===== MÉTODO EXPERIMENTAL ===== Os [[lexico:m:metodos-da-inducao|métodos da indução]] [[lexico:n:nao|não]] são senão a [[lexico:p:parte|parte]] central do [[lexico:m:metodo-experimental|método experimental]]. Este [[lexico:u:ultimo|último]] pretende ditar regras sobre o conjunto dos processos que utilizam as disciplinas que se fundamentam sobre a [[lexico:e:experiencia|experiência]], enquanto que o primeiro só diz [[lexico:r:respeito|respeito]] à passagem [[lexico:l:logica|lógica]] do [[lexico:p:particular|particular]] ao [[lexico:u:universal|universal]]. Os principais problemas colocados pela [[lexico:m:metodologia|metodologia]] das ciências experimentais, sem contar os da própria [[lexico:i:inducao|indução]], parecem [[lexico:s:ser|ser]] o do papel da [[lexico:h:hipotese|hipótese]] na [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]] e o das [[lexico:r:relacoes|relações]] da indução e da [[lexico:d:deducao|dedução]] no [[lexico:m:metodo|método]]. Uma [[lexico:e:exposicao|exposição]] [[lexico:g:geral|geral]] destes problemas será encontrada em Les théories de l’induction et de l’expérimentation de Lalande, e na [[lexico:o:obra|obra]] clássica de Claude [[lexico:b:bernard|Bernard]]: Introduction à l’étude de la médecine expérimentale. Apêndice. - Observe-se simplesmente que o [[lexico:r:raciocinio|raciocínio]] por [[lexico:s:semelhanca|semelhança]] pode ser encarado como um [[lexico:p:processo|processo]] [[lexico:r:racional|racional]] no qual, de um ou de vários fatos, se infere um [[lexico:o:outro|outro]] [[lexico:f:fato|fato]] particular. [[lexico:e:exemplo|exemplo]]: Pedro, Paulo, Tiago foram curados por tal remédio . . . Logo, João será igualmente curado por [[lexico:e:esse|esse]] remédio. Tal raciocínio pode ser figurado analiticamente por uma indução que seria seguida de uma dedução: Pedro, Paulo, Tiago foram curados por tal remédio . . . Logo, [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:h:homem|homem]] é curado por esse remédio Ora, João é homem Logo, João será curado por esse remédio. O exemplo que [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] considera como a [[lexico:f:forma|forma]] [[lexico:r:retorica|retórica]] da indução, não é senão um esboço de indução destinado a tornar mais acessível ou mais [[lexico:s:sensivel|sensível]] uma [[lexico:v:verdade|verdade]]. Perante uma [[lexico:s:serie|série]] de fenômenos, isto é, de sensações — visto que, em última [[lexico:a:analise|análise]], a elas se reduz tudo quanto percepcionamos e que se nos afigura [[lexico:e:existir|existir]] fora de nós —, o [[lexico:e:espirito|espírito]] [[lexico:h:humano|humano]], na [[lexico:c:constituicao|constituição]] da [[lexico:c:ciencia|ciência]], passa necessariamente por três operações sucessivas. Em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]], o espírito observa, isto é, concentra a [[lexico:a:atencao|atenção]] sobre as suas sensações, e deste [[lexico:m:modo|modo]] desenvolve uma certa [[lexico:a:atividade|atividade]], em vez de permanecer no [[lexico:e:estado|Estado]] [[lexico:p:passivo|passivo]] em que, a [[lexico:p:principio|princípio]], se encontrava em [[lexico:r:relacao|relação]] a elas. Um selvagem esconde-se quando troveja; ao invés, um [[lexico:s:sabio|sábio]] concentra-se do melhor modo [[lexico:p:possivel|possível]] no [[lexico:d:discernimento|discernimento]] das características do ruído que ouve e nas formas do clarão que vê. Para tornar fecunda a [[lexico:o:observacao|observação]] é [[lexico:n:necessario|necessário]] fazê-la ordenada e metodicamente; e o melhor processo para alcançar tal [[lexico:f:fim|fim]] é o [[lexico:u:uso|uso]] da [[lexico:c:classificacao|classificação]], que reúne os seres ou os fatos semelhantes, os distribui por grupos, os permite reencontrar facilmente sem os confundir e, portanto, empresta à observação a estabilidade necessária para servir de [[lexico:p:ponto|ponto]] de partida a novas investigações. Em segundo lugar, é necessário formular uma hipótese: é um [[lexico:a:ato|ato]] de [[lexico:i:imaginacao|imaginação]] que consiste em supor uma certa relação que se nos afigure [[lexico:v:verossimil|verossímil]] entre os fatos observados. É necessário, dizia [[lexico:d:descartes|Descartes]], «supor a [[lexico:e:existencia|existência]] de [[lexico:o:ordem|ordem]] mesmo entre objetos que não decorrem naturalmente uns dos outros» . Com [[lexico:e:efeito|efeito]], a observação pode evidenciar-nos perfeitamente o que se passou em todos. As leis dos fenômenos não estão ao alcance dos sentidos; primeiramente é necessário adivinhá-las; a [[lexico:n:natureza|natureza]], como a Esfinge, só por este preço revela os seus segredos. Foi deste modo que Kepler, por razões completamente metafísicas, imaginou que os astros deviam obedecer, nos seus movimentos, a certas leis que hoje têm o seu [[lexico:n:nome|nome]], e somente mais [[lexico:t:tarde|Tarde]] verificou, pelo exame dos fatos, o que, de princípio, era somente uma concepção da sua imaginação. Descartes medita, como [[lexico:f:filosofo|filósofo]], no fato de geralmente os fenômenos se produzirem de [[lexico:h:harmonia|harmonia]] com a linha de menor resistência; tem a [[lexico:i:ideia|ideia]] de investigar se a [[lexico:l:luz|luz]] não se comportaria também deste modo; e descobre as leis da refração. Pasteur estudava a fermentação; surge-lhe a ideia de que certas doenças apresentavam analogias com aquela: não seriam devidas a seres orgânicos como esses cuja existência se admitia nos fermentos? Experimenta e funda a [[lexico:t:teoria|teoria]] microbiana. Todas as descobertas, grandes ou pequenas, tiveram a sua [[lexico:o:origem|origem]] numa hipótese. Mas, evidentemente, não nos podemos contentar com ela. Por cada hipótese verdadeira, o espírito humano, sempre à procura da ciência, emite facilmente dez [[lexico:h:hipoteses|hipóteses]] falsas. É, pois, necessário separar o trigo do joio. Tal [[lexico:c:coisa|coisa]] compete à [[lexico:e:experimentacao|experimentação]]. Toda hipótese implica um certo [[lexico:n:numero|número]] de consequências; e se a relação, a suposta [[lexico:l:lei|lei]] que constitui esta hipótese, sendo abstrata, não pode ser do domínio [[lexico:s:sensorial|sensorial]], as suas consequências, que são fenômenos concretos, podem ser submetidas à [[lexico:v:verificacao|verificação]] da observação. Se elas se efetivarem, a hipótese é boa. Se se não verificarem, é falsa. Depois da [[lexico:a:arte|arte]] de fazer hipóteses engenhosas, a maior [[lexico:q:qualidade|qualidade]] do sábio é, portanto, [[lexico:s:saber|saber]] escolher as consequências cuja [[lexico:p:presenca|presença]] ou [[lexico:a:ausencia|ausência]] porão a claro a justeza ou a [[lexico:f:falsidade|falsidade]] da sua hipótese, isto é, saber elaborar experiências decisivas. Por [[lexico:c:consequencia|consequência]], a experimentação é a última fase do método [[lexico:e:experimental|experimental]] e, por assim dizer, a [[lexico:s:sintese|síntese]] dos dois outros; porque, na verdade, consiste numa observação, como no primeiro [[lexico:m:momento|momento]] deste método; mas diverge dele porque é uma observação combinada e dirigida em vista a um certo fim: à verificação duma hipótese. [André Lalande (philosophe), Lectures sur la Philosophie des Sciences, pp. 124-126]