalmente, mas é muito mais fácil se se calcula com signos escritos. 3. Existe uma terceira [[lexico:r:razao:start|razão]], que faz com que as palavras sejam úteis para a ciência. A [[lexico:e:expressao:start|expressão]] do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] mediante signos é uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de obra de [[lexico:a:arte:start|arte]]. É um [[lexico:f:fato:start|fato]] geralmente admitido que o [[lexico:a:artista:start|artista]] normalmente é guiado em sua obra criadora por uma [[lexico:i:ideia:start|ideia]] que, de ordinário, não corresponde plenamente à obra já terminada. Ao longo da realização se elabora e se perfila esta ideia. Assim, amiúde acontece com a expressão: o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] deve [[lexico:s:ser:start|ser]] comunicado com palavras, faz-se mais preciso no [[lexico:a:ato:start|ato]] da expressão. Prescindimos de se as palavras são veículos dos conceitos ou de se podem [[lexico:t:ter:start|ter]] uma [[lexico:f:funcao:start|função]] autônoma. Apenas como [[lexico:s:simples:start|simples]] meios de expressão já são de [[lexico:s:suma:start|suma]] importância. A ideia principal da ciência dos signos ou semiótica, que serve, também, de base para a sua divisão, pode ser formulada assim: quando alguém comunica alguma coisa a outrem, a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] empregada se refere a uma tríplice [[lexico:o:ordem:start|ordem]] de objetos: a) Em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], a palavra pertence a uma [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]], isto é, tem determinadas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] com as demais palavras desta linguagem: está, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], entre outras duas palavras (por exemplo, a conjunção ‘e’) ou no [[lexico:p:principio:start|princípio]] na [[lexico:f:frase:start|frase]] etc. Estas relações são chamadas sintáticas: são relações das palavras entre si. b) Em segundo lugar, tem o que chamamos [[lexico:s:significacao:start|significação]]: as palavras significam alguma coisa, querem comunicar a outrem alguma coisa concreta. Ao lado da [[lexico:r:relacao:start|relação]] sintática temos, pois, a relação das palavras com seu [[lexico:s:significado:start|significado]]. Esta relação c chamada [[lexico:s:semantica:start|semântica]]. c) Finalmente, a palavra é pronunciada por alguém e dirigida a outrem. Existe, portanto, uma terceira [[lexico:c:classe:start|classe]] de relações: as que medeiam entre as palavras e os homens que as empregam, e sío chamadas pragmáticas. Estas três relações das palavras têm entre si uma determinada vinculação. A relação [[lexico:p:pragmatica:start|pragmática]] supõe a semântica e a sintática; a semântica supõe a sintática. Uma palavra sem [[lexico:s:sentido:start|sentido]] não pode servir para entender-se, e para que uma palavra tenha sentido deve [[lexico:e:estar:start|estar]] em determinadas relações com as outras palavras. Ao contrário, a relação sintática não supõe as outras duas e é possível estudar a semântica sem atender à pragmática. A ordem entre as classes de relações é [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] à que existe entre as três dimensões de um [[lexico:c:corpo:start|corpo]] geométrico. A palavra, em sua [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]], é como um corpo tridimensional: apenas pela [[lexico:a:abstracao:start|abstração]] podemos prescindir das duas primeiras classes de relações (a sintática e a semântica), ou de uma só (a sintática), o mesmo que em [[lexico:g:geometria:start|geometria]] podemos prescindir da superfície de um corpo ou de sua [[lexico:f:forma:start|forma]] reta. O desenho abaixo explica esta comparação: Diante disso, cumpre destacar expressamente que a palavra da qual se [[lexico:f:fala:start|fala]] em semiótica é a palavra material, ou seja, se se trata da palavra [[lexico:e:escrita:start|escrita]], minúsculos borrões de tinta seca no papel. É evidente — diz Bochenski — que é preciso tomar o vocábulo palavra neste sentido, posto que deve opor-se ao que significa (e que [[lexico:n:nada:start|nada]] tem que [[lexico:v:ver:start|ver]] com o vocábulo ‘palavra’ da linguagem corrente). [[lexico:c:consequencia:start|Consequência]] importante desta concepção c que jamais necessitamos duas vezes uma mesma palavra num [[lexico:u:unico:start|único]] [[lexico:e:enunciado:start|enunciado]], e muito menos em distintos inundados. Bochenski dá o seguinte exemplo tirado do [[lexico:p:principio-de-identidade:start|princípio de identidade]]: "Edvar é Edvar". Consoante a concepção semiótica, temos aqui uma [[lexico:s:serie:start|série]] de pequenos borrões de tinta seca. Os borrões que lemos no princípio da [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] na palavra "Edvar" não são idênticos aos que estão no final da frase, pois se trata de dois diferentes borrões de tinta impressos em diferentes [[lexico:l:lugares:start|lugares]] do papel, o que não seria possível se fossem uma mesma coisa. Quando na linguagem comum se diz ‘a mesma palavra’, subentende-se que são ‘duas palavras que têm aproximadamente a mesma forma e a mesma significação’. Na semiótica, pelo contrário, fala-se neste caso de duas palavras da mesma forma. O que não quer dizer que a forma de ambas as palavras seja igual; basta examiná-las com uma potente lupa para comprovar que não é este o caso. O que se quer dizer é que sua [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] gráfica geral é igual. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}