===== MCLUHAN ===== McLuhan, Herbert Marshall, — Nasceu em Edmonton, Canadá. Doutorou-se emliteratura inglesa em Cambridge, e atualmente leciona na Universidade de Toronto. McLuhan começou a [[lexico:s:ser:start|ser]] debatido em 1964, quando foi publicado seu livro Understading Media ("Como [[lexico:c:compreender:start|compreender]] os [[lexico:m:meios-de-comunicacao:start|meios de comunicação]]"). Elevado à [[lexico:p:posicao:start|posição]] de "[[lexico:t:teorico:start|teórico]] da [[lexico:c:comunicacao:start|comunicação]] de [[lexico:m:massa:start|massa]]", e gozando das vantagens dessa posição (como o convite para [[lexico:a:aparecer:start|aparecer]] nas páginas da revista Playboy), ao choque e grande [[lexico:i:interesse:start|interesse]] despertado por suas [[lexico:i:ideias:start|ideias]] seguiram-se movimentos para desacreditá-lo como charlatão. Ainda [[lexico:n:nao:start|não]] foi feita uma [[lexico:a:analise:start|análise]] [[lexico:c:critica:start|crítica]] cuidadosa a [[lexico:r:respeito:start|respeito]] de suas ideias. Suas obras mais conhecidas são: The Mechanicd Bride ("A Noiva [[lexico:m:mecanica:start|Mecânica]]"); The Gutenberg Galaxy ("A Galáxia de Gutenberg"); Understanding Media; The Médium is the Massage; War and Peace in the Global Village ("[[lexico:g:guerra:start|guerra]] e [[lexico:p:paz:start|paz]] na Aldeia Mundial"). Costuma-se resumir suas teses afirmando-se que McLuhan pretende reinterpretar a [[lexico:h:historia:start|história]] através de uma análise dos meios de comunicação. A um [[lexico:u:universo:start|universo]] tribal originário,, onde a comunicação se processava oralmente e envolvedoramente, sucede-se um universo visual e linear, o universo [[lexico:a:analitico:start|analítico]] do [[lexico:a:alfabeto:start|alfabeto]], que eventualmente se imporá através da imprensa. Hoje em dia, com o surgimento dos meios eletrônicos de comunicação, implanta-se a "era elétrica", onde a tribalidade originária se reestabelece, através da "aldeia mundial" que congrega eletronicamente todos os homens. Embora sem que ainda possamos lhe atribuir um "[[lexico:v:valor:start|valor]]", McLuhan deve ser compreendido entre os teóricos e pensadores pós-marxistas que, de uma maneira ou de outra, vêm nosso [[lexico:t:tempo:start|tempo]] [[lexico:a:atual:start|atual]] como o "tempo da [[lexico:t:tecnica:start|técnica]]". Entre tais teóricos destacam-se Oswald [[lexico:s:spengler:start|Spengler]] e Lewis Munford. Spengler caracteriza seu [[lexico:m:metodo:start|método]] de análise histórica como sendo o "método fisiognômico". A fisiognomia procura compreender os movimentos culturais através da "[[lexico:a:arquitetura:start|arquitetura]]" de seus produtos; a ligação entre a [[lexico:c:cultura:start|cultura]] e a produção cultural não é causal, mas sim orgânica. E, da mesma maneira que podemos reconhecer numa folha a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] do galho onde ela nasce, a fisiognomia procura reconhecer, no [[lexico:p:produto:start|produto]] cultural, a "[[lexico:e:essencia:start|essência]]" da cultura que a gerou. Mumford, um arquiteto que nos seus trabalhos mais conhecidos sofreu uma evidente [[lexico:i:influencia:start|influência]] de Spengler, torna mais clara, nas suas análises, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] o "método fisiognômico". Mumford mostra como o universo medieval se concretiza no [[lexico:p:plano:start|plano]] das cidades medievais: em seu centro, e dominando a [[lexico:c:cidade:start|cidade]], as torres da igreja; à volta do casario, a muralha defensora, que marca [[lexico:b:bem:start|Bem]] os limites entre a cidade e o [[lexico:c:campo:start|campo]]. Nas casas medievais não há divisões internas especializadas, como a cozinha e o quarto de banhos — a cidade possui um forno [[lexico:p:publico:start|público]] e uma casa pública de banhos. Nesta estrutura Mumford pretende ler o [[lexico:p:principio:start|princípio]] comunitário que se costuma apresentar como_ sendo o [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:c:caracteristico:start|característico]] da [[lexico:v:vida:start|vida]] medieval. Após o [[lexico:r:renascimento:start|Renascimento]] e na Idade [[lexico:m:moderna:start|moderna]], Mumford mostra como, em paralelo à [[lexico:f:formacao:start|formação]] dos estados nacionais absolutistas, as muralhas das cidades desaparecem, o crescimento das cidades começa a ser arquitetonicamente planejado, e, ao mesmo tempo, surge o "[[lexico:i:individuo:start|indivíduo]]" — quando, dentro das habitações, se separam as "partes públicas" (salões) e as "partes íntimas" (quartos, alcovas, cozinha e salas de banho). Um [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] [[lexico:a:analogo:start|análogo]] a este, de individualização no [[lexico:c:concreto:start|concreto]] e [[lexico:g:generalizacao:start|generalização]] no [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]], e o que se revela através da [[lexico:r:reforma:start|Reforma]] agrária inglesa do século XVIII. As terras que eram, em certas épocas do ano, cultivadas comunitariamente, são divididas e atribuídas privativamente a cada um dos membros da [[lexico:c:comunidade:start|comunidade]] pelos enclosure acts. A comunidade desaparece em [[lexico:n:nome:start|nome]] de uma [[lexico:e:eficiencia:start|eficiência]] abstrata que deveria servir ao "[[lexico:b:bem-comum:start|bem comum]]" genérico, e ao mesmo tempo os membros da comunidade se tornam os indivíduos isolados que compõem a [[lexico:s:sociedade-moderna:start|sociedade moderna]]. A [[lexico:n:nocao:start|noção]] de "[[lexico:m:meio:start|meio]] de comunicação" desenvolvida por McLuhan está bastante próxima da "fisiognomia" de Spengler ou da concretização de arquétipos culturais de Mumford. A cidade é um meio de comunicação, como [[lexico:e:extensao:start|extensão]] de certa [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] nossa. E, ao mesmo tempo, quando nós construímos a cidade, nós moldamos o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] dentro de uma certa concepção cultural. A transição de um [[lexico:m:movimento:start|movimento]] cultural a [[lexico:o:outro:start|outro]] — como a transição da Idade Média à Idade Moderna — se faz destruindo-se o [[lexico:a:ambiente:start|ambiente]] onde a cultura anterior se havia cristalizado, e construindo-se um novo ambiente. Como a esta [[lexico:d:destruicao:start|destruição]] do ambiente corresponde, em termos existenciais, a uma destruição de nosso mundo, o membro da cultura de transição se sentirá "perdido" num mundo "[[lexico:a:absurdo:start|absurdo]]". Para McLuhan, a "dança da [[lexico:m:morte:start|morte]]" simboliza a [[lexico:a:angustia:start|angústia]] pré-renascentista, da mesma maneira que o teatro do absurdo concretiza a angústia de nosso tempo (visto como [[lexico:e:epoca:start|época]] de transição). Como um pensador enquadrado na linhagem spen-gleriana via Lewis Mumford, McLuhan deixa de ser um fenômeno à [[lexico:p:parte:start|parte]], como. diversos ensaístas pretenderam compreendê-lo, e ao mesmo tempo se torna "respeitável" e um pouco menos folclórico. Mas a maior crítica feita a McLuhan se baseia no evidente absurdo de afirmativas como "a guerra do Vietnam é um produto da televisão", ou "Hitler foi uma [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] do rádio". No entanto podemos compreender tais slogans (e muitos outros, como "o meio é a [[lexico:m:mensagem:start|mensagem]]") enquadrando-os não dentro da [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] do ensaísmo tradicional, mas sim dentro da linguagem da [[lexico:c:cultura-de-massa:start|cultura de massa]]. O que justificaria tais slogans é que eles foram construídos para terem [[lexico:v:validade:start|validade]] e fácil comunicabilidade através dos veículos da cultura de massa. Atingindo e envolvendo diretamente as mitologias da cultura de massa mundial (e tanto Hitler — através, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], do [[lexico:c:culto:start|culto]] folclórico ao nazismo que certos bandos de motociclistas da Califórnia fazem — quanto a guerra do Vietnam fazem muito realmente parte de um folclore ideológico mundial), McLuhan consegue uma surpreendente difusão para as suas ideias, cuja "[[lexico:v:verdade:start|verdade]]" poderá ser estabelecida quando as depurarmos das mitologias envolventes. Tal [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] ainda não foi feito, e talvez ainda seja cedo para tanto. Mesmo assim, certas ideias brilhantes podem ser descobertas dentro dos trabalhos de McLuhan. Citando Oppenheimer, McLuhan destaca a importância do amador frente ao especialista. Ora, o amador tem, hoje em dia, trabalho em áreas necessariamente sem especialidade definida, como a [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] operacional e a [[lexico:c:cibernetica:start|cibernética]] — cujos fundamentos foram postos dentro de uma [[lexico:v:visao:start|visão]] amadorista dos problemas a serem enfrentados (e mesmo outras áreas tradicionais estão abertas aos amadores: Lewis Mumford se declara um "especialista em generalidades", com certo [[lexico:s:sarcasmo:start|sarcasmo]]). Revalorizando o amador, McLuhan destaca o maior deles na [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] moderna, Michael Faraday, cujo [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:f:fisico:start|físico]] e fantástica [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] possibilitaram o [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] por Maxwell da [[lexico:t:teoria:start|teoria]] eletromagnética. Poderia [[lexico:t:ter:start|ter]] falado num amador como [[lexico:e:einstein:start|Einstein]] — que derrotou cérebros matemáticos do nível de Poincaré e Minkowski (a [[lexico:t:teoria-da-relatividade:start|teoria da relatividade]], como [[lexico:f:formalismo:start|formalismo]], já existia antes de Einstein; sua contribuição foi, basicamente, a [[lexico:a:atribuicao:start|atribuição]] de um sentido físico e concreto ao formalismo). A [[lexico:l:luta:start|luta]] do amador contra o especialista, conforme apresentada por McLuhan, parece ser um [[lexico:r:reflexo:start|reflexo]] da sua evidente (e irônica) luta por uma necessária renovação de ideias. O que o teria feito escolher veículos não ortodoxos para difundir as suas. E o que [[lexico:c:causa:start|causa]] a (ineficaz) condenação do ensaísmo oficial McLuhan não pode ser compreendido enquanto não compreendermos melhor a cultura de massa contemporânea. (Francisco Doria - [[lexico:d:dcc:start|DCC]]). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}