===== INTUIÇÃO INTELECTUAL ===== Há um [[lexico:m:momento:start|momento]], nos [[lexico:p:principios:start|princípios]] do século XIX, em que os filósofos alemães que formaram essas formidáveis escolas filosóficas chamadas [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] romântica alemã (refiro-me a [[lexico:f:fichte:start|Fichte]], [[lexico:s:schelling:start|Schelling]], [[lexico:h:hegel:start|Hegel]]), consideram que o [[lexico:m:metodo:start|método]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] da filosofia é aquilo que eles chamam a [[lexico:i:intuicao-intelectual:start|intuição intelectual]]. Há aparentemente nestes termos uma [[lexico:c:contradicao:start|contradição]], porque a [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] [[lexico:n:nao:start|não]] é intelectual. Parece que intuição e intelectual são termos que se excluem um ao [[lexico:o:outro:start|outro]], que se repelem, visto que a intuição é um [[lexico:a:ato:start|ato]] [[lexico:s:simples:start|simples]], por [[lexico:m:meio:start|meio]] do qual captamos a [[lexico:r:realidade:start|realidade]] [[lexico:i:ideal:start|ideal]] de algo; e, pelo contrário, intelectual refere-se ao trânsito ou passagem de uma [[lexico:i:ideia:start|ideia]] a outra, a aquilo que [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] desenvolve sob a [[lexico:f:forma:start|forma]] da [[lexico:l:logica:start|lógica]]. Pois [[lexico:b:bem:start|Bem]]; o essencial no [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] destes filósofos é considerar a intuição intelectual como o método da filosofia. Por que consideram a intuição intelectual como o método da filosofia? Porque dão a [[lexico:r:razao:start|razão]] humana uma dupla missão. De uma [[lexico:p:parte:start|parte]], a de penetrar intuitivamente no [[lexico:c:coracao:start|coração]], na [[lexico:e:essencia:start|essência]] mesma das [[lexico:c:coisas:start|coisas]], na forma antes exposta ao [[lexico:f:falar:start|falar]] de [[lexico:d:descartes:start|Descartes]], descobrindo o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:i:imanente:start|imanente]] das [[lexico:e:essencias:start|essências]] racionais sob o invólucro do mundo [[lexico:a:aparente:start|aparente]] das percepções sensíveis. Mas, [[lexico:a:alem:start|além]] disso, consideram que a segunda missão da razão é, partindo dessa intuição intelectual, construir [[lexico:a:a-priori:start|a priori]], sem se valer da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] para [[lexico:n:nada:start|nada]], de um [[lexico:m:modo:start|modo]] puramente apriorístico, mediante [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] e formas lógicas, toda a armação, toda a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] do [[lexico:u:universo:start|universo]] e do [[lexico:h:homem:start|homem]] dentro do universo. São, pois, dois momentos no [[lexico:m:metodo-filosofico:start|método filosófico]], e deles um primeiro de intuição fundamental, intelectual. O [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] alemão da [[lexico:e:epoca:start|época]] romântica (Fichte, Schelling, Hegel, Krause, [[lexico:h:hartmann:start|Hartmann]], [[lexico:s:schopenhauer:start|Schopenhauer]] tem na sua [[lexico:v:vida:start|vida]] uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de [[lexico:i:iluminacao:start|iluminação]] [[lexico:m:mistica:start|mística]], uma intuição intelectual, que lhe permite penetrar na essência mesma da [[lexico:v:verdade:start|verdade]]; e depois, essa intuição é a que se desenvolve pouco a pouco em forma variadíssima, na [[lexico:f:filosofia-da-natureza:start|filosofia da natureza]], na [[lexico:f:filosofia-do-espirito:start|Filosofia do Espírito]], na [[lexico:f:filosofia-da-historia:start|filosofia da história]], em múltiplos livros, é como um acorde musical que informa e dá [[lexico:u:unidade:start|unidade]] a todas as construções filosóficas. É o que eles chamavam então "construção do [[lexico:s:sistema:start|sistema]]". Como chega aos filósofos alemães de começos do século XIX esta concepção do método da filosofia? Que foi aquilo que lhes fez perceber que o método da filosofia tinha que consistir numa primária intuição, numa radical intuição, e logo no [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] dessa intuição nas múltiplas formas da [[lexico:n:natureza:start|natureza]], do [[lexico:e:espirito:start|espírito]], da [[lexico:h:historia:start|história]], do homem etc? Perceberam essa maneira de [[lexico:v:ver:start|ver]], essa concepção do método, porque todos eles estavam alimentados, imbuídos da filosofia de [[lexico:k:kant:start|Kant]]. Pois bem; a filosofia de Kant é complexa; é um sistema complicado, difícil; porém um dos seus [[lexico:e:elementos:start|elementos]] essenciais, primordiais, fundamentais, consiste na [[lexico:d:distincao:start|distinção]] que Kant faz entre o mundo [[lexico:s:sensivel:start|sensível]] [[lexico:f:fenomenico:start|fenomênico]] (fenomênico significa o mesmo que sensível, para o caso, na filosofia de Kant) e o mundo das coisas em si mesmas independentemente de que apareçam como fenômenos para nós. Essa distinção que faz Kant entre o mundo da realidade [[lexico:i:independente:start|independente]] de mim e o mundo da realidade tal como aparece em mim, leva-o a considerar que cada uma das coisas de nosso mundo sensível e todas elas em conjunto não são mais do que a explicitação no [[lexico:e:espaco:start|espaço]] e no [[lexico:t:tempo:start|tempo]] de algo incógnito, [[lexico:p:profundo:start|profundo]] e misterioso, que está debaixo do espaço e do tempo. [[lexico:e:esse:start|esse]] algo incógnito, profundo e misterioso, que, estando debaixo do espaço e do tempo, se expande e floresce em múltiplas diversificações que chamamos as coisas, os homens, o [[lexico:c:ceu:start|céu]], a [[lexico:t:terra:start|Terra]] e o mundo em [[lexico:g:geral:start|geral]], é o que proporciona a todos estes filósofos do [[lexico:r:romantismo:start|Romantismo]] alemão a seguinte ideia: Pois bem; se isso é assim, o maravilhoso será chegar, com uma [[lexico:v:visao:start|visão]] [[lexico:i:intuitiva:start|intuitiva]] do espírito, a esse [[lexico:q:quid:start|quid]], a esse algo profundo, incógnito e misterioso que contém a essência e a [[lexico:d:definicao:start|definição]] de tudo o mais; e quando tivermos chegado a captar, por meio de uma visão do espírito, essa [[lexico:c:coisa:start|coisa]] em si mesma, ou, como eles chamam também, o [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]], então, com uma mirada do espírito, teremos a [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] do absoluto e iremos tirando sem dificuldade, desse absoluto que teremos captado intuitivamente, uma por uma, todas as coisas concretas do mundo. Por isso sua filosofia implicava sempre dois movimentos. Um [[lexico:m:movimento:start|movimento]], por assim dizer, [[lexico:m:mistico:start|místico]], de penetração do absoluto, e logo, outro movimento de eflorescêncía e de explicitação do absoluto nas suas múltiplas formas da [[lexico:a:arte:start|arte]], da natureza, do espírito, da história, do homem etc. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}