===== MAIÊUTICA SOCRÁTICA ===== Propriamente falando, foi a partir de [[lexico:s:socrates|Sócrates]], ou seja, no século IV antes de Jesus Cristo, em Atenas, que começou a haver uma [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] [[lexico:c:consciente|consciente]] de si mesma e sabedora dos métodos que empregava. Sócrates é, na [[lexico:r:realidade|realidade]], o primeiro [[lexico:f:filosofo|filósofo]] que nos [[lexico:f:fala|fala]] do seu [[lexico:m:metodo|método]]. Sócrates nos conta como filosofa. Qual é o método que Sócrates emprega? Ele [[lexico:p:proprio|próprio]] o denominou a [[lexico:m:maieutica|maiêutica]]. Isto [[lexico:n:nao|não]] significa mais do que a [[lexico:i:interrogacao|interrogação]]. Sócrates [[lexico:p:pergunta|pergunta]]. O método da filosofia consiste em perguntar. Quando se trata, para Sócrates, de definir, de chegar à [[lexico:e:essencia|essência]] de algum [[lexico:c:conceito|conceito]], sai de sua casa, vai à praça pública de Atenas, e a toda [[lexico:p:pessoa|pessoa]] que passa por diante dele chama e pergunta: "Que é isto?" Assim, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], um dia Sócrates sai de sua casa preocupado em averiguar [[lexico:o:o-que-e|o que é]] a [[lexico:c:coragem|coragem]], que é [[lexico:s:ser|ser]] corajoso. Chega à praça pública e se encontra com um general ateniense. Então diz para si: "Aqui está; este é [[lexico:q:quem|quem]] sabe o que é ser corajoso, visto que é o general, o chefe." E se aproxima e lhe diz: "Que é a coragem? Você, que é um general do exército ateniense, tem que [[lexico:s:saber|saber]] o que é a coragem," Então o [[lexico:o:outro|outro]] lhe diz: "Pois é claro! Como não vou saber [[lexico:e:eu|eu]] o que é a coragem? A coragem consiste em atacar o inimigo e nunca fugir." Sócrates coca a cabeça e lhe diz: "Essa sua resposta não é totalmente satisfatória"; e lhe faz [[lexico:v:ver|ver]] que muitas vezes nas batalhas os generais ordenam ao exército retroceder para atrair o inimigo a uma determinada [[lexico:p:posicao|posição]] e nessa posição lhe cair em cima e destruí-lo. Então o general retifica e diz: "[[lexico:b:bem|Bem]], você tom [[lexico:r:razao|razão]]." E dá outra [[lexico:d:definicao|definição]]; e sobre esta segunda definição Sócrates exerce outra vez sua [[lexico:c:critica|crítica]] interrogativa. Continua não ficando satisfeito e pedindo outra nova definição; e assim, à [[lexico:f:forca|força]] de interrogações, faz com que a definição primeiramente dada vá passando por sucessivos aperfeiçoamentos, por extensões, por reduções, até ficar o mais exata [[lexico:p:possivel|possível]]. Nunca até chegar a ser perfeita. Nenhum dos [[lexico:d:dialogos|diálogos]] de Sócrates que nos conservou [[lexico:p:platao|Platão]] — onde reproduz com bastante exatidão os espetáculos ou cenas que ele presenciara — consegue chegar a uma solução satisfatória; todos se interrompem, como dando a entender que o [[lexico:t:trabalho|trabalho]] de continuar perguntando e continuar encontrando dificuldades, interrogações e [[lexico:m:misterios|mistérios]] na última definição dada, não pode nunca acabar. O segundo [[lexico:m:momento|momento]] do [[lexico:m:metodo-dialetico-socratico|método dialético socrático]], partia do [[lexico:p:principio|princípio]] que a [[lexico:a:alma|alma]] só pode alcançar a [[lexico:v:verdade|verdade]] "se dela estiver grávida". Com [[lexico:e:efeito|efeito]], como vimos, ele se professava ignorante e, portanto, negava firmemente [[lexico:e:estar|estar]] em condições de transmitir um saber aos outros ou, pelo menos, um saber constituído por determinados conteúdos. Mas, da mesma [[lexico:f:forma|forma]] que a mulher que está grávida no [[lexico:c:corpo|corpo]] tem [[lexico:n:necessidade|necessidade]] da [[lexico:p:parteira|parteira]] para dar à hiz, também o discípulo que tem a alma grávida de verdade tem necessidade de uma [[lexico:e:especie|espécie]] de [[lexico:a:arte|arte]] obstétrica espiritual que ajude essa verdade a vir à [[lexico:l:luz|luz]] — e nisso consiste exatamente a "maiêutica" socrática. Eis a estupenda página em que Platão descreve a maiêutica: "Ora, em [[lexico:t:todo|todo]] o resto, a minha arte obstétrica se assemelha à das parteiras, mas difere em uma [[lexico:c:coisa|coisa]]: ela opera nos homens e não nas [[lexico:m:mulheres|mulheres]] e assiste as almas parturientes e não os corpos. E minha maior [[lexico:c:capacidade|capacidade]]’é que, através dela, eu consigo discernir seguramente se a alma do jovem está parindo fantasmas e mentiras ou a [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]] vital e [[lexico:r:real|real]]. Pois algo eu tenho em comum com as parteiras: também eu sou estéril (...) de [[lexico:s:sabedoria|sabedoria]]. E a reprovação que tantos já me fizeram, de que eu interrogo os outros, mas, eu próprio, nunca manifesto meu [[lexico:p:pensamento|pensamento]] sobre nenhuma [[lexico:q:questao|questão]], ignorante que sou, é uma reprovação muito verdadeira. E a razão é exatamente esta: [[lexico:d:deus|Deus]] me leva a agir como obstetra, mas me interdita de gerar. Em mim mesmo, portanto, eu não sou [[lexico:n:nada|nada]] [[lexico:s:sabio|sábio]], nem de mim saiu qualquer [[lexico:d:descoberta|descoberta]] sábia que seja [[lexico:g:geracao|geração]] de minha alma. Entretanto, todos aqueles que gostam de estar comigo, embora alguns deles pareçam inicialmente de todo ignorantes, mais [[lexico:t:tarde|Tarde]], continuando a frequentar minha companhia, desde que Deus lhes permita, todos eles extraem disso um [[lexico:e:extraordinario|extraordinário]] proveito, como eles próprios e os outros podem ver. E está claro que não aprenderam nada de mim, mas só de si mesmos encontraram e geraram muitas e belas [[lexico:c:coisas|coisas]]. Mas o [[lexico:f:fato|fato]] de tê-los ajudado a gerar, [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:m:merito|mérito]] sim cabe a Deus e a mim."