===== INTUIÇÃO EMOTIVA ===== A [[lexico:i:intuicao-emotiva:start|intuição emotiva]], que em alguns casos [[lexico:n:nao:start|não]] deixa de [[lexico:e:estar:start|estar]] tingida de um [[lexico:e:elemento:start|elemento]] [[lexico:r:religioso:start|religioso]], encontra-se em dois pensadores modernos, nos quais quase não foi notada até [[lexico:a:agora:start|agora]]. Um ó Espinosa. Em muitíssimos livros de [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] se diz que Espinosa não faz [[lexico:u:uso:start|uso]] da [[lexico:i:intuicao:start|intuição]]; que Espinosa demonstra suas proposições more geométrico, como puras demonstrações de teoremas de [[lexico:g:geometria:start|geometria]], onde o elemento [[lexico:d:discursivo:start|discursivo]] abafa por completo toda intuição. Todavia, isto é mera [[lexico:a:aparencia:start|aparência]]. Na [[lexico:r:realidade:start|realidade]], no fundo da filosofia de Espinosa, existe como que uma intuição [[lexico:m:mistica:start|mística]]; chega um [[lexico:m:momento:start|momento]], no [[lexico:u:ultimo:start|último]] livro da [[lexico:e:etica:start|Ética]] de Espinosa, em que, sob a [[lexico:f:forma:start|forma]] de uma [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]] geométrica, aparece a intuição emotiva, que rompe os moldes lógicos da demonstração e se faz patente ao leitor, não sem uma comoção verdadeiramente tremenda da [[lexico:a:alma:start|alma]]; é quando Espinosa, ao chegar quase ao término de seu livro, sente-se elevado, sente-se sublimado no propósito filosófico que desde o [[lexico:c:comeco:start|começo]] o [[lexico:a:anima:start|anima]], e escreve esta [[lexico:f:frase:start|frase]] como o [[lexico:e:enunciado:start|enunciado]] de um de seus teoremas: "Sentimus experimurque nos [[lexico:e:esse:start|esse]] aeternos", que quer dizer: "Nós sentimos e experimentamos que somos eternos". Aí se vê [[lexico:b:bem:start|Bem]] até que [[lexico:p:ponto:start|ponto]] toda esta crosta de teoremas e de demonstrações estava recobrindo uma intuição palpitante de [[lexico:e:emocao:start|emoção]], uma intuição quase mística da [[lexico:i:identidade:start|identidade]] do [[lexico:f:finito:start|finito]] com o [[lexico:i:infinito:start|infinito]] e da [[lexico:e:eternidade:start|Eternidade]] no [[lexico:p:proprio:start|próprio]] presente. [[lexico:o:outro:start|outro]] que, por estranho que pareça, pretende também esta intuição emotiva é [[lexico:n:nada:start|nada]] menos que o [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] inglês [[lexico:h:hume:start|Hume]]. Para Hume a [[lexico:e:existencia:start|existência]] do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:e:exterior:start|exterior]] e a existência do nosso próprio [[lexico:e:eu:start|eu]] não podem [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:o:objeto:start|objeto]] de [[lexico:i:intuicao-intelectual:start|intuição intelectual]]; não podem ser objeto nem de intuição intelectual nem de demonstração [[lexico:r:racional:start|racional]]. Não se pode demonstrar a ninguém que o mundo exterior existe ou que o eu existe. A única [[lexico:c:coisa:start|coisa]] que se pode fazer é convidar alguém a dizer se acredita que existe o mundo exterior ou se crê que existe o eu, porque a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] que temos do mundo exterior não é mais que um belief, uma [[lexico:c:crenca:start|crença]]. Cremos, temos [[lexico:f:fe:start|fé]]; nossa crença no mundo exterior e na realidade de nosso eu é um [[lexico:a:ato-de-fe:start|ato de fé]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}