===== INVESTIGAÇÕES FILOSÓFICAS ===== Philosophische Untersuchungen ([[lexico:i:investigacoes-filosoficas:start|Investigações Filosóficas]]) — As [[lexico:i:ideias:start|ideias]] expostas nas Investigações foram desenvolvidas por [[lexico:w:wittgenstein:start|Wittgenstein]] em seus cursos de Cambridge desde a década de trinta. Mas o pensador nos diz que o livro só começou a [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:e:escrito:start|escrito]] na década de quarenta. Por sua exigência, a publicação foi póstuma (Wittgenstein morreu em 1951, e a primeira edição das Investigações Filosóficas é de 1953). Trata-se de um [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] de dificuldade muito maior que o Tractatus, e dele abordaremos rapidamente a sua concepção muito especial do que seja a "[[lexico:l:linguagem:start|linguagem]]". [[lexico:n:nao:start|Não]] há, nas Investigações, o [[lexico:u:uso:start|uso]] [[lexico:n:normativo:start|normativo]] da [[lexico:l:logica-matematica:start|lógica matemática]] como uma maneira de se determinar o [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de um [[lexico:d:discurso:start|discurso]]; muito ao contrário — em contraste com o Tractatus. — as Investigações não se apresentam como um trabalho [[lexico:s:sistematico:start|sistemático]], mas sim, conforme o pensador diz no prefácio, [[lexico:c:como-se:start|como se]] fossem um "álbum de recortes". Nesta desorganização quase que [[lexico:i:intencional:start|intencional]], e por trás das diferenças aparentes, podemos perceber duas ideias cujas raízes se encontram no Tractatus. A primeira é o [[lexico:p:paradoxo:start|paradoxo]] [[lexico:i:implicito:start|implícito]] em toda [[lexico:t:teoria-da-linguagem:start|teoria da linguagem]]: uma [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da linguagem só pode ser desenvolvida dentro da própria linguagem. Como então, examinar a linguagem com a linguagem? A este paradoxo já o Tractatus faz [[lexico:r:referencia:start|referência]]. A [[lexico:i:ideia:start|ideia]] que Wittgenstein desenvolve para caracterizar o que seja a linguagem é a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de "jogos de linguagem". Em cada uma de nossas [[lexico:a:atividades:start|atividades]] diárias empregamos vários jogos de linguagem — jogos que nos servem para fazer exclamações, para perguntar, dizer algo, conversar, [[lexico:f:falar:start|falar]] do trabalho, fazer queixas, passar "broncas", e assim por diante. Mas [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] um [[lexico:j:jogo:start|jogo]] de linguagem? Qual a [[lexico:u:unidade:start|unidade]] entre os diversos jogos de linguagem? A esta [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] responde Wittgens tein com uma [[lexico:m:metafora:start|metáfora]]: a [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] entre os diversos "jogos de linguagem" é uma [[lexico:s:simples:start|simples]] "semelhança de [[lexico:f:familia:start|família]]", como a que possuem entre si pais, filhos, irmãos, tios. Percebemos a semelhança, mas nos é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] caracterizá-la com mais [[lexico:p:precisao:start|precisão]] do que através de comentários como "ele possui o nariz do pai" ou "ela possui os lábios da mãe". E o que é um jogo de linguagem? Dentro dos jogos de linguagem, as [[lexico:p:palavras:start|palavras]] ganham sentido através de suas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] umas com as outras, isto é, através do uso que delas fazemos. Wittgenstein foi muito atacado por esta sua caracterização do "sentido" de um [[lexico:s:signo:start|signo]] como sendo o "uso" que dele é feito. Mas tal ideia evolui espontaneamente da noção de estado-de-coisas no Tractatus. No Tractatus, o estado-de-coisas era um conjunto de possibilidades envolvendo determinadas [[lexico:c:coisas:start|coisas]]; ele seria descrito pela [[lexico:p:proposicao:start|proposição]]. Nas Investigações, o jogo de linguagem é o conjunto de possibilidades que determinadas palavras possuem em certas situações. O que desaparece é o implícito [[lexico:d:determinismo:start|determinismo]] da noção de "estado-de-coisas". No Tractatus fica a [[lexico:i:impressao:start|impressão]] que a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] (os relacionamentos internos que os objetos pertencentes ao estado-de-coisas possuem entre si) do estado-de-coisas pode ser efetivamente descrita pela linguagem. Nas Investigações, Wittgenstein, percebendo que se nós podemos sequer falar da "[[lexico:e:existencia:start|existência]]" de um [[lexico:o:objeto:start|objeto]], nós já estaremos dentro da linguagem, acaba com a [[lexico:f:ficcao:start|ficção]] de se desenvolver um [[lexico:m:metodo:start|método]] de [[lexico:a:analise:start|análise]] pressupondo duas [[lexico:c:categorias:start|categorias]] separadas, "[[lexico:m:mundo:start|mundo]]" e "linguagem". O que quer que possa ser [[lexico:d:dito:start|dito]] sobre o mundo, é a linguagem que pode dizer. Então é [[lexico:p:perda:start|perda]] de [[lexico:t:tempo:start|tempo]] forçar sobre a linguagem uma [[lexico:d:divisao:start|divisão]] que não existe na própria linguagem. Toda a [[lexico:r:riqueza:start|riqueza]] e toda a imprecisão da linguagem são conservadas no jogo de linguagem; sua estrutura é complexa demais para ser "exposta" e "elucidada" através de um [[lexico:s:sistema:start|sistema]] rigoroso como a [[lexico:l:logica:start|lógica]] [[lexico:s:simbolica:start|simbólica]]. Mas podemos ganhar dela uma "[[lexico:v:visao:start|visão]]" através do uso de nossa própria linguagem banal de todos os dias. (Francisco Doria - [[lexico:d:dcc:start|DCC]]) {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}