===== MANTIKE ===== mantiké: [[lexico:a:adivinhacao|adivinhação]] 1. Embora a [[lexico:t:terminologia|terminologia]] permanecesse fluida, podem com Cícero, De div. I, 11, distinguir-se dois tipos diferentes de [[lexico:c:comunicacao|comunicação]], frequentemente dos acontecimentos futuros, concedidos pelos [[lexico:d:deuses|deuses]] aos homens: um, a comunicação directa através de um «médium» [[lexico:h:humano|humano]], o [[lexico:p:prophetes|prophetes]], possesso de um [[lexico:d:deus|Deus]], tipicamente Apoio, e daí um porta-voz desse deus. Uma variante disto era a aparição de um deus a um [[lexico:i:individuo|indivíduo]] num [[lexico:s:sonho|sonho]] ([[lexico:o:oneiros|oneiros]]). O segundo [[lexico:m:metodo|método]], que era menos idiossincrático [[lexico:d:dado|dado]] que podia [[lexico:s:ser|ser]] aprendido em vez de [[lexico:a:aparecer|aparecer]] como um favor [[lexico:d:divino|divino]] mais ou menos [[lexico:f:fortuito|fortuito]], era a «[[lexico:l:leitura|leitura]]» de vários fenômenos naturais tais como os hábitos dos pássaros (augúrio), as entranhas de vários animais de [[lexico:s:sacrificio|sacrifício]] (haruspícia; para a [[lexico:t:teoria|teoria]] fisiológica [[lexico:v:ver|ver]] oneiros), a [[lexico:f:fisionomia|fisionomia]] da palma da mão (quiromancia), o [[lexico:u:uso|uso]] de sortes (cleromancia) ou passos arbitrariamente escolhidos de um autor favorecido (confrontar as sortes Vergi-lianae medievais e as sortes Biblicae). 2. [[lexico:p:platao|Platão]] associa o método da comunicação directa através de um médium com uma [[lexico:l:loucura|loucura]] ([[lexico:m:mania|mania]]) divinamente inspirada. Os exemplos que ele cita são os das sacerdotizas e profetas em Dodona e Delfos e a Sibila ([[lexico:f:fedro|Fedro]] 244b-c). Passa depois a ligar esta «loucura divina» com a do [[lexico:p:poeta|poeta]] inspirado que é também, em certo [[lexico:s:sentido|sentido]], «possesso de um deus», entheos (ibid. 245a), [[lexico:a:analogia|analogia]] que aparece pela primeira vez na [[lexico:l:literatura|literatura]] em Demó-crito (frgs. 17, 18; ver Apol. 22b: a [[lexico:n:nocao|noção]] pode ser socrática). 3. O [[lexico:c:conceito|conceito]] de possessão ([[lexico:e:enthousiasmos|enthousiasmos]]) que fornece a base [[lexico:t:teoretica|teorética]] para as alocuções inspiradas do profeta [[lexico:n:nao|não]] é susceptível de [[lexico:d:definicao|definição]] exata. Os próprios antigos tinham a [[lexico:c:consciencia|consciência]] de que era um [[lexico:e:estado|Estado]] não-racional (ver Platão, Apol. 22b-c; Ion 536c), e uma [[lexico:e:epoca|época]] posterior mais sofisticada e curiosa psicologicamente estava [[lexico:b:bem|Bem]] informada a [[lexico:r:respeito|respeito]] dos vários (fenômenos psíquicos concernentes ao enthousiasmos (ver Jamblico, De myst. 3, 4-7, 110-112), bem como das possibilidades de uma «[[lexico:c:cura|cura]]» homeopática (ver [[lexico:k:katharsis|katharsis]]). 4. A distância entre Platão e Jamblico é marcada por outra [[lexico:m:mudanca|mudança]] significativa: o declínio dos [[lexico:l:lugares|lugares]] de oráculo institucionalizados como Delfos e Dodona com a sua mediúnidade organizada, e a ascensão dos prophetai individuais que traficavam com uma grande variedade de fenômenos psíquicos e que frequentemente proclamavam poderes miraculosos. Exemplos típicos, v. g. Apolônio de Tiana e a sátira de Alexandre de Luciano pertencem propriamente à [[lexico:h:historia|história]] da [[lexico:r:religiao|religião]]. Mas eles compartilham, juntamente com a [[lexico:e:escola|escola]] neoplatônica contemporânea de Jamblico, a inclinação para o miraculoso e o maravilhoso. Notemos rapidamente que no [[lexico:n:neoplatonismo|neoplatonismo]] as várias espécies de [[lexico:m:magia|magia]] eram acompanhadas de uma teoria filosófica bastante elaborada que se baseava pelo menos em [[lexico:p:parte|parte]] na noção estóica de [[lexico:s:simpatia|simpatia]] [[lexico:u:universal|universal]] ou [[lexico:s:sympatheia|sympatheia]]. 5. Esta [[lexico:t:theourgia|theourgia]] neoplatônica ou «[[lexico:t:trabalho|trabalho]] sobre deus» consistia principalmente na manipulação de certos objetos para causar uma [[lexico:p:presenca|presença]] divina quer numa [[lexico:e:estatua|estátua]] quer num médium humano (ver [[lexico:p:proclo|Proclo]], In [[lexico:t:timeu|Timeu]] III, 155, 18; Jamblico, De myst. III, 4-7). De [[lexico:f:fato|fato]], tal [[lexico:u:uniao|união]] dos poderes divinos tem um [[lexico:f:fim|fim]] oracular e a coleção mais famosa de respostas oraculares do [[lexico:m:mundo|mundo]] antigo, os Oráculos Caldaicos, é continuamente citada na [[lexico:t:tradicao|tradição]] neoplatônica desde [[lexico:p:porfirio|Porfírio]] até Proclo, escrevendo este [[lexico:u:ultimo|último]] a seu respeito um extenso comentário. A base filosófica da adivinhação é discutida na rubrica sympatheia; a de theourgia, na de [[lexico:d:dynamis|dynamis]] 10-11.