===== METAFÍSICA E ONTOLOGIA ===== Partimos do [[lexico:p:problema:start|problema]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] metafísico, que é o problema de: que existe? Perseguimos, em nossa excursão ao longo da [[lexico:h:historia-da-filosofia:start|história da filosofia]], as duas grandes respostas contraditórias que se deram a essa [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]]. Deparamos, primeiro, com o [[lexico:r:realismo:start|realismo]], e depois, como o [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]]; e sintetizamos a [[lexico:f:forma:start|forma]] mais perfeita e completa do realismo em [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], assim como achamos a forma mais completa e perfeita do idealismo em [[lexico:k:kant:start|Kant]], se [[lexico:b:bem:start|Bem]] que nem um nem [[lexico:o:outro:start|outro]] são exclusivistas. Ao perseguir ao longo da [[lexico:h:historia:start|história]] estas duas soluções fundamentais do problema metafísico, tivemos que prescindir por completo de outros problemas filosóficos que estão mais ou menos em [[lexico:r:relacao:start|relação]] com este problema metafísico, com o [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] de que a [[lexico:c:contraposicao:start|contraposição]] do idealismo e do realismo resultasse clara, resultasse nitidamente delineada diante de nossos olhos. Mas, tendo chegado ao término dessa primeira excursão pelo [[lexico:c:campo:start|campo]] da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]], vamos iniciar outro [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de excursão filosófica, por aquela outra [[lexico:p:parte:start|parte]] da selva filosófica que leva o [[lexico:n:nome:start|nome]] estranho de [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]]. Isto quer dizer, naturalmente, que a ontologia e a [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] [[lexico:n:nao:start|não]] são [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] que se sobrepõem exatamente; há intercâmbios problemáticos entre uma e outra [[lexico:e:esfera:start|esfera]] como veremos no decorrer da nossa excursão pela ontologia; mas não são idênticas nem se propõem o mesmo [[lexico:f:fim:start|fim]] as reflexões ontológicas e as metafísicas. Assim, pois, [[lexico:a:agora:start|agora]] saímos daquela intricada parte da metafísica para entrar nesta não menos intricada, porém muito [[lexico:i:interessante:start|interessante]] parte, a ontologia. Não se me oculta, evidentemente, a dificuldade da empresa. Não é fácil aquilo que vamos fazer; não é fácil em poucas lições chegar a um [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] [[lexico:p:profundo:start|profundo]] dos problemas variadíssimos que a ontologia apresenta, e menos ainda podemos [[lexico:t:ter:start|ter]] a pretensão de dar-lhes aqui uma solução. Mas isso não importa, porque à filosofia não apetece menos que as soluções o doce [[lexico:p:prazer:start|prazer]] do difícil [[lexico:c:caminho:start|caminho]] que a elas conduz. Assim como o excursionista se diverte muito mais durante a excursão que ao término dela, assim também nós, nessa excursão introdutória pelo campo da filosofia, o que pretendemos é simplesmente aguçar a [[lexico:p:percepcao:start|percepção]], a [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] dos problemas filosóficos. Todavia, devo fazer ressaltar dois requisitos fundamentais que são necessários para que nossa excursão pelo campo da ontologia obtenha frutos gratos c proveitosos. Estes dois requisitos são duas disposições do ânimo que é mister desenvolver para que essas lições últimas sejam frutíferas. A primeira delas é aquilo que [[lexico:e:eu:start|eu]] chamaria [[lexico:i:ingenuidade:start|ingenuidade]]. É mister que nos coloquemos diante dos problemas da ontologia com ânimo ingênuo, desprovido de preconceitos; é mister que aquilo que sabemos, aquilo que estudamos em livros e [[lexico:t:teoria:start|teoria]], não venha sobrepor-se à intuição clara dos objetos que consigamos produzir em nós mesmos. Esta intuição direta, clara, dos objetos mesmos não deve [[lexico:s:ser:start|ser]] enturvada por uma atmosfera de teorias ou de conceitos apreendidos ou estudados antes. Isso é o que eu chamo ingenuidade, e nessa [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] ingênua do ânimo ê conveniente que se coloque o leitor para acometer os problemas da ontologia. Mas, ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]], é também exigível outra disposição de ânimo que parece contradizer a primeira: refiro-me ao rigor na marcha reflexiva do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]. É indispensável que nossas intuições, nossas visões nessa excursão pelo campo da ontologia, sejam rigorosas, precisas, as mais claras [[lexico:p:possivel:start|possível]], de maneira que façamos este [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] com uma [[lexico:p:preocupacao:start|preocupação]] de exatidão comparável com a das próprias matemáticas. E por isso digo que as duas condições, a ingenuidade é o rigor, em certo [[lexico:m:modo:start|modo]] se contradizem. A ingenuidade é algo assim como a puerilidade, como a infância, e, de outra parte, o rigor é uma [[lexico:v:virtude:start|virtude]] que somente os homens habituados ao trabalho intelectual, à [[lexico:m:meditacao:start|meditação]] reflexiva, podem desenvolver. E, todavia, estas duas [[lexico:v:virtudes:start|virtudes]], aparentemente opostas, são as que convém que o aspirante a [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] cultive. Por [[lexico:u:ultimo:start|último]], também interessa uma terceira disposição de ânimo que é a paciência. Ouçamos a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] de [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] quando nos aconselha que evitemos a precipitação. Evitar a precipitação consiste em contentar-se, em cada uma das etapas da viagem filosófica, com os resultados que se obtiveram, sem pretender, de modo algum, antecipar soluções prematuras nem levantar problemas que não estejam eles mesmos levantados espontaneamente pela constelação dos resultados a que se haja chegado. Com este viático, com esta preparação para a viagem, vamos ao campo intricado da ontologia; e de início encontramos, ao chegar a essa parte da selva, o letreiro que diz: "Ontologia". {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}