===== MENSAGEM ===== Em [[lexico:t:teoria-da-informacao:start|teoria da informação]], [[lexico:d:dado:start|dado]] certo [[lexico:a:alfabeto:start|alfabeto]], uma mensagem sobre este alfabeto é qualquer [[lexico:s:sucessao:start|sucessão]] (finita) de sinais do alfabeto. (Francisco Doria - [[lexico:d:dcc:start|DCC]]) 84. Falamos, pois, de [[lexico:d:deuses:start|deuses]] acenantes e, só como que em transcurso, do «reinar [[lexico:o:oculto:start|oculto]]» desses deuses, ao dizermos que o [[lexico:s:simbolo:start|símbolo]] arquetípico é «[[lexico:r:reino:start|reino]] desocultado» do «oculto reinar» dos deuses. Portanto, [[lexico:n:nao:start|não]] insistimos na «ocultação dos deuses»; os deuses são só deuses, e não [[lexico:d:deus:start|Deus]], porque podem e querem sair de seu «reino oculto», porque conseguem sair dele, quando os «possessos» deles deles se libertam pelo [[lexico:s:saber:start|saber]] o que são, pelo dizer, como podem, o que cada um deles é. E isto, fazem-no os homens, cuja [[lexico:r:religiao:start|religião]] e [[lexico:a:arte:start|arte]] falam a [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] do [[lexico:m:mito:start|mito]]. Talvez seja inútil superfetação o explicarmos porque se deu o [[lexico:n:nome:start|nome]] de símbolo arquetípico ao binômio «[[lexico:h:homem-mundo:start|homem-mundo]]». Diga-se apenas que esta é outra [[lexico:d:designacao:start|designação]] do Macro-Símbolo, e que é símbolo na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que [[lexico:h:homem:start|homem]] e [[lexico:m:mundo:start|mundo]], conjuntamente, têm seu «ser-origem» no aceno do deus-possessivo. Estou perfeitamente cônscio de que vou contar um mito: que «era uma vez» em que o homem se apercebeu do [[lexico:s:silencio:start|silêncio]] que precede e do silêncio que trespassa toda a linguagem mítica, de um silêncio insignificado por [[lexico:p:palavras:start|palavras]] significantes, um silêncio que esperava [[lexico:s:significacao:start|significação]], e que essa significação só viria de [[lexico:o:outro:start|outro]] mito mais abrangente, ou do que já não seria propriamente mito. Se ainda era mito, já não o era como [[lexico:e:expressao:start|expressão]] desocultante do «oculto reinar» de cada um dos deuses, do [[lexico:a:ato:start|ato]] mediante o qual o homem punha fora de si, projetava fora de si, o [[lexico:s:ser:start|ser]] do deus que possuía — a si e ao mundo. Talvez, num primeiro estágio deste [[lexico:p:processo:start|processo]], a «possessão» passasse de contínua a intermitente. Talvez a religião, por vezes, despertasse do «sono do seu [[lexico:c:culto:start|culto]]», e que, nesses momentos de vigília, o homem se apercebesse daquele silêncio insignificado. E, por [[lexico:f:fim:start|fim]], se desse conta de que os deuses são «mensageiros da Divindade». Isto pode ainda ser mito, mas já é mito, ou já pertence ao mito que correrá paripassu ao lado ou através do [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] (que consiste em retirar sucessivas envolturas) da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]. Presumivelmente, o desenvolvimento da metafísica vai dar na sua completa desnudificação, e, desnuda, a metafísica diz o que na linguagem desse mito procurava dar-se como mais ou menos completa expressão deste «facto» novo: os deuses são «mensageiros da Divindade», os deuses acenantes perderam algo do seu ser, enquanto «mensageiros da Divindade», e o que eles perderam, ganhou-o a Divindade, de que não se falava até então. Mas, por [[lexico:a:agora:start|agora]], o ser da Divindade parece esgotar-se no seu envio de mensagens que são os deuses acenantes, e a mensagem, no aceno. O aceno, acenante para o símbolo arquetípico, já não acena só para este e para o deus que o acena. O aceno-acenante, é-o, também, para fora ou para cima do «oculto reinar» dos deuses, e o «reinar dos deuses», enquanto se desoculta no «homem-mundo», no símbolo arquetípico, desoculta-se também no serem, os deuses acenantes, acenantes de uma mensagem da Divindade. Quer dizer, aquele símbolo faz-se, por [[lexico:m:meio:start|meio]] dos deuses, o conteúdo e a [[lexico:f:forma:start|forma]] da mensagem. Oculto, agora, só fica o Expediente da mensagem, que, como [[lexico:t:todo:start|todo]] o expediente de mensagens, não é a mensagem, qualquer das mensagens, ou todas as mensagens em conjunto, que envia, enviou ou enviará. Não vemos, portanto, como «o Deus aparece no seu ser, a partir do oculto reinar dos deuses». A menos que o ser de Deus apenas consistisse do ser Expediente das mensagens. É [[lexico:v:verdade:start|verdade]] que [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] acrescenta: «o Deus aparece no seu ser, que o subtrai a todo o confronto com [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] presente». [EudoroMito:172-173] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}