===== METAPHYSIKA ===== gr. μεταφυσικά, metaphysiká (tá). Plural neutro de metaphysikós: [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]. Latim: metaphysica. [[lexico:t:termo:start|termo]] nunca empregado pelos autores gregos, pois data do [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] árabe Averróis (século XII). É [[lexico:c:contracao:start|contração]] de meta tà physiká,"o que vem depois da [[lexico:f:fisica:start|Física]] (physiká / physika também é um [[lexico:a:adjetivo:start|adjetivo]] plural neutro, subentendido: "os livros")" (de [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]]), [[lexico:d:denominacao:start|denominação]] dada por [[lexico:a:andronico-de-rodes:start|Andrônico de Rodes]], no século I a.C., às diversas obras de [[lexico:f:filosofia-primeira:start|filosofia primeira]] de Aristóteles, na primeira edição do [[lexico:c:corpus:start|corpus]] aristotelicum, ou conjunto das obras que nos restaram de Aristóteles entre as numerosas obras perdidas. [[lexico:p:platao:start|Platão]] buscou o que significam as [[lexico:p:palavras:start|palavras]] [[lexico:s:ser:start|ser]] e [[lexico:n:nao-ser:start|não-ser]] no [[lexico:d:dialogo:start|diálogo]] que tenta [[lexico:a:apreender:start|apreender]] o [[lexico:s:sofista:start|sofista]], o inapreensível. [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]], dizendo que o ser é e que o não-ser [[lexico:n:nao:start|não]] é, bloqueou o [[lexico:d:discurso:start|discurso]]: dizer com [[lexico:e:efeito:start|efeito]] que [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]] é branco, quer dizer de alguma maneira que ele não é Sócrates, e, se não é permitido de dizer ou não ser senão absolutamente, é se contradizer. Ora, se o não-ser não é, o [[lexico:e:erro:start|erro]] que diz o que não é, é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]]: os [[lexico:s:sofistas:start|sofistas]] nasceram da [[lexico:o:ocasiao:start|ocasião]] que lhes foi dada assim de admitir que se pode dizer não importa o que de não importa o que e deixar cair o [[lexico:p:principio:start|princípio]] da [[lexico:c:contradicao:start|contradição]]. Parmênides o compreendia de tal maneira que imobilizava tudo e o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] ele mesmo; seu contrário obrigado, [[lexico:p:protagoras:start|Protágoras]], mobilista. Mas, se [[lexico:a:agora:start|agora]] tudo se move, [[lexico:n:nada:start|nada]] não pode ser [[lexico:d:dito:start|dito]] de nada, não há discurso [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] [[lexico:p:possivel:start|possível]]; pois [[lexico:f:falar:start|falar]], dizer algo de algo, é sempre pressupor algum ser fixo ou uma [[lexico:u:unidade:start|unidade]] de [[lexico:e:essencia:start|essência]] — basta refletir sobre o discurso para ascender à [[lexico:i:ideia:start|ideia]], o pensamento não se reduz ao [[lexico:s:sensivel:start|sensível]]. No entanto, como o mostra o [[lexico:t:teeteto:start|Teeteto]], o [[lexico:m:mobilismo:start|mobilismo]] é inapreensível, não se pode refutar isto para [[lexico:q:quem:start|quem]] o erro é impossível. Assim também o exame do discurso de Protágoras é fundamentalmente uma conjuração da [[lexico:t:tirania:start|tirania]]: para que a [[lexico:j:justica:start|justiça]] não seja um vão [[lexico:f:fantasma:start|fantasma]] e possamos distinguir a injustiça e a tirania, precisamos falar o verdadeiro. A [[lexico:c:certeza:start|certeza]] [[lexico:m:moral:start|moral]], socrática, comanda em Platão o que vão denominar uma [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]], ela é a [[lexico:a:alma:start|alma]] de todos os [[lexico:d:dialogos:start|diálogos]]. Deve-se portanto buscar como pode que haja um [[lexico:p:prestigio:start|prestígio]] das aparências e da [[lexico:r:retorica:start|retórica]], que haja simulacros, [[lexico:a:aparencia:start|aparência]] que não manifestam nada de [[lexico:r:real:start|real]] e que no entanto nada são. O orador ignorante obtém mais [[lexico:v:voz:start|voz]] quando de uma voto, que o especialista e o [[lexico:s:sabio:start|sábio]]: como a [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] pode [[lexico:t:ter:start|ter]] assim a aparência de [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] e nos fazer cúmplice do tirano? Nada há de [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]] na [[lexico:d:distincao:start|distinção]] da opinião e da ciência, do sensível e do [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]], nem da [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] de [[lexico:s:saber:start|saber]] o que quer dizer ser ou não-ser. Eis porque é preciso se desconfiar da [[lexico:p:poesia:start|poesia]], dos mitos e das interpretações que fazem o poder dos sacerdotes e dos políticos. Platão trata do ser para determinar as condições do discurso verdadeiro, quer dizer de um [[lexico:u:uso:start|uso]] do discurso que seja diálogo e não [[lexico:a:arte:start|arte]] de combate, [[lexico:d:dialetica:start|dialética]] e não [[lexico:e:eristica:start|erística]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}