===== MECANICISMO ===== (in. Mechanism; fr. Mécanisme, al. Mecanismus; it. Meccanicismó). Toda doutrina que recorra à [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] mecanicista. Entende-se por explicação mecanicista a que utiliza exclusivamente o [[lexico:m:movimento:start|movimento]] dos corpos, entendido no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] restrito de movimento espacial. Nesse sentido, é mecanicista a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] que [[lexico:n:nao:start|não]] admite outra explicação [[lexico:p:possivel:start|possível]] para os fatos naturais, seja qual for o domínio a que eles pertençam, [[lexico:a:alem:start|além]] daquela que os interpreta como movimentos ou combinações de movimentos de corpos no [[lexico:e:espaco:start|espaço]]. O mecanicismo pode [[lexico:s:ser:start|ser]] considerado: 1) uma concepção filosófica do [[lexico:m:mundo:start|mundo]]; 2) um [[lexico:m:metodo:start|método]] ou [[lexico:p:principio:start|princípio]] diretivo da [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] científica. 1) Como concepção filosófica do mundo, o mecanicismo apresentou-se desde a [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]] como [[lexico:a:atomismo:start|atomismo]] . A concepção do mundo como [[lexico:s:sistema:start|sistema]] de corpos em movimento, como uma grande [[lexico:m:maquina:start|máquina]], é [[lexico:t:tipica:start|típica]] do atomismo antigo. O [[lexico:m:materialismo:start|materialismo]] dos sécs. XVIII e XIX retomou essa concepção, que tem as seguintes características: d) [[lexico:n:negacao:start|negação]] de qualquer [[lexico:o:ordem:start|ordem]] fina-lista; a polêmica entre mecanicismo e [[lexico:f:finalismo:start|finalismo]] começou a partir de séc. XVII, quando o mecanicismo se firmou com o surgimento da [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] [[lexico:m:moderna:start|moderna]]; atualmente muitas vezes o [[lexico:t:termo:start|termo]] mecanicismo é interpretado apenas como negação do finalismo ; b) [[lexico:d:determinismo:start|determinismo]] rigoroso, representado pelo [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]] necessária infiltrada em todos os fenômenos da natureza; hoje é considerada como não-mecanicista qualquer concepção do mundo que negue o determinismo rigoroso. As duas características acima são tipicamente expressas pela [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] de [[lexico:h:hobbes:start|Hobbes]], que constitui um dos melhores exemplos de mecanicismo filosófico (v. materialismo). Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, a [[lexico:v:visao:start|visão]] mais perspicaz que as filosofias antimecanicistas do séc. XIX assumiram perante o mecanicismo foi expressa por Lotze, em [[lexico:m:microcosmo:start|microcosmo]] (1856): "a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] que cabe ao mecanicismo na ordenação do [[lexico:u:universo:start|universo]] é [[lexico:u:universal:start|universal]], sem exceções no que se refere à [[lexico:e:extensao:start|extensão]], mas absolutamente secundário no que se refere à importância" (Mikrokosmus, I, Intr.; trad. it., p. 10, ‘); ou, em outros termos, o mecanicismo não passa de [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] utilizado pelo Princípio [[lexico:r:racional:start|racional]] ou [[lexico:d:divino:start|divino]] do universo para cumprir seus objetivos. Na filosofia espiritualista contemporânea, [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista mesclou-se à [[lexico:c:critica:start|crítica]] ab [[lexico:e:extrinseco:start|extrínseco]] dos [[lexico:p:principios:start|princípios]] científicos do mecanicismo A partir das últimas décadas do séc. XIX, o mecanicismo como concepção filosófica [[lexico:g:geral:start|geral]] deixou de [[lexico:t:ter:start|ter]] seguidores pelos [[lexico:m:motivos:start|motivos]] a seguir expostos. 2) O mecanicismo científico pode ser considerado: a) na [[lexico:f:fisica:start|física]]; b) nas outras ciências. a) Na física, o mecanicismo consiste na [[lexico:t:tese:start|tese]] de que todos os fenômenos da natureza devem ser explicados pelas leis da [[lexico:m:mecanica:start|mecânica]], e que, portanto, a própria mecânica deve ter um [[lexico:s:status:start|status]] privilegiado entre as outras ciências, porquanto lhes fornece os princípios explicativos. Ora, a mecânica como ciência é [[lexico:c:criacao:start|criação]] relativamente recente. Arquimedes conhecia os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] da estática, que é a [[lexico:p:parte:start|parte]] da mecânica que trata do equilíbrio das forças, mas a [[lexico:d:dinamica:start|dinâmica]], que é o [[lexico:e:estudo:start|estudo]] dos movimentos dos corpos sob a [[lexico:a:acao:start|ação]] das forças, era desconhecida dos antigos e foi inaugurada por Galilei e Newton. Depois, o princípio de D’Alembert unificou a estática e a dinâmica, mostrando que um [[lexico:p:problema:start|problema]] de dinâmica pode ser transformado num problema de equilíbrio de forças, portanto de estática, tomando em consideração forças fictícias chamadas "forças inerciais"; assim, p. ex., a órbita de um planeta em torno do [[lexico:s:sol:start|sol]] pode ser interpretada como equilíbrio entre a [[lexico:f:forca:start|força]] de gravitação e uma força centrífuga igual e oposta. Com essa concepção, a mecânica estava de algum [[lexico:m:modo:start|modo]] concluída em termos de teoremas fundamentais, e a partir de então sofreu transformações conceituais e linguísticas que visavam a torná-la mais coerente e [[lexico:s:simples:start|simples]]. Desse ponto de vista, pode-se dizer que em meados do séc. XIX teve início uma segunda fase do [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] da mecânica, graças sobretudo a Hamilton, com a [[lexico:s:substituicao:start|substituição]] da [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de força pela ideia de [[lexico:e:energia:start|energia]]. A primeira fase da mecânica foi caracterizada pela tentativa de [[lexico:e:explicar:start|explicar]] os fenômenos naturais reduzindo-os a inúmeras [[lexico:a:acoes:start|ações]] à distância entre os átomos da [[lexico:m:materia:start|matéria]]. A segunda fase inspira-se na importância adquirida pelo princípio de conservação da energia ([[lexico:e:enunciado:start|enunciado]] por Helmholtz em 1847) e pela [[lexico:e:expressao:start|expressão]] das leis fundamentais da mecânica, em termos de energia cinética e potencial. Uma terceira fase foi iniciada quase no [[lexico:f:fim:start|fim]] do séc. XIX por Hertz, que procurou reduzir a dinâmica à cinemática admitindo como fundamental a [[lexico:l:lei:start|lei]] do princípio mínimo: cada sistema livre persiste em seu [[lexico:e:estado:start|Estado]] de repouso e de movimento [[lexico:u:uniforme:start|uniforme]] pelo [[lexico:c:caminho:start|caminho]] mais curto. O mecanicismo em física é relativamente [[lexico:i:independente:start|independente]] dessas mudanças da mecânica. Como já foi [[lexico:d:dito:start|dito]], a [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] das teorias mecanicistas em física é utilizar exclusivamente as grandezas próprias da mecânica (força, [[lexico:m:massa:start|massa]], energia, etc). Podemos distinguir: a teoria mecanicista da descontinuidade e a teoria mecanicista do [[lexico:c:continuo:start|contínuo]]. A teoria mecanicista do [[lexico:d:descontinuo:start|descontínuo]] é a teoria atômica utilizada para explicar, além da [[lexico:l:luz:start|luz]] (teoria corpuscular), vários fenômenos; físicos como a adesão, a coesão, a capilaridade; deu [[lexico:l:lugar:start|lugar]] à teoria cinética dos gases e às primeiras teorias dos fenômenos elétricos. As teorias mecanicistas fundamentadas na continuidade só foram possíveis com a [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] de instrumentos de [[lexico:c:calculo:start|cálculo]] diferencial mais complexos; seu [[lexico:e:exemplar:start|exemplar]] é a [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] de Fresnel sobre o [[lexico:e:eter:start|éter]] elástico como [[lexico:m:meio:start|meio]] de propagação das ondas luminosas. Ambas as teorias foram eliminadas da física pela teoria do [[lexico:c:campo:start|campo]] , em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] da qual os [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] da mecânica deixaram de ter [[lexico:v:validade:start|validade]] como princípios explicativos gerais da física. Simultaneamente, a outra característica fundamental do mecanicismo, o determinismo rigoroso ou necessitarista, foi eliminada em virtude da consolidação da teoria quântica (v. causalidade). [[lexico:e:einstein:start|Einstein]] e Infeld dizem a [[lexico:r:respeito:start|respeito]]: "As leis da física quântica não governam o [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] de objetos particulares no [[lexico:t:tempo:start|tempo]], mas as variações da [[lexico:p:probabilidade:start|probabilidade]] no tempo" (The Evolution of Physic, IV; trad. it., p. 298). Com essa [[lexico:t:transformacao:start|transformação]], a física saiu de sua fase mecanicista e constituiu-se como ciência da [[lexico:p:previsao:start|previsão]] [[lexico:p:provavel:start|provável]] (v. física). b) O mecanicismo não foi apenas um princípio diretivo da física: a partir do séc. XVIII também foi o princípio diretivo de todas as outras ciências naturais, inclusive da [[lexico:b:biologia:start|biologia]], da [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] e da [[lexico:s:sociologia:start|sociologia]]. Obviamente, fora da física, o mecanicismo teve um [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:b:bem:start|Bem]] menos rigoroso: nem para a explicação dos fenômenos biológicos, psicológicos ou sociológicos mais simples chegou-se à exatidão quantitativa dos modelos mecânicos [[lexico:e:empregados:start|empregados]] para explicar, p. ex., o [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] da capilaridade ou o da interferência da luz. Fora da física, portanto, o mecanicismo foi uma [[lexico:a:aspiracao:start|aspiração]] genérica, uma tese filosófica ou, na melhor das [[lexico:h:hipoteses:start|hipóteses]], uma exigência genérica de método, mais que instrumento [[lexico:e:efetivo:start|efetivo]] de explicação. Como instrumento de polêmica, defendeu a [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] causal contra o finalismo; em termos positivos, afirmou em todos os campos a exigência da [[lexico:a:analise:start|análise]] quantitativa. Afora isso, as teses do mecanicismo nos vários campos da ciência são reducionistas: em biologia, consiste em reduzir as leis biológicas a leis físico-químicas; em psicologia, consiste em reduzir as leis psicológicas a leis biológicas; em sociologia, consiste em reduzir as [[lexico:l:leis-sociologicas:start|leis sociológicas]] a leis biológicas e psicológicas. A [[lexico:u:utilidade:start|utilidade]] dessas tendências reducionistas foi desvencilhar o campo das respectivas ciências de estruturas conceituais antiquadas, de pressupostos metafísicos ou teológicos que estorvavam a pesquisa ou até mesmo a bloqueavam. Contudo, a ciência do séc. XX, sobretudo a partir do [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] decênio, abandonou a postura reducionista e, portanto, o mecanicismo, sem voltar às posições às quais o mecanicismo se opunha. A biologia, p. ex., abandonou o [[lexico:p:pressuposto:start|pressuposto]] de que os fenômenos vitais são regidos apenas por leis físico-químicas, mas não admitiu qualquer [[lexico:f:forma:start|forma]] de [[lexico:v:vitalismo:start|vitalismo]] (v. [[lexico:e:evolucao:start|evolução]]; vitalismo). Pode-se dizer, portanto, que o mecanicismo foi abandonado, mas é preciso acrescentar que com ele também foram abandonadas as tendências conceptuais às quais ele se contrapunha e cuja correção representava. A partir de [[lexico:d:descartes:start|Descartes]], empregou-se [[lexico:m:mecanico:start|mecânico]] principalmente para designar uma teoria destinada a explicar as obras da natureza [[lexico:c:como-se:start|como se]] fossem obras mecânicas e, mais especificamente, como se fossem máquinas. Durante algum tempo, usou-se mecânico como equivalente a corpóreo e a material. Mecânico opunha-se, pois, a [[lexico:i:incorporal:start|incorporal]], a imaterial e a espiritual. Contudo, usou-se, e continua a usar-se, [[lexico:m:mecanismo:start|mecanismo]] para designar um modo de [[lexico:o:operacao:start|operação]] que pode referir-se, em princípio, não só às máquinas, mas também aos [[lexico:e:espiritos:start|espíritos]]. Fala-se, assim, de mecanismos da [[lexico:m:mente:start|mente]], mecanismos do [[lexico:e:espirito:start|espírito]], mecanismos da [[lexico:r:razao:start|razão]], etc. De um modo geral, em filosofia costuma chamar-se mecanismo à doutrina segundo a qual qualquer [[lexico:r:realidade:start|realidade]], pelo menos qualquer realidade [[lexico:n:natural:start|natural]], tem uma [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] à de uma máquina, de modo que pode explicar-se à base de modelos de máquinas. É este o sentido que se dá a mecanismo, quando se trata de [[lexico:f:filosofia-natural:start|filosofia natural]] de autores como Descartes, Newton, Hobbes, etc. Nem todos estes autores entendem o mecanicismo do mesmo modo. Descartes era radicalmente mecanicista no que diz respeito à [[lexico:s:substancia:start|substância]] pensante; Hobbes, em contrapartida, era radicalmente mecanicista em todos os sentidos, uma vez que à sua filosofia pode dar-se o [[lexico:n:nome:start|nome]] de filosofia dos corpos. Alguns outros mecanicistas eram ao mesmo tempo [[lexico:a:atomistas:start|atomistas]]; Descartes, em contrapartida, não o era. Alguns autores que se interessaram mais pela elaboração da ciência da mecânica do que pela filosofia mecanicista (Newton) eram mecanicistas científicos e só em parte mecanicistas filosóficos. Por isso é fácil [[lexico:v:ver:start|ver]] que mecanicismo é um termo [[lexico:c:complexo:start|complexo]] que encerra várias [[lexico:s:significacoes:start|significações]]. Por um lado, entende-se por mecanicismo uma [[lexico:s:serie:start|série]] de [[lexico:i:ideias:start|ideias]] próprias da mecânica nos seus três aspectos fundamentais de estática, cinemática e dinâmica. Por outro lado, entende-se por mecanicismo uma série de ideias filosóficas, quer relativas a toda a realidade natural - corpos e espíritos - quer confinadas à realidade corpórea material. Estas ideias encontraram-se comummente em estreita [[lexico:r:relacao:start|relação]] com o desenvolvimento da mecânica. Finalmente, entende-se por mecanicismo uma concepção do mundo que, por vezes, foi independente do [[lexico:n:naturalismo:start|naturalismo]], e até hostil ao mesmo, mas vinculou-se, muitas vezes, a doutrinas de caráter naturalista e materialista. Pode definir-se o mecanicismo como uma doutrina que trata a realidade - ou, consoante os casos, uma parte da realidade - como se fosse uma máquina ou como se pudesse ser explicada à base de um “[[lexico:m:modelo:start|modelo]] de máquina” (o [[lexico:c:chamado:start|chamado]] modelo mecânico). Ser uma máquina ou ser explicável à base de uma máquina não é a mesma [[lexico:c:coisa:start|coisa]]. Foi frequente, o mecanicismo, especialmente enquanto concepção do mundo, ser ao mesmo tempo uma doutrina sobre a natureza da realidade e uma doutrina sobre o melhor modo de explicar a realidade. O mecanicismo como concepção considera que a realidade consiste em corpos em movimento. Estes corpos podem, por vezes, considerar-se como um só [[lexico:c:corpo:start|corpo]] regido por leis mecânicas, mas é mais frequente admitir-se uma [[lexico:p:pluralidade:start|pluralidade]], em princípio infinita, de corpos elementares; por isso o mecanicismo foi muitas vezes atomista, isto é, combinou-se com uma filosofia corpuscular... Nesse caso, o mecanicismo é uma [[lexico:g:generalizacao:start|generalização]] da mecânica, a qual foi definida como a ciência do movimento. O mecanicismo como modo de explicação consiste na doutrina segundo a qual uma explicação é, em última [[lexico:i:instancia:start|instância]], uma explicação de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com um “modelo mecânico”. É menos evidente em que consiste esse modelo. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], logo que se tentam determinar as condições de uma explicação mecânica deve satisfazer-se, deparam-se-nos diversas dificuldades. Para já, a chamada explicação mecânica não tem o mesmo sentido preciso quando é uma explicação de caráter muito geral, onde a única coisa que serve de [[lexico:o:orientacao:start|orientação]] é a vaga ideia de máquina, e quando é uma explicação dada dentro de um corpo [[lexico:t:teoretico:start|teorético]] de uma ciência. O primeiro [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de explicação é dificilmente analisável, o [[lexico:u:ultimo:start|último]], em contrapartida, presta-se a uma análise quase completa. O [[lexico:f:fato:start|fato]] de não ter tido em conta a complexidade da natureza da explicação mecânica - ou, se quiser, das várias possíveis explicações mecânicas - permite [[lexico:c:compreender:start|compreender]], em grande parte, o caráter interminável das discussões acerca de se o mecanicismo [[lexico:m:moderno:start|moderno]] atingiu ou não o seu fim. Alguns autores alegam que tanto a evolução da ciência em geral, e da física em [[lexico:p:particular:start|particular]], como as novas ideias filosóficas, permitem [[lexico:f:falar:start|falar]] de uma [[lexico:d:decadencia:start|decadência]] do mecanicismo na ciência e na filosofia. Assim, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], as filosofias de [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] fenomenista e qualitativista, por um lado, e a importância cada vez maior de noções como as de estrutura, campo, [[lexico:f:funcao:start|função]], etc, por outro lado, são, no entender desses autores, uma [[lexico:p:prova:start|prova]] de que é anacrônico continuar a manter uma concepção mecanicista ou empenhar-se em continuar a dar explicações mecânicas. MECANICISMO é a tentativa de explicar mecanicamente, isto é, por meros movimentos locais de partes em si invariáveis, a estrutura íntima dos corpos e os acontecimentos da natureza em geral (mundividência mecanicista) ou em certos domínios parciais. A forma mais antiga de mecanicismo é o atomismo da [[lexico:f:filosofia-grega:start|filosofia grega]] (Leucipo, [[lexico:d:democrito:start|Demócrito]],) segundo o qual os corpos constam de partículas (átomos) invariáveis, que entre si se distinguem só pela [[lexico:g:grandeza:start|grandeza]], forma e colocação. A [[lexico:m:mudanca:start|mudança]] realiza-se apenas pelo movimento local, em que os átomos agem uns sobre os outros por pressão e choque e podem reunir-se entre si, em virtude de sua forma, para constituírem de maneira estável corpos maiores. Tudo isto, aliás, acontece com cega necessidade natural, sendo de excluir qualquer [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]]. Entre as formas posteriores de mecanicismo, Descartes e o [[lexico:c:cartesianismo:start|cartesianismo]] conservam os [[lexico:t:topicos:start|tópicos]] essenciais do mecanicismo geral: só [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] e [[lexico:n:numero:start|número]], movimento local, exclusão de quaisquer outras forças que não sejam as mecânicas, isto é, produtores de movimento, negação da finalidade. Descartes estende esta explicação à [[lexico:v:vida:start|vida]] dos vegetais e animais; os animais são por ele tidos na conta de meros autômatos sem [[lexico:c:consciencia:start|consciência]]. Todavia, o mecanicismo só se converte em materialismo, quando a [[lexico:v:vida-consciente:start|vida consciente]] é interpretada também de maneira mecanicista, negando-se, por conseguinte, a [[lexico:a:alma:start|alma]] essencialmente distinta do corpo, e o espírito. — Forma peculiar do mecanicismo é a chamada teoria mecânica (ou maquinal) da vida (orgânica), segundo a qual o [[lexico:o:organismo:start|organismo]] é simplesmente um sistema material, ordenado à maneira de máquina, sem [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] [[lexico:s:substancial:start|substancial]] da [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] nem finalidade interna, ou seja, sem um [[lexico:p:principio-vital:start|princípio vital]] (princípio vital) substancial. Não obstante, a teoria mecânica não reduz necessariamente todos os acontecimentos da vida a puras forças mecânicas, nem nega necessariamente toda finalidade (externa); via de [[lexico:r:regra:start|regra]], considerada a forma organizada da matéria como algo originariamente [[lexico:d:dado:start|dado]], que desde o início coexiste com a matéria não organizada. — A teoria mecânica da vida é refutada pelos argumentos que fundamentam o vitalismo. No domínio do inorgânico, o mecanicismo fracassa, pelo menos em face dos resultados da moderna física atômica. Se, por exemplo, de um quanto de luz se pode originar um par de eletrões, não se pode dar disso uma [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] mecanicista, uma vez que o quanto de luz não pode ser concebido como [[lexico:c:composto:start|composto]] de dois eletrões. — De Vries. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}