===== MENS ===== O [[lexico:h:homem|homem]] por sua [[lexico:a:alma|alma]] pertence, portanto, ao [[lexico:m:mundo|mundo]] dos [[lexico:e:espiritos|espíritos]]. Pode-se [[lexico:p:pensar|pensar]] que sua [[lexico:n:natureza|natureza]] profunda [[lexico:n:nao|não]] tenha [[lexico:n:nada|nada]] de comum com a dos seres superiores? [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], já pudemos disso nos aperceber estudando o [[lexico:c:conhecimento-da-alma|conhecimento da alma]] [[lexico:p:por-si|por si]] mesma, não pensa assim. Devemos retomar aqui esta [[lexico:q:questao|questão]] em toda a sua amplitude. (Cf. A. [[lexico:g:gardeil|Gardeil]], Structure de L’âme. Ire. Partie t. I, págs. 47-152) A [[lexico:e:estrutura|estrutura]] intelectiva da "mens". Para designar a alma espiritual do homem, nosso Doutor possui um [[lexico:t:termo|termo]] técnico: "mens". Algumas vezes aplica [[lexico:e:esse|esse]] termo aos espíritos puros que serão chamados "totaliter mens", mas normalmente o reserva para o [[lexico:e:espirito|espírito]] encarnado que é nossa alma. Pode-se perguntar se esta [[lexico:e:expressao|expressão]] "mens" corresponde à [[lexico:p:potencia|potência]] intelectiva, ou à [[lexico:e:essencia|essência]] mesma da alma. De [[lexico:f:fato|fato]], como o termo "intellectus", que às vezes significa a potência e às vezes a própria alma intelectiva, "mens" pode [[lexico:s:ser|ser]] aplicado a uma e outra [[lexico:c:coisas|coisas]]. De maneira sintética dir-se-á que a "mens" designa a alma espiritual enquanto é [[lexico:p:principio|princípio]] de nossas operações superiores. Qual é, pois, a estrutura da "mens"? Para compreendê-la, voltamo-nos para os mais perfeitos espíritos criados, os [[lexico:a:anjos|anjos]], e perguntemos [[lexico:c:como-se|como se]] constituem. Sabemos que [[lexico:t:todo|todo]] ser elevado a um [[lexico:g:grau|grau]] de [[lexico:i:imaterialidade|imaterialidade]] conveniente, torna-se apto a receber, [[lexico:a:alem|além]] de sua [[lexico:f:forma|forma]] própria, a dos outros seres: é um [[lexico:s:sujeito|sujeito]] cognoscente. Mas, além disso, se for totalmente liberto da [[lexico:m:materia|matéria]] corporal, [[lexico:o:o-que-e|o que é]] o caso dos anjos, torna-se imediatamente [[lexico:i:inteligivel|inteligível]]. O espírito [[lexico:p:puro|puro]], o [[lexico:a:anjo|anjo]], do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista de sua [[lexico:a:atividade|atividade]] [[lexico:s:superior|superior]], caracteriza-se por isto: é ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] [[lexico:i:inteligencia-e-inteligivel|inteligência e inteligível]] em [[lexico:a:ato|ato]] e, além disso, o inteligível que constitui sua essência é imediatamente presente à sua potência. Nada [[lexico:f:falta|falta]], pois, para que se produza o ato de [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]: o anjo se conhece a [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] por sua essência, "per essentiam", e é esta essência que constitui o [[lexico:o:objeto|objeto]] [[lexico:p:proprio|próprio]] de sua [[lexico:f:faculdade|faculdade]] cognoscitiva. Dá-se o mesmo com o homem? No [[lexico:e:estado|Estado]] de alma separada o homem pensa - muito imperfeitamente, aliás - conforme o [[lexico:m:modo|modo]] angélico. É porque já nesta [[lexico:v:vida|vida]] deve o homem possuir em estado [[lexico:l:latente|latente]], ou no nível de [[lexico:h:habito|hábito]], a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de se conhecer a si mesmo: é o que Tomás de Aquino queria significar com seu conhecimento habitual da alma por si mesma. Em sua estrutura profunda de espírito a alma humana, a "mens", caracteriza-se, pois, pela imediação ou pela [[lexico:p:presenca|presença]] de um objeto inteligível e de um sujeito inteligente. Só a [[lexico:n:necessidade|necessidade]] preliminar do [[lexico:c:conhecimento-abstrativo|conhecimento abstrativo]] suspende, para esta vida, a atuação correspondente a este estado interior da alma. Todas estas coisas exprimiu-as perfeitamente João de [[lexico:s:santo|santo]] Tomás neste [[lexico:b:belo|belo]] [[lexico:t:texto|texto]]: "Em nosso estado [[lexico:a:atual|atual]], a [[lexico:u:uniao|união]] objetiva da alma inteligível com a alma sujeito e [[lexico:r:raiz|raiz]] da [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] é já realizada, mas virtualmente, pois o estado de [[lexico:s:separacao|separação]] da alma e do [[lexico:c:corpo|corpo]] aqui é [[lexico:v:virtual|virtual]]. Entretanto, esta união não se manifesta atualmente, por [[lexico:c:causa|causa]] da necessidade em que se encontra a alma de se dirigir às coisas sensíveis para conhecer: o que a impede de se conhecer a si mesma imaterialmente, puramente, por si mesma. Isto porque a potência intelectiva emanando da alma, emana dela como de uma raiz inteligente e como de um objeto inteligível, mas que, de si, não manifesta ainda sua [[lexico:i:inteligibilidade|inteligibilidade]] puramente, espiritualmente e imediatamente, enquanto está no estado presente. Sua inteligibilidade permanece amarrada em [[lexico:r:razao|razão]] da necessidade de recorrer às coisas sensíveis para se atualizar. E isto porque esta união íntima da inteligência e da alma inteligível não se revela, nem de um lado, nem de [[lexico:o:outro|outro]], até que a alma esteja separada". Curs. Theol., in Iam Part., q. 55, disp. 21, a. 2, n. 131 Afinal, se compete à natureza da alma humana informar um corpo e agir segundo essa [[lexico:c:condicao|condição]], há igualmente nela, em estado latente, o que é preciso para [[lexico:v:viver|viver]] à maneira dos espíritos: [[lexico:d:dualismo|dualismo]] do encarnado e do espiritual que encontramos em todas as camadas do psiquismo e que não poderia deixar de se encontrar no fundo mesmo do homem.