===== MAQUIAVELISMO ===== (in. Machiavelianism; fr. Machiavélisme, al. Machiavelismus; it. Machiavellismo). Doutrina [[lexico:p:politica:start|política]] de [[lexico:m:maquiavel:start|Maquiavel]] ou o [[lexico:p:principio:start|princípio]] no qual ela é convencionalmente resumida. A doutrina política do maquiavelismo tem explicitamente o [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] de indicar o [[lexico:c:caminho:start|caminho]] por [[lexico:m:meio:start|meio]] do qual as comunidades políticas em [[lexico:g:geral:start|geral]] (e a italiana em [[lexico:p:particular:start|particular]]) podem renovar-se conservando-se, ou conservar-se renovando-se. Tal caminho é o [[lexico:r:retorno:start|retorno]] aos [[lexico:p:principios:start|princípios]], conforme a concepção que o [[lexico:r:renascimento:start|Renascimento]] tem da renovação do [[lexico:h:homem:start|homem]] em todos os campos. O retorno aos princípios de uma [[lexico:c:comunidade:start|comunidade]] política supõe duas condições: 1) que suas [[lexico:o:origens:start|origens]] históricas sejam claramente reconhecidas, o que só pode [[lexico:s:ser:start|ser]] feito por meio de uma [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] histórica objetiva; 2) que sejam reconhecidas, em sua [[lexico:v:verdade:start|verdade]] afetiva, as condições a partir das quais ou através das quais o retorno deve ser realizado. A [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]] historiográfica e o [[lexico:r:realismo:start|realismo]] [[lexico:p:politico:start|político]] constituem, assim, os dois pontos básicos do maquiavelismo original. Graças a este segundo [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]], Maquiavel foi considerado fundador da [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] empírica da política, ou seja, [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] empírica que estuda as regras da [[lexico:a:arte:start|arte]] de governar sem outra [[lexico:p:preocupacao:start|preocupação]] [[lexico:a:alem:start|além]] da eficácia dessas regras. Constituem [[lexico:p:parte:start|parte]] integrante da doutrina de Maquiavel o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de [[lexico:a:acaso:start|acaso]], que com sua imprevisibilidade é sempre [[lexico:c:condicao:start|condição]] da [[lexico:a:atividade:start|atividade]] política, e o conceito conexo do empenho político, em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] do qual os homens "nunca devem entregar-se", no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de que [[lexico:n:nao:start|não]] devem desesperar nem renunciar à [[lexico:a:acao:start|ação]], mas participar ativamente dos acontecimentos, pois o resultado deles, dada a [[lexico:p:presenca:start|presença]] do acaso, nunca é predeterminado. (Sobre a doutrina de Maquiavel e suas interpretações, v. G. Sasso, N. M., Storia del suo pensiero político, Nápoles, 1958.) Por maquiavelismo entende-se também o princípio no qual, a partir do séc. XVII, a doutrina de Maquiavel passou a ser convencionalmente resumida: de que "o [[lexico:f:fim:start|fim]] justifica os meios". Tal [[lexico:m:maxima:start|máxima]], porém, não foi formulada por Maquiavel, que não considera o [[lexico:e:estado:start|Estado]] como fim [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] e não o julga dotado de [[lexico:e:existencia:start|existência]] [[lexico:s:superior:start|superior]] à do [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] (no sentido atribuído, p. ex., por [[lexico:h:hegel:start|Hegel]], Fil. do dir, § 337). Além disso, Maquiavel tinha grande [[lexico:s:simpatia:start|simpatia]] pela honestidade e pela [[lexico:l:lealdade:start|lealdade]] na [[lexico:v:vida:start|vida]] civil e política; portanto, admirava os Estados regidos por essas [[lexico:v:virtudes:start|virtudes]], como p. ex. o dos romanos e dos suíços. Entretanto, como dissemos, seu objetivo era formular regras eficazes de [[lexico:g:governo:start|governo]], tendo como base a [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] política antiga e nova, considerando que essa eficácia era [[lexico:i:independente:start|independente]] do [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:m:moral:start|moral]] ou imoral das regras. Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, percebeu que a moral e a [[lexico:r:religiao:start|religião]] podem ser — como às vezes são — forças políticas que, como todas as outras, condicionam a atividade política e seu êxito; percebeu também que às vezes isso não acontece e que a ação política se mostra eficaz mesmo quando exercida em sentido contrário ao das leis da moral. Como essa era a [[lexico:r:realidade:start|realidade]] mais frequente nas sociedades de seu [[lexico:t:tempo:start|tempo]] (especialmente a italiana e a francesa) — que ele chama de "corruptas" — e como Maquiavel tem sobretudo em vista a aplicação de suas regras políticas à [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] italiana para a [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] de um Estado unificado, explica-se sua insistência em certos preceitos imorais de [[lexico:c:conduta:start|conduta]] política, o que acabou sendo [[lexico:m:mal:start|mal]] expresso ou generalizado na máxima de que "o fim justifica os meios". Esta, na realidade, foi a máxima da moral jesuíta: Hegel cita-a na [[lexico:f:forma:start|forma]] dada pelo padre jesuíta Busenbaum (1602-68): "Quando o fim é lícito, os meios também são lícitos" (Medulla theologiae moralis, IV, 3, 2), e justifica-a do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista [[lexico:f:formal:start|formal]] (como [[lexico:e:expressao:start|expressão]] tautológica) e [[lexico:s:substancial:start|substancial]] (como "[[lexico:c:consciencia:start|consciência]] indeterminada da [[lexico:d:dialetica:start|dialética]] do [[lexico:e:elemento:start|elemento]] [[lexico:p:positivo:start|positivo]]") (Fil. do dir., § 140, d); cf., sobre o maquiavelismo, F. [[lexico:m:meinecke:start|Meinecke]], Die Idee der Staatsräson in der neueren [[lexico:g:geschichte:start|Geschichte]], 1925; trad. in., Machiavellianism, 1957). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}