===== JUSTIFICAÇÃO ===== (in. Justification; fr. Justification; al. Rechtfertigung; it. Giustificazione). Este [[lexico:t:termo:start|termo]], de [[lexico:o:origem:start|origem]] teológica, foi introduzido na [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] como sinônimo da [[lexico:d:deducao:start|dedução]] kantiana (v. [[lexico:d:deducao-transcendental:start|dedução transcendental]]). A justificação concerne à [[lexico:q:questao:start|questão]] do [[lexico:d:direito:start|direito]] de usar certos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]]. Essa questão é [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] da postura [[lexico:c:critica:start|crítica]] da filosofia kantiana. [[lexico:k:kant:start|Kant]] dizia: "Todos os metafísicos estão solene e legitimamente suspensos das suas funções enquanto [[lexico:n:nao:start|não]] responderem satisfatoriamente à [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]]: ‘como são possíveis os conhecimentos sintéticos apriori?’, pois só essa resposta pode autorizá-los a [[lexico:f:falar:start|falar]] em [[lexico:n:nome:start|nome]] da [[lexico:r:razao-pura:start|razão pura]]" (Prol., § 5). Autorização e legitimação são os termos que Kant emprega para exprimir a exigência de justificação Segundo Kant, o [[lexico:f:fato:start|fato]] de um [[lexico:c:conceito:start|conceito]] [[lexico:s:ser:start|ser]] empregado não é justificação do direito de empregá-lo. Em face dos conceitos é preciso distinguir, como fazem os juristas, uma questão de fato e uma questão de direito ([[lexico:q:quid:start|quid]] iuris). A última é, precisamente, o [[lexico:o:objeto:start|objeto]] da justificação ou dedução. A propósito, Kant distingue uma justificação empírica, uma justificação [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] e uma justificação [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]. A dedução empírica consiste em mostrar de que [[lexico:m:modo:start|modo]] se chega a um conceito por [[lexico:m:meio:start|meio]] da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] e da [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] sobre ela. A dedução transcendental consiste em mostrar de que modo os conceitos apriori podem referir-se aos objetos. A dedução metafísica consiste em mostrar "a origem apriori das [[lexico:c:categorias:start|categorias]] em [[lexico:g:geral:start|geral]], mediante seu [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]] [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com as funções lógicas do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]" (Crít. R. Pura, § 13, 26). Para Kant a verdadeira justificação de um conceito é a dedução transcendental, que consiste em mostrar a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] da [[lexico:r:referencia:start|referência]] do conceito a um objeto [[lexico:e:empirico:start|empírico]]. Assim sendo, [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] mudou o conceito de justificação quando a identificou com a exigência de mostrar a [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] do conceito. "A [[lexico:r:razao:start|razão]] subjetiva" — disse ele — "exige a sua satisfação ulterior no que diz [[lexico:r:respeito:start|respeito]] à [[lexico:f:forma:start|forma]], e essa forma é, em geral, a necessidade" (Enc., § 9). E acrescenta: "[[lexico:e:esse:start|esse]] pensamento do modo de [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]], que é conhecimento filosófico, considerado tanto sob o [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] de sua necessidade quanto de sua [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de conhecer os objetos absolutos, precisa ser justificado. Mas a própria justificação é um conhecer filosófico que, por isso, se realiza só dentro da filosofia" (Ibid., § 10). Portanto, o conceito de justificação dá [[lexico:l:lugar:start|lugar]] a duas alternativas, segundo a [[lexico:m:modalidade:start|modalidade]] que se exija dela: 1) a [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]] da necessidade de um conceito, ou seja, a demonstração de que ele não pode não ser e de que só pode ser do modo como é; 2) o esclarecimento da possibilidade de um conceito em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a um [[lexico:c:campo:start|campo]] determinado, ou seja, a [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] da possibilidade de [[lexico:u:uso:start|uso]] do conceito. A filosofia contemporânea inclina-se a admitir e a usar esse segundo [[lexico:s:significado:start|significado]] do termo, o [[lexico:u:unico:start|único]] que não depende de um [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista idealista, considerando que um conceito é justificado nos dois casos seguintes: a) quando seu uso em contexto [[lexico:f:formal:start|formal]] (matemático ou [[lexico:l:logico:start|lógico]]) não comporte [[lexico:c:contradicao:start|contradição]]: b) quando o conceito possa referir-se a um objeto verificável (como ocorre nos contextos reais, isto é, nos campos dos conhecimentos empíricos). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}