===== MELISSO ===== Melisso nasceu em Samos entre fins do século VI e os primeiros anos do século V a.C. Foi capacitado [[lexico:h:homem:start|homem]] do mar e hábil [[lexico:p:politico:start|político]]. Em 442 a.C, nomeado estratego por seus concidadãos, derrotou a frota de Péricles. Escreveu um livro Sobre a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] ou sobre o [[lexico:s:ser:start|ser]], do qual chegaram até nós alguns fragmentos. Com uma [[lexico:p:prosa:start|prosa]] clara e procedendo com rigor dedutivo, Melisso sistematizou a doutrina eleática, ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] em que a corrigiu em alguns pontos. Em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], afirmou que o ser deve ser "[[lexico:i:infinito:start|infinito]]" (e [[lexico:n:nao:start|não]] [[lexico:f:finito:start|finito]], como dizia [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]]), porque não tem limites temporais nem espaciais e também porque, se fosse finito, deveria se limitar com um [[lexico:v:vazio:start|vazio]] e, portanto, com um [[lexico:n:nao-ser:start|não-ser]], [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] [[lexico:i:impossivel:start|impossível]]. Enquanto infinito, o ser também é necessariamente [[lexico:u:uno:start|uno]]: "com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], se fossem dois, não poderiam ser infinitos, pois um deveria [[lexico:t:ter:start|ter]] seu [[lexico:l:limite:start|limite]] no [[lexico:o:outro:start|outro]]". Ademais, Melisso qualificou [[lexico:e:esse:start|esse]] uno-infinito como "[[lexico:i:incorporeo:start|incorpóreo]]", não no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de que é imaterial, mas de que é [[lexico:p:privado:start|privado]] de qualquer [[lexico:f:figura:start|figura]] que determine os corpos, não podendo, portanto, ter nem mesmo a figura perfeita da [[lexico:e:esfera:start|esfera]], como queria Parmênides. (O [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de incorpóreo no sentido de imaterial só iria nascer com [[lexico:p:platao:start|Platão]].) O segundo [[lexico:p:ponto:start|ponto]] em que Melisso corrigiu Parmênides consistiu na total eliminação do [[lexico:c:campo:start|campo]] da [[lexico:o:opiniao:start|opinião]], com um [[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]] de notável agudeza especulativa, a) As múltiplas [[lexico:c:coisas:start|coisas]] que os sentidos pareceriam atestar existiriam verdadeiramente e o nosso [[lexico:c:conhecimento-sensivel:start|conhecimento sensível]] seria veraz só com uma [[lexico:c:condicao:start|condição]]: que cada uma dessas coisas permanecesse sempre tal como nos apareceu da primeira vez, ou seja, com a condição de que cada uma dessas coisas permanecesse sempre idêntica e imutável como o Ser-Uno. b) No entanto, com base em nosso [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] [[lexico:e:empirico:start|empírico]], ao contrário, constatamos que as múltiplas coisas que são [[lexico:o:objeto:start|objeto]] de [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] [[lexico:s:sensivel:start|sensível]] nunca permanecem idênticas, mas sim mudam, se alteram, corrompem-se continuamente, precisamente ao contrário do que exigiria o [[lexico:e:estatuto:start|estatuto]] do ser e da [[lexico:v:verdade:start|verdade]], c) Desse [[lexico:m:modo:start|modo]], há [[lexico:c:contradicao:start|contradição]] entre aquilo que a [[lexico:r:razao:start|razão]] reconhece como condição absoluta do ser e da verdade, por um lado, e aquilo que os sentidos e a [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] atestam, por outro, d) A contradição é eliminada por Melisso com a firme [[lexico:n:negacao:start|negação]] da [[lexico:v:validade:start|validade]] dos sentidos e daquilo que os sentidos proclamam (porque, em [[lexico:s:substancia:start|substância]], os sentidos proclamam o não-ser), em total benefício daquilo que é proclamado pela razão, e) Assim, a única [[lexico:r:realidade:start|realidade]] é o Ser-Uno: o [[lexico:h:hipotetico:start|hipotético]] [[lexico:m:multiplo:start|múltiplo]] só poderia [[lexico:e:existir:start|existir]] se pudesse ser como o Ser-Uno, como ele diz expressamente: "Se os muitos existissem, cada qual deles deveria ser como é o Uno." Assim, o [[lexico:e:eleatismo:start|eleatismo]] se concluiu com a [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] de um Ser [[lexico:e:eterno:start|eterno]], infinito, uno, igual, imutável, imóvel, incorpóreo (em sentido impreciso) e com a explícita e categórica negação do múltiplo, negando, portanto, o [[lexico:d:direito:start|direito]] dos fenômenos a pretenderem um [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] veraz. Está claro que só um ser privilegiado ([[lexico:d:deus:start|Deus]]) poderia ser como o eleatismo exige, mas não [[lexico:t:todo:start|todo]] ser. [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] censurou os [[lexico:e:eleatas:start|eleatas]] por beirarem à [[lexico:l:loucura:start|loucura]], ou seja, por terem exaltado a razão, levando-a a um tal [[lexico:e:estado:start|Estado]] de embriaguez, a ponto de ela não querer entender ou reconhecer [[lexico:n:nada:start|nada]] [[lexico:a:alem:start|além]] de si mesma e de sua [[lexico:l:lei:start|lei]]. Isso é, sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]]. Mas também é verdadeiro que o maior [[lexico:e:esforco:start|esforço]] da [[lexico:e:especulacao:start|especulação]] posterior, dos pluralistas a Platão e ao próprio Aristóteles, iria consistir exatamente em procurar corrigir essa "embriaguez" ou "loucura" da razão, procurando reconhecer à razão as suas razões, mas ao mesmo tempo procurando reconhecer também à experiência as suas próprias razões. Em [[lexico:s:suma:start|suma]], tratava-se de salvar o [[lexico:p:principio:start|princípio]] de Parmênides, mas, ao mesmo tempo, de salvar também os fenômenos. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}