===== METALINGUAGEM ===== (in. Metalanguage; fr. Métalanguage; it. Metalinguaggió). Quando D. Hilbert introduziu a concepção de [[lexico:m:matematica:start|matemática]] como [[lexico:s:sistema:start|sistema]] meramente sintático-dedutivo (sistema [[lexico:a:arbitrario:start|arbitrário]] de [[lexico:s:simbolos:start|símbolos]] no qual, dados certos axiomas fundamentais e certas regras operacionais, procede-se por meios meramente simbólicos, ou seja, operando com as fórmulas que constituem os axiomas e segundo as regras operacionais dadas, à [[lexico:i:inferencia:start|inferência]] das "consequências", independentemente dos possíveis ou eventuais significados extra-simbólicos, intuitivos ou outros desses mesmos símbolos), colocou-se o [[lexico:p:problema:start|problema]] de verificar a não-contradição dos sistemas de axiomas das disciplinas matemáticas assim formalizadas, [[lexico:b:bem:start|Bem]] como de verificar a correção das inferências (deduções). Visto que, segundo conhecido [[lexico:t:teorema:start|teorema]] (de Gödel), [[lexico:n:nao:start|não]] se pode provar a não-contradição de um sistema matemático formalizado dentro desse mesmo sistema, D. Hilbert e sua [[lexico:e:escola:start|escola]] recorreram à [[lexico:c:criacao:start|criação]] de sistemas particulares para a [[lexico:v:verificacao:start|verificação]] dos sistemas simbólicos (ou seja, de cada [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] da matemática: [[lexico:a:algebra:start|álgebra]], [[lexico:g:geometria:start|geometria]], etc). Tais sistemas de verificação foram denominados metamatemáticos. Por [[lexico:a:analogia:start|analogia]], ou melhor, por [[lexico:e:extensao:start|extensão]] do [[lexico:t:termo:start|termo]], os lógicos poloneses e Camap chamaram de metalinguagem qualquer sistema linguístico (p. ex., a [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] da [[lexico:l:logica:start|Lógica]], da [[lexico:g:gramatica:start|gramática]], etc.) que não conduza a denotata extralinguísticos, mas que, semanticamente, conduza a símbolos e fatos linguísticos, e de metalinguística qualquer [[lexico:e:expressao:start|expressão]] não que fale de [[lexico:c:coisas:start|coisas]] (reais ou ideais), mas de [[lexico:p:palavras:start|palavras]] ou discursos (p. ex.: "’Mário’ é um [[lexico:n:nome:start|nome]] [[lexico:p:proprio:start|próprio]] de [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]], masculino e [[lexico:s:singular:start|singular]]"; "’aceleração’ é um termo da [[lexico:f:fisica:start|Física]]"). A [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre linguagem e metalinguagem assume grande importância na [[lexico:a:analise:start|análise]] filosófica neopositivista, sendo um dos fundamentos da [[lexico:c:critica:start|crítica]] à [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] especulativa, na qual expressões metalinguísticas são sistematicamente confundidas com expressões linguísticas (v. [[lexico:l:linguagem-objeto:start|linguagem-objeto]]). No artigo sobre a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de [[lexico:m:mencao:start|menção]], Referimo-nos à distinção entre a menção e o [[lexico:u:uso:start|uso]] dos signos. Esta distinção tem como base a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da [[lexico:h:hierarquia:start|hierarquia]] das linguagens, forjada para evitar os paradoxos semânticos. Segundo esta teoria, é [[lexico:n:necessario:start|necessário]] distinguir entre uma linguagem dada e uma linguagem desta linguagem. A linguagem dada chama-se usualmente objeto-linguagem. A linguagem do [[lexico:o:objeto:start|objeto]] da linguagem chama-se metalinguagem. A metalinguagem é a linguagem na qual se [[lexico:f:fala:start|fala]] de um objeto-linguagem. O objeto-linguagem é a linguagem acerca da qual a metalinguagem fala. O objeto-linguagem é inferior à metalinguagem. Ora, inferior não designa um [[lexico:v:valor:start|valor]], mas simplesmente a [[lexico:p:posicao:start|posição]] de uma linguagem no [[lexico:u:universo-do-discurso:start|universo do discurso]]. Por isso a expressão “objeto-linguagem” tem [[lexico:s:sentido:start|sentido]] só em [[lexico:r:relacao:start|relação]] com a expressão metalinguagem e a expressão metalinguagem tem sentido só em relação com a expressão objeto-linguagem. No [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] que se segue: “os corpos atraem-se na [[lexico:r:razao:start|razão]] direta das suas massas e na razão inversa do quadrado das distâncias.” é [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]]; “os corpos atraem-se na razão direta das suas massas e na razão inversa do quadrado das distâncias” é uma expressão que pertence ao objeto-linguagem da física, e “é verdadeiro” é uma expressão que pertence à metalinguagem do objeto-linguagem da física. A teoria da hierarquia das linguagens foi proposta por B. [[lexico:r:russell:start|Russell]], em 1922, na sua INTRODUÇÃO AO TRACTATUS DE [[lexico:w:wittgenstein:start|Wittgenstein]]. Este autor tinha [[lexico:d:dito:start|dito]] “que o que pode [[lexico:s:ser:start|ser]] mostrado não pode ser dito” devido a que “o que se reflete na linguagem não pode ser representado pela linguagem” e a que “não podemos expressar por [[lexico:m:meio:start|meio]] da linguagem o que se expressa na linguagem”. Para evitar estas dificuldades suscitadas por esta doutrina, que equivale a defender que a [[lexico:s:sintaxe:start|sintaxe]] não pode ser enunciada, mas unicamente mostrada, Russell propôs que “cada linguagem tem uma [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] relativamente à qual [[lexico:n:nada:start|nada]] pode enunciar-se na linguagem”, mas pode haver outra linguagem que trate da estrutura da primeira linguagem e tenha ela própria uma nova estrutura, não havendo talvez limites para esta hierarquia de linguagens. A metalinguagem é a linguagem que suponho sabida por todos, e dentro da qual me situo, para analisar um [[lexico:p:processo:start|processo]]. Esta análise objetifica uma certa [[lexico:r:regiao:start|região]] da linguagem — a linguagem-objeto. No exemplo corrente, se ensino francês a uma turma de brasileiros, o francês é a linguagem-objeto, e o português a metalinguagem. No [[lexico:m:modelo-matematico-do-processo-de-comunicacao:start|modelo matemático do processo de comunicação]], a metalinguagem é a linguagem do [[lexico:o:observador:start|observador]], enquanto que a linguagem que descreve o [[lexico:m:modelo:start|modelo]] é a linguagem-objeto. [[lexico:s:sinonimos:start|Sinônimos]] para metalinguagem são (em [[lexico:l:logica-matematica:start|lógica matemática]]) linguagem sintática e epilinguagem. (Francisco Doria - [[lexico:d:dcc:start|DCC]]) No [[lexico:e:estudo:start|estudo]] das linguagens, é indispensável introduzir a distinção entre linguagem e metalinguagem. Dada uma [[lexico:l:lingua:start|língua]] L, serão chamadas metalinguagens de L, aquelas linguagens em cujo quadro é [[lexico:p:possivel:start|possível]] estudar as propriedades da linguagem L. [Ladrière] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}