===== INTUIÇÃO EM DILTHEY ===== Passaremos [[lexico:a:agora|agora]] a tentar caracterizar em poucas [[lexico:p:palavras|palavras]] a [[lexico:i:intuicao-em-dilthey|intuição em Dilthey]]. A [[lexico:i:intuicao|intuição]] em [[lexico:d:dilthey|Dilthey]] pode [[lexico:s:ser|ser]] caracterizada rapidamente com o [[lexico:a:adjetivo|adjetivo]] "volitivo". A intuição de Dilthey é a [[lexico:i:intuicao-volitiva|intuição volitiva]] a que, faz alguns instantes, me referia. Também para Dilthey, como para [[lexico:b:bergson|Bergson]], o [[lexico:i:intelectualismo|intelectualismo]], o [[lexico:i:idealismo|Idealismo]], o [[lexico:r:racionalismo|racionalismo]], todos aqueles sistemas filosóficos para os quais a última e mais profunda [[lexico:r:realidade|realidade]] é o [[lexico:i:intelecto|intelecto]], o [[lexico:p:pensamento|pensamento]], a [[lexico:r:razao|razão]], todas essas filosofias para Dilthey são falsas, são insuficientes. Para Dilthey [[lexico:n:nao|não]] é a razão, não é o intelecto que nos descobre a realidade das [[lexico:c:coisas|coisas]]. A realidade, ou, melhor [[lexico:d:dito|dito]] ainda, a "[[lexico:e:existencia|existência]]" das coisas, a existência viva das coisas, não pode ser demonstrada pela razão, não pode ser [[lexico:d:descoberta|descoberta]] pelo [[lexico:e:entendimento|entendimento]], pelo intelecto. Tem que ser intuída com uma intuição de [[lexico:c:carater|caráter]] volitivo, que consiste em percebermo-nos a nós mesmos como agentes, como seres que, antes de [[lexico:p:pensar|pensar]], querem, apetecem, desejam. Nós somos entes de [[lexico:v:vontade|vontade]], de apetites, de desejos, antes que entes de [[lexico:p:pensamentos|Pensamentos]]. E queremos enquanto somos entes de vontade. Mas nosso querer tropeça com dificuldades. Essas dificuldades nas quais tropeça nosso querer convertemo-las em coisas. Essas dificuldades são as que nos dão, imediata e intuitivamente, notícias da existência das coisas; e uma vez que nossa vontade, ao tropeçar com resistências, chega a lutar contra elas, converte essas resistências em existências. A existência das coisas é, pois, dada à nossa intuição volitiva como resistência delas. Por isso o primeiro vislumbre de [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] [[lexico:e:existencial|existencial]] está em Dilthey. Há um [[lexico:f:filosofo|filósofo]] francês, não direi pouco conhecido, mas sim menos conhecido, [[lexico:m:maine-de-biran|Maine de Biran]], que viveu em meados do século XIX e cuja atuação filosófica passou, não direi despercebida, mas sim pouco percebida. Maine de Biran foi talvez o primeiro que denunciou esta [[lexico:o:origem|origem]] volitiva da existencialidade, que denunciou em nós uma base para [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] da existência alheia, de existência das coisas e dos outros homens, uma base nas resistências que se opõem à nossa vontade, e estudou demoradamente a contribuição [[lexico:e:essencial|essencial]] que as sensações musculares dão na [[lexico:p:psicologia|psicologia]] à [[lexico:f:formacao|formação]] da [[lexico:i:ideia|ideia]] do [[lexico:e:eu|eu]] e das coisas. Dilthey considera como a intuição fundamental da filosofia e esta intuição volitiva que nos revela as existências. De outra [[lexico:p:parte|parte]] isto o leva também a considerar que na [[lexico:v:vida|vida]] humana a [[lexico:d:dimensao|dimensão]] do passado é essencial para o presente. Assim como o que rodeia o [[lexico:h:homem|homem]] se lhe apresenta primordialmente em [[lexico:f:forma|forma]] de obstáculos e resistências à sua [[lexico:a:acao|ação]], do mesmo [[lexico:m:modo|modo]] o presente tem que se nos apresentar como o [[lexico:l:limite|limite]] a que chegam hoje os esforços procedentes do passado. E assim a dimensão do [[lexico:h:historico|histórico]] e do pretérito faz entrada no [[lexico:c:campo|campo]] da filosofia de um modo completamente distinto daquele que tivera na filosofia idealista alemã de começos do século XIX.