===== INTUIÇÃO FENOMENOLÓGICA ===== A [[lexico:i:intuicao-fenomenologica|intuição fenomenológica]] de [[lexico:h:husserl|Husserl]], para caracterizá-la em termos muito gerais, e, por conseguinte, muito vagos, teria que [[lexico:s:ser|ser]] relacionada com o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] platônico. Husserl pensa que todas as nossas representações são representações que devemos olhar de dois pontos de vista. Desde logo, um [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista [[lexico:p:psicologico|psicológico]] segundo o qual têm uma [[lexico:i:individualidade|individualidade]] psicológica como fenômenos psíquicos; todavia, como todos os fenômenos psíquicos, eles contêm a [[lexico:r:referencia|referência]] [[lexico:i:intencional|intencional]] a um [[lexico:o:objeto|objeto]]. Cada uma de nossas representações é, pois, em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]], uma [[lexico:r:representacao|representação]] [[lexico:s:singular|singular]]. Em segundo lugar, esta representação singular é o representante, o mandatário, diremos, de um objeto, Assim, se [[lexico:e:eu|eu]] quero [[lexico:p:pensar|pensar]] o objeto Napoleão, [[lexico:n:nao|não]] posso pensá-lo de outra maneira que representando-me Napoleão, mas a representação que eu tenho de Napoleão terá que ser singular: ora imagino-o montado a cavalo na ponte de Arcole, ora suponho-o na batalha de Austerliz, com a cabeça baixa e a mão enfiada na sua túnica; ora figuro-o desesperado, após a derrota de Waterloo. Cada uma dessas representações [[lexico:p:por-si|por si]] mesma é singular; mas as três, embora sejam totalmente distintas umas das outras, referem-se ao mesmo objeto que é Napoleão. Pois [[lexico:b:bem|Bem]]: a [[lexico:i:intuicao|intuição]] fenomenológica consiste em olhar para uma representação qualquer, prescindindo de sua [[lexico:s:singularidade|singularidade]], prescindindo ,do seu [[lexico:c:carater|caráter]] psicológico [[lexico:p:particular|particular]], colocando entre [[lexico:p:parenteses|parênteses]] a [[lexico:e:existencia|existência]] singular da [[lexico:c:coisa|coisa]]; e então, afastando de si essa existência singular da coisa, para não procurar na representação senão aquilo que tem de [[lexico:e:essencial|essencial]], procurar a [[lexico:e:essencia|essência]] [[lexico:g:geral|geral]], [[lexico:u:universal|universal]], na representação particular. Considerar, pois, cada representação particular como não particular, colocando entre parênteses, eliminando de nossa [[lexico:c:contemplacao|contemplação]], aquilo que tem de particular, para não olhar senão aquilo que tem de geral; e uma vez que conseguirmos lançar o olhar intuitivo sobre aquilo que cada representação particular tem de geral, teremos nessa representação, embora particular, plasticamente realizada a essência geral. Teremos a [[lexico:i:ideia|ideia]], como ele diz, renovando a [[lexico:t:terminologia|terminologia]] de [[lexico:p:platao|Platão]], e por isso se trata aqui, para Husserl, de uma intuição do [[lexico:t:tipo|tipo]] que denominamos intelectual. Temos, pois, em linhas gerais aproximadamente o seguinte: que [[lexico:b:bergson|Bergson]] nos representa a intuição de tipo [[lexico:e:emotivo|emotivo]]; que [[lexico:d:dilthey|Dilthey]] nos representa a intuição [[lexico:e:existencial|existencial]] volitiva; e Husserl representa a [[lexico:i:intuicao-intelectual|intuição intelectual]] à maneira de Platão ou talvez também à maneira de [[lexico:d:descartes|Descartes]].