===== MEIOS DE COMUNICAÇÃO ===== O ‘[[lexico:m:meio|meio]]’ de [[lexico:c:comunicacao|comunicação]], como a própria [[lexico:p:palavra|palavra]] o mostra, se situa entre os sujeitos comunicantes. Ele é, portanto, [[lexico:e:exterior|exterior]], [[lexico:p:publico|público]]; servido para a comunicação, ele pertence à [[lexico:c:comunidade|comunidade]], é comum. “[[lexico:e:exterioridade|exterioridade]]” e “[[lexico:e:existencia|existência]] pública” são características dos [[lexico:e:elementos|elementos]] que se estruturam nos sistemas ideológicos: os ideologemas. Vamos analisar rapidamente as [[lexico:r:relacoes|relações]] entre os [[lexico:m:meios-de-comunicacao|meios de comunicação]] e a [[lexico:i:ideologia|ideologia]] de um [[lexico:g:grupo|grupo]]. Os instrumentos. Conforme a [[lexico:p:posicao|posição]] fenomenológica, as [[lexico:c:coisas|coisas]] em nosso [[lexico:m:mundo|mundo]] constituem uma [[lexico:t:totalidade|totalidade]] estruturada; o que possibilita essa estruturação é a [[lexico:u:utilidade|utilidade]] das coisas. Assim, o martelo é aquilo que “serve para pregar pregos”, o prego é aquilo que “serve para sustentar quadros na parede” ou para “juntar pedaços de madeira”, e assim em diante. Mas de onde partem os instrumentos e para onde nos levam eles? Os instrumentos “partem de nós”; deles nos servimos conforme nossos desejos e necessidades quotidianas. E, enquanto intermediários, mediadores entre nós e os outros coisas de nosso quotidiano, os instrumentos nos ligam ao mundo. Os objetos. De repente, um [[lexico:i:instrumento|instrumento]] adquire “especial [[lexico:s:significacao|significação]]” para nós. Conforme se mostra na [[lexico:a:analitica-do-objeto|analítica do objeto]], o [[lexico:o:objeto|objeto]] é um instrumento que saiu da transitoriedade e do [[lexico:d:dever|dever]] quotidiano, tornando-se algo cujo [[lexico:s:sentido|sentido]] é [[lexico:d:dado|dado]] por outra [[lexico:c:coisa|coisa]] que [[lexico:n:nao|não]] a sua utilidade quotidiana. Vê-se esta [[lexico:t:transformacao|transformação]], por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], no caso de objetos pessoais, como um chaveiro “de estimação” cuja [[lexico:p:perda|perda]] muito lamentaremos. Ou no caso de objetos públicos: a roupa será “bonita” ou “feia” em [[lexico:f:funcao|função]] da impessoalidade da [[lexico:m:moda|moda]], de sua eroticidade, ou de seu [[lexico:s:simples|simples]] apelo visual. Em alguns casos de objetos pessoais torna-se fácil “[[lexico:e:explicar|explicar]]” a [[lexico:o:origem|origem]] de sua transformação de instrumento em objeto — o chaveiro pode me [[lexico:t:ter|ter]] sido presenteado numa [[lexico:o:ocasiao|ocasião]] “especial”; nos objetos públicos, no entanto, o seu sentido é sempre misterioso, e quando a [[lexico:r:respeito|respeito]] dele interrogamos, as respostas que nos são dadas serão sempre “ideológicas” — pertencentes a um [[lexico:s:saber|saber]] comum cuja própria [[lexico:t:transparencia|transparência]] é seu maior [[lexico:m:misterio|mistério]]. Por exemplo, o apelo da moda dependerá e fatores tão estranhos quanto “o [[lexico:g:gosto|gosto]] dos costureiros”, o “[[lexico:i:interesse|interesse]] comercial dos fabricantes de roupa”, o “[[lexico:i:intrinseco|intrínseco]] erotismo de certos tipos de tecidos”. Nenhuma destas explicações se deixa elucidar fora do [[lexico:c:circulo|círculo]] das explicações ideológicas, desde que costureiros, industriais espoliadores e teóricos sobre o erotismo não pertencem a nosso quotidiano. [[lexico:i:instrumento-e-objeto|instrumento e objeto]]. O instrumento nos liga ao mundo, ou seja, ao transitório. A que nos relaciona o objeto? Ao “[[lexico:e:eterno|eterno]]”, “permanente”, ao “[[lexico:i:ideal|ideal]]”. O objeto é a [[lexico:p:presenca|presença]] em nosso quotidiano de algo que não pertence a este quotidiano. O objeto [[lexico:p:pessoal|pessoal]] nos lembra o “[[lexico:m:momento|momento]] de [[lexico:g:gloria|glória]]”, mas de onde vem a glória do momento? De sua valorização ideológica. O objeto público já tem o seu sentido dado claramente dentro [[lexico:s:sistema|sistema]] ideológico: o brasão de minha [[lexico:f:familia|família]] tem uma águia porque a águia “é o [[lexico:s:simbolo|símbolo]] da majestade”; a bandeira do país tem tais e tais cores porque “elas representam nossas riquezas e qualidades”. Objeto e [[lexico:p:persona|persona]]. Conforme se vê na [[lexico:a:analitica|analítica]] existencial_ da comunicação, os limites de minha [[lexico:p:pessoa|pessoa]] para a “exterioridade”, para a “[[lexico:v:vida|vida]] pública” são dados pelos limites de meu [[lexico:e:espaco|espaço]] pessoal, de minha persona. A persona é aquilo que me caracteriza para os outros; no meu escritório [[lexico:e:eu|eu]] “sou” as minhas roupas espalhadas, os “fatos engraçados” que aconteceram comigo. Para o [[lexico:a:artista|artista]] popular, ele será toda a mise-en-scène que seu diretor de [[lexico:e:espetaculo|espetáculo]] tiver preparado, ou a “[[lexico:i:imagem|imagem]]” que a [[lexico:a:agencia|agência]] publicitária programar para vendê-lo. O meio é a [[lexico:m:mensagem|mensagem]]? Desde que o “[[lexico:s:significado|significado]]” da pessoa é dado pelos objetos que a cercam e que a encobrem, no caso de nossa existência entre os outros não tem sentido separarmos o “significado” do objeto do [[lexico:p:proprio|próprio]] objeto. O objeto — seja ele uma coisa (chaveiro, roupa, [[lexico:e:estatua|estátua]]) ou “[[lexico:n:nocao|noção]] comum” — é seu próprio sentido. Compreende-se aqui o alcance da [[lexico:m:metafora|metáfora]] de [[lexico:m:mcluhan|McLuhan]], embora ele não pareça sempre [[lexico:c:compreender|compreender]] a [[lexico:r:relacao|relação]] meio/mensagem desta [[lexico:f:forma|forma]]. A distância [[lexico:e:existencial|existencial]]. A forma de objetos, os meios de comunicação sempre existirão. Como objetos públicos, isto é, objetos de “sentido comum” para um grande grupo de pessoas, é certo que o nosso [[lexico:t:tempo|tempo]] se caracteriza pela alta difusão de ideologemas através de meios de comunicação.