===== JULGAMENTO ===== VIDE [[lexico:j:juizo:start|juízo]] **[[lexico:d:definicao:start|Definição]] do julgamento.** O julgamento é o [[lexico:a:ato:start|ato]] [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]] que corresponde à segunda [[lexico:o:operacao:start|operação]] do [[lexico:e:espirito:start|espírito]]. Pode-se defini-lo com [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] e [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]]: um ato da [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] que une ou divide por [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] ou [[lexico:n:negacao:start|negação]]: “actio intellectus qua componit vel dividit affirmando vel negando”. O que impressiona de início no julgamento é que ele é uma [[lexico:a:atividade:start|atividade]] complexa, uma [[lexico:a:associacao:start|associação]] de vários termos, enquanto que a primeira operação era [[lexico:s:simples:start|simples]]. Mas isso [[lexico:n:nao:start|não]] é o que caracteriza mais profundamente este ato; podia já haver complexidade na simples [[lexico:a:apreensao:start|apreensão]], para a definição por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]]. O que especifica e distingue o julgamento é a afirmação ou negação que se acha expressa pelo [[lexico:v:verbo:start|verbo]] [[lexico:s:ser:start|ser]] ou pela negação não ser, verbo que está sempre explícita ou implicitamente contido nessa operação: "O leão é um [[lexico:a:animal:start|animal]]", "Pedro joga" =Pedro é jogador. Vê-se, portanto, que enquanto a primeira operação atingia a [[lexico:e:essencia:start|essência]] da [[lexico:c:coisa:start|coisa]], a segunda operação considera de preferência sua [[lexico:e:existencia:start|existência]], que ela afirma ou nega. Ela completa assim e conduz a seu [[lexico:t:termo:start|termo]] o esfôrço de [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] da [[lexico:r:realidade:start|realidade]] total que havia sido começada pela simples apreensão. Dir-se-á que, enquanto o [[lexico:o:objeto:start|objeto]] da [[lexico:p:primeira-operacao-do-espirito:start|primeira operação do espírito]] é a [[lexico:q:quidditas:start|quidditas]], o da segunda é o ipsum [[lexico:e:esse:start|esse]] (cf. I. Sent., D. 19, q. 5, a. I, ad 7) : “Prima operatio respicit quidditatem rei, secunda respicit ipsum esse”. O julgamento vê a existência, a realidade [[lexico:a:atual:start|atual]] das [[lexico:c:coisas:start|coisas]]. É da maior importância tomar [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] desse [[lexico:f:fato:start|fato]] quando se aborda o [[lexico:e:estudo:start|estudo]] dessa operação. É sua marca distintiva; e é ainda sob este [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista que poderemos dividi-la. Observemos, todavia, desde logo que, o ser afirmado no julgamento é [[lexico:a:analogico:start|analógico]]. [[lexico:q:quem:start|quem]] diz ser, diz necessariamente [[lexico:o:ordem:start|ordem]] à existência, à realidade. Mas há várias maneiras de ordem à existência. Pode-se [[lexico:e:existir:start|existir]] em si ou somente em um [[lexico:o:outro:start|outro]], em ato ou em [[lexico:p:potencia:start|potência]], pode-se mesmo existir somente na [[lexico:r:razao:start|razão]] (ser de razão). Há, paralelamente, julgamentos de diversos tipos: concretos, abstratos, etc. Todos esses julgamentos implicam igualmente afirmação ou negação de ser, mas segundo modalidades diferentes. Exemplos: "Pedro é [[lexico:h:homem:start|homem]]", "Pedro é branco", "o homem é [[lexico:v:vivente:start|vivente]]", "o quadrado é um retângulo", "o [[lexico:v:vicio:start|vício]] é condenável", "o [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] é um termo". **Processos de [[lexico:f:formacao:start|formação]] do julgamento.** A [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] se aplica em precisar a [[lexico:s:serie:start|série]] dos atos que asseguram a integridade de um julgamento. Distinguem-se, assim, como que cinco tempos nessa operação: A. A apreensão de dois termos. B. Seu relacionamento. C. A percepção de sua conveniência ou de sua não conveniência. D. A afirmação dessa conveniência ou dessa não conveniência. E. A [[lexico:e:expressao:start|expressão]] em um verbo mental daquilo que é assim concebido, ou a [[lexico:e:enunciacao:start|enunciação]]. Por exemplo, se [[lexico:e:eu:start|eu]] julguei que "a [[lexico:m:musica:start|música]] é um repouso", inicialmente concebi os termos "música" e "repouso", eu os comparei, percebi sua conveniência, toda esta atividade preparatória situando-se no [[lexico:p:plano:start|plano]] da primeira operação do espírito ou da simples apreensão das coisas; depois, refletindo sobre o meu ato, vi que a conveniência constatada entre as noções de "música" e de "repouso" correspondiam à realidade, que a composição que eu efetuava em meu espírito existia mesmo nas coisas; aderindo ao [[lexico:t:testemunho:start|testemunho]] dessa [[lexico:v:visao:start|visão]] refletida, afirmei, é, isto é assim, isto que eu disse, "é": eis a enunciação acabada: "a música é um repouso". Tais são as [[lexico:a:atividades:start|atividades]], evidentemente muito estreitamente associadas, que integram um julgamento: uma visão objetiva, depois, a partir de uma visão refletida, a afirmação e a expressão do que se vê e afirma. Esta [[lexico:a:analise:start|análise]] do julgamento certamente não seria reconhecida como autêntica por numerosos filósofos modernos, para quem a [[lexico:r:relacao:start|relação]] é anterior aos termos e os coloca de algum [[lexico:m:modo:start|modo]] depois dela. Segundo esta maneira de [[lexico:v:ver:start|ver]], a operação elementar do espírito é o julgamento, a simples apreensão não correspondendo senão a uma [[lexico:d:divisao:start|divisão]] abstrata deste. De [[lexico:b:bom:start|Bom]] grado reconheceremos com esses filósofos que o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] [[lexico:h:humano:start|humano]] não atinge o seu [[lexico:e:estado:start|Estado]] [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]] senão no julgamento, que finaliza a percepção total da realidade; mas há, anteriormente a essa operação, uma primeira atividade da qual já tivemos [[lexico:o:ocasiao:start|ocasião]] de assinalar a [[lexico:o:originalidade:start|originalidade]]. **A [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] do julgamento.** A propriedade do julgamento, que decorre imediatamente de sua [[lexico:n:natureza:start|natureza]], é a [[lexico:v:verdade:start|verdade]] ou a [[lexico:f:falsidade:start|falsidade]]. Quer dizer que quando o espírito julga ele é necessariamente [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] ou [[lexico:f:falso:start|falso]]: verdadeiro, se a composição ou a divisão que ele estabelece entre dois termos corresponde efetivamente à que se acha na realidade; falsa, no caso contrário. "Pedro é matemático" é um julgamento verdadeiro se Pedro é mesmo matemático; senão, é falso. O julgamento se distingue por isso da primeira operação do espírito, que em si não era nem verdadeira nem falsa. Esta doutrina, comumente sustentada por Tomás de Aquino, está [[lexico:b:bem:start|Bem]] resumida no seguinte [[lexico:t:texto:start|texto]] (I.a p.a, q. 16, a. 2) "A inteligência pode conhecer sua conformidade com a coisa [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]], todavia ela não a percebe no [[lexico:m:momento:start|momento]] em que ela apreende a [[lexico:q:quididade:start|quididade]] de uma coisa. Porém, é quando ela julga que a coisa é realmente tal nela mesma, que ela a concebe, que essa [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] conhece e exprime pela primeira vez a verdade. E ela o faz compondo e dividindo. Porque, em toda [[lexico:p:proposicao:start|proposição]], ou ela aplica a uma coisa significada pelo sujeito uma [[lexico:f:forma:start|forma]] significada pelo [[lexico:p:predicado:start|predicado]], ou ela o nega. Eis porque, falando propriamente, a verdade está na inteligência que compõe e que divide, e não nos sentidos, ou na inteligência enquanto ela percebe a quididade das coisas." "Intellectus autem conformitatem sui ad rem intelligibilem cognoscere potest: sed tamen non apprehendit eam, secundum [[lexico:q:quod:start|quod]] cognoscit de aliquo quod [[lexico:q:quid:start|quid]] est. Sed quando judicat rem ita se habere sicut est forma, quam de re apprehendit, tunc primo cognoscit, et dicit verum. Et hoc facit componendo et dividendo. Nam in omni propositione aliquam formam significatam per prxdicatum, vel applicat alicui rei significatae per subjectum vel removet ab ea... Et ideo proprie loquendo veritas est in intellectu componente et dividente, non autem in sensu, neque in intellectu cognoscente quod quid est". **[[lexico:e:extensao:start|Extensão]] e [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] no julgamento.** O sujeito e o predicado, sendo [[lexico:u:universais:start|universais]], entram, cada um, no julgamento com seu [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de extensão e de compreensão. Assim é que se pode dizer que o predicado, que é forma, determina a compreensão do sujeito. Em "Pedro é músico" eu declaro que a [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] de ser músico pertence a Pedro. Pode-se igualmente dizer que, julgando, eu classifico o sujeito na extensão do predicado: Pedro, na enunciação precedente, está classificado no [[lexico:n:numero:start|número]] dos músicos. Após o que foi [[lexico:d:dito:start|dito]] do [[lexico:c:conceito:start|conceito]], percebe-se que estes dois pontos de vista se combinam no julgamento, que é assim ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] da compreensão do sujeito, e análise da extensão do predicado. Todavia, o ponto de vista da compreensão tendo [[lexico:p:prioridade:start|prioridade]], pode-se concluir que julgar é, antes de tudo, determinar a compreensão do sujeito. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}