===== INTUIÇÃO ===== (gr. [[lexico:t:theoria:start|theoria]]; lat. intuitus, intuitio; in. Intuition; fr. Intuition; al. [[lexico:a:anschauung:start|Anschauung]]; it. Intuizioné). As duas fontes do [[lexico:u:uso:start|uso]] [[lexico:a:atual:start|atual]] do [[lexico:t:termo:start|termo]] intuição, cartesiana e kantiana, introduzem na acepção da [[lexico:p:palavra:start|palavra]] duas tendências que ou se combinam ou dissociam, consoante os casos: a primeira é a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de [[lexico:e:evidencia:start|evidência]], de plena clareza intelectual (cf. videri, intueri); a segunda é a de [[lexico:a:apresentacao:start|apresentação]] concreta, de [[lexico:r:realidade:start|realidade]] atualmente dada. Ao passo que a primeira [[lexico:n:nao:start|não]] contém nem admite qualquer [[lexico:i:inferencia:start|inferência]], a segunda não se opõe necessariamente ao uso do [[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]]: há um [[lexico:m:modo:start|modo]] de aplicação dos [[lexico:p:principios:start|princípios]] inseparavelmente incorporados nas [[lexico:c:coisas:start|coisas]] sobre as quais se raciocina e que constitui um raciocínio intuitivo. [...] Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, e pelas mesmas razões, a palavra intuição serve frequentemente para designar simultaneamente a [[lexico:v:visao:start|visão]] concreta das coisas (na medida em que se opõe a abstração) e a penetração com que se sente ou se adivinha o que nelas não é [[lexico:a:aparente:start|aparente]]. [...] A acepção mais original desta palavra, aquela em que não pode [[lexico:s:ser:start|ser]] substituída por qualquer outra, é o [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de visão imediata e atual, apresentando as mesmas características que o [[lexico:c:conhecimento-sensivel:start|conhecimento sensível]], e por isso propomos que só seja autorizada nesta acepção; e nos outros casos sirvamo-nos tanto quanto [[lexico:p:possivel:start|possível]] dos termos evidência, [[lexico:i:instinto:start|instinto]], divinação, etc.. [André Lalande. Vocabulaire Technique et Critique de la Philosophie, 5.a ed., pp. 525-526] [[lexico:r:relacao:start|Relação]] direta (sem intermediários) com um [[lexico:o:objeto:start|objeto]] qualquer; por isso, implica a [[lexico:p:presenca:start|presença]] efetiva do objeto. A intuição foi entendida desse modo ao longo da [[lexico:h:historia-da-filosofia:start|história da filosofia]], a começar por [[lexico:p:plotino:start|Plotino]], que emprega [[lexico:e:esse:start|esse]] termo para designar o [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] [[lexico:i:imediato:start|imediato]] e total que o [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]] [[lexico:d:divino:start|divino]] tem de si e de seus próprios objetos (Enn., IV, 4, 1; IV, 4, 2). Nesse sentido, a intuição é uma [[lexico:f:forma:start|forma]] de conhecimento [[lexico:s:superior:start|superior]] e privilegiado, pois para ela, assim como para a visão [[lexico:s:sensivel:start|sensível]] em que se molda, o objeto está imediatamente presente. [[lexico:b:boecio:start|Boécio]] falava da "intuição divina", que é o golpe de vista com que [[lexico:d:deus:start|Deus]] abrange as coisas sem mudá-las (Phil. cons., V, 6). E [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] dizia, referindo-se a Deus: "A sua intuição versa sobre todas as coisas que estão diante dele em sua presencialidade" (S. Th., intuição q. 14, a. 13, cf. q. 14, a. 9). Por esse [[lexico:c:carater:start|caráter]], o conhecimento divino distingue-se do [[lexico:h:humano:start|humano]], que age compondo e dividindo, por [[lexico:m:meio:start|meio]] de atos sucessivos de [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] e de [[lexico:n:negacao:start|negação]] (Ibid., I, q. 85, a. 5). O caráter intuitivo do conhecimento divino contrapõe-se aqui ao caráter de [[lexico:d:discurso:start|discurso]] do conhecimento humano (v. [[lexico:d:dianoia:start|dianoia]]; [[lexico:d:discursivo:start|discursivo]]). Mas a [[lexico:f:filosofia-medieval:start|filosofia medieval]] empregou esse termo para indicar uma forma [[lexico:p:particular:start|particular]] e privilegiada da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] humana, em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]] o conhecimento [[lexico:e:empirico:start|empírico]]. [[lexico:b:bacon:start|Bacon]] dizia que "a [[lexico:a:alma:start|alma]] não se acalma na intuição da [[lexico:v:verdade:start|verdade]] se não a encontrar por [[lexico:f:forca:start|força]] da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]]" (Opus maius, VI, 1). Duns Scot privilegiava como intuitivo (cognitio [[lexico:i:intuitiva:start|intuitiva]]) o conhecimento que "se refere àquilo que existe ou àquilo que está presente em determinada [[lexico:e:existencia:start|existência]] atual", distinguindo-o do [[lexico:c:conhecimento-abstrativo:start|conhecimento abstrativo]], que abstrai da existência atual (Op. Ox., II, d. 3, q. 9, n. 6). Essa [[lexico:n:nocao:start|noção]] foi aceita por Durand de S. Pourçain (In Sent., Prol., q. 3 F) e por Ockham, que, tal como Bacon, identificava o conhecimento intuitivo com a experiência (In Sent., Prol., q. 1 Z). A partir de então, até [[lexico:k:kant:start|Kant]], o [[lexico:s:significado:start|significado]] específico desse termo é experiência . Mas, ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]], conserva-se o significado genérico de relação imediata com um objeto qualquer. Nesse sentido, [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] falava da intuição evidente (evidens intuitus), como um dos dois caminhos que levam ao conhecimento certo (o outro é o da "[[lexico:d:deducao:start|dedução]] necessária"), entendendo com ela a [[lexico:a:apreensao:start|apreensão]] de qualquer objeto mental: "A intuição da [[lexico:m:mente:start|mente]] estende-se às coisas, ao conhecimento de suas interconexões necessárias e a tudo o que o intelecto experimenta com [[lexico:p:precisao:start|precisão]] em [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] ou na [[lexico:i:imaginacao:start|imaginação]]" (Regulae ad directionem ingenii, 12). No mesmo sentido, [[lexico:l:locke:start|Locke]] chamava de intuitivo o conhecimento que percebe a concordância ou a discordância entre duas [[lexico:i:ideias:start|ideias]] imediatamente, ou seja, sem a intervenção de outras ideias (An Essay Concer., IV, 2, 1), e chamava de intuição, exatamente pela sua imediação, o conhecimento que temos de nossa própria existência (Ibid., IV, 9, 3). Ainda no mesmo sentido, [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] dizia que são conhecidas por intuição as "verdades primitivas" tanto de [[lexico:r:razao:start|razão]] quanto de [[lexico:f:fato:start|fato]] (Nouv. ess., IV, 2, 1), ou seja, as verdades que o intelecto apreende ou possui sem a [[lexico:m:mediacao:start|mediação]] de outras. Este significado era aceito por [[lexico:s:stuart-mill:start|Stuart Mill]]: "As verdades são conhecidas de duas maneiras: algumas diretamente ou [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesmas, outras através da mediação de outras verdades. As primeiras são objeto da intuição ou consciência; as segundas, da inferência" (Logic, Intr., § 4). Kant, por sua vez, referia-se ao sentido tradicional desse termo ao afirmar que "a intuição é a [[lexico:r:representacao:start|representação]] tal qual seria pela sua decorrência da imediata presença do objeto" (Prol., § 8). Por isso, para Kant, a intuição geralmente é o conhecimento para o qual o objeto apresenta-se diretamente. Mas Kant distingue a [[lexico:i:intuicao-sensivel:start|intuição sensível]] e a [[lexico:i:intuicao-intelectual:start|intuição intelectual]]. Sensível é a intuição de [[lexico:t:todo:start|todo]] ser pensante [[lexico:f:finito:start|finito]], ao qual o objeto é [[lexico:d:dado:start|dado]]: ela é, portanto, passividade, [[lexico:a:afeicao:start|afeição]] (Crít. R. Pura, Anal. dos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]], seç. 1). A intuição intelectual é originária e criativa: nela o objeto é posto ou criado, portanto só se encontra no Ser criador, de Deus (Ibid., § 8, ao final; passim). Em outros termos, intelectual é a intuição divina da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] tradicional: a presença do objeto a esta intuição é inevitável e necessária porque o objeto é criado pela própria intuição. Essa [[lexico:d:distincao:start|distinção]] kantiana foi conservada pelo [[lexico:r:romantismo:start|Romantismo]], mas só com a [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]] de reivindicar para o [[lexico:h:homem:start|homem]] a intuição intelectual ou criativa que Kant e os antigos reservavam para Deus. Isso é compreensível, visto que, para os românticos, o conhecimento humano é o mesmo conhecimento com que o [[lexico:e:espirito:start|Espírito]] [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] ou criador se conhece a si mesmo, ou pelo menos é um [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] ou um [[lexico:m:momento:start|momento]] dela. Assim, [[lexico:f:fichte:start|Fichte]] entende por intuição intelectual "a consciência imediata de que [[lexico:e:eu:start|eu]] ajo e daquilo que faço, sendo aquilo graças a que o Eu sabe enquanto faz" (Werke, I, p. 463). Por sua vez, [[lexico:s:schelling:start|Schelling]] afirma que "a filosofia [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] deve ser constantemente acompanhada pela intuição intelectual" e que o eu é "uma intuição intelectual contínua", porquanto "se auto-produz". E acrescenta: "Assim como, sem a intuição do [[lexico:e:espaco:start|espaço]], a [[lexico:g:geometria:start|geometria]] seria absolutamente incompreensível, porque todas as suas construções são apenas formas e maneiras variadas de limitar essa intuição, também sem a intuição intelectual a filosofia seria [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] porque todos os seus conceitos não passam de limitações diversas do produzir que se tem por objeto, em outras [[lexico:p:palavras:start|palavras]], a intuição intelectual" (System der transzendentalen Idealismus, seç. I, cap. I, trad. it., p. 39). [[lexico:h:hegel:start|Hegel]], por sua vez, identificava intuição e [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]: "O [[lexico:p:puro:start|puro]] intuir é o mesmo que o puro [[lexico:p:pensar:start|pensar]]... [[lexico:f:fe:start|Fé]] e intuição devem ser tomadas em sentido mais elevado, como fé em Deus, como intuição intelectual de Deus.- vale dizer que se deve abstrair exatamente daquilo que constitui a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre intuição e fé, de um lado, e pensamento, de outro. Não se pode afirmar que fé e intuição, transportadas para essa [[lexico:r:regiao:start|região]] mais alta, ainda sejam diferentes de pensamento" (Enc., § 63). A mesma [[lexico:t:tese:start|tese]] é sustentada por [[lexico:s:schopenhauer:start|Schopenhauer]], que identifica intelecto e intuição, e pretende que até as conexões lógicas sejam reduzidas a [[lexico:e:elementos:start|elementos]] intuitivos (Die Welt, I, § 15). À mesma linha de conceitos pertence a noção de intuição encontrada em Rosmini: como apreensão imediata da ideia do ser em [[lexico:g:geral:start|geral]] (Nuovo saggio, § 1.159; [[lexico:a:antropologia:start|antropologia]], § 40, 505; [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]], § 13). E, apesar de opor-se a Rosmini quanto ao caráter [[lexico:i:indeterminado:start|indeterminado]] e [[lexico:v:vazio:start|vazio]] da ideia de ser, Gioberti aceitava a noção de intuição como relação imediata, total e necessária da mente humana com Deus e com sua [[lexico:a:acao:start|ação]] criadora (Intr. alio studio della fil., II, p. 46). Esta continuava sendo uma "intuição intelectual", mas também é intelectual a intuição de que [[lexico:f:fala:start|fala]] [[lexico:b:bergson:start|Bergson]], conquanto carregada de polêmica anti-intelectualista ou anti-racionalista. De fato, como [[lexico:o:orgao:start|órgão]] [[lexico:p:proprio:start|próprio]] da filosofia, ela possui as características da intuição intelectual romântica: relação imediata ou direta com a realidade absoluta, ou seja, com a [[lexico:d:duracao:start|duração]] da consciência ou com o [[lexico:i:impulso:start|impulso]] criativo da [[lexico:v:vida:start|vida]]. Bergson afirma: "A intuição é a visão do espírito por [[lexico:p:parte:start|parte]] do espírito." "intuição significa principalmente consciência, mas consciência imediata, visão que [[lexico:m:mal:start|mal]] se distingue do objeto visto, conhecimento que é contato e até coincidência" (La pensée et le mouvant, 3a ed., 1934, pp. 35-36). As mesmas características formais encontram-se na intuição [[lexico:e:eidetica:start|eidética]] ou intuição da [[lexico:e:essencia:start|essência]] da qual fala Husseri: "A essência é um objeto de nova [[lexico:e:especie:start|espécie]]. Assim como o dado da intuição individual empírica é um objeto individual, também o dado da intuição eidética é uma essência pura. Não se trata de uma [[lexico:a:analogia:start|analogia]] externa, mas sim de uma [[lexico:a:afinidade:start|afinidade]] radical. Também a intuição eidética é uma intuição, assim como o objeto [[lexico:e:eidetico:start|eidético]] é um objeto. A [[lexico:g:generalizacao:start|generalização]] dos conceitos correlativos ‘intuição’ e ‘objeto’ não é arbitrária, mas exigida necessariamente pela [[lexico:n:natureza:start|natureza]] das coisas" (Ideen, I, § 3). Por [[lexico:f:fim:start|fim]], a intuição que [[lexico:c:croce:start|Croce]] identifica com a [[lexico:a:arte:start|arte]] tem as mesmas características formais: é conhecimento originário e imediato, que por isso não distingue entre [[lexico:r:real:start|real]] e [[lexico:i:irreal:start|irreal]]; tem caráter ou [[lexico:f:fisionomia:start|fisionomia]] individual e expressa diretamente o objeto ([[lexico:e:estetica:start|Estética]], cap. 1). Recapitulando as características comuns e as diferenciais da intuição ao longo da [[lexico:h:historia:start|história]] da filosofia, podemos dizer sobre as primeiras que a intuição é uma relação com o objeto, caracterizada: 1) pela imediação e 2) pela presença efetiva do objeto. Constantemente, com base nessas características, a intuição é considerada uma forma de conhecimento privilegiado. Por outro lado, suas características diferenciais podem ser assim distintas: 1) a intuição pode ser exclusiva de Deus e considerada o conhecimento que o criador tem das coisas criadas; 2) pode ser atribuída ao homem e considerada a experiência como conhecimento de um objeto presente, sendo, nesse sentido, [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] ; 3) pode ser atribuída ao homem e considerada conhecimento originário e criativo no sentido romântico. As três alternativas deixaram, em grande parte, de despertar o [[lexico:i:interesse:start|interesse]] da filosofia contemporânea. A primeira de fato pertence à [[lexico:e:esfera:start|esfera]] das especulações teológicas. A segunda tende a ser substituída pelo [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de experiência como [[lexico:m:metodo:start|método]] ou como conjunto de métodos. A terceira está estritamente ligada à [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] do Romantismo (velho e novo): ascende e declina com ele. Em 1868 [[lexico:p:peirce:start|Peirce]] fez uma [[lexico:c:critica:start|crítica]] do conceito de intuição, negando: 1) que ela pudesse servir para garantir a [[lexico:r:referencia:start|referência]] imediata de um conhecimento ao seu objeto; 2) que ela pudesse constituir o conhecimento evidente que o Eu tem de si mesmo; 3) que pudesse capacitar a distinguir os elementos subjetivos de conhecimentos diferentes. Ao mesmo tempo, Peirce afirmava a [[lexico:i:impossibilidade:start|impossibilidade]] de pensar sem signos e de conhecer sem recorrer ao vínculo [[lexico:r:reciproco:start|recíproco]] dos conhecimentos (Coll. Pap., 5.213-263). Essas negações e afirmações de Peirce foram e são amplamente aceitas pela filosofia contemporânea. Hoje, mais que aos filósofos, a intuição serve aos [[lexico:c:cientistas:start|cientistas]], particularmente a matemáticos e lógicos, quando estes querem frisar o caráter inventivo de sua [[lexico:c:ciencia:start|ciência]]. Claude [[lexico:b:bernard:start|Bernard]] dizia: "A intuição ou [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] gera a ideia ou a [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] [[lexico:e:experimental:start|experimental]], ou seja, a [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] antecipada dos fenômenos da natureza. Toda a iniciativa experimental está na ideia, pois só ela provoca a experiência. A razão ou o raciocínio servem apenas para deduzir as consequências dessa ideia e para submetê-las à experiência" (Intr. à l’étude de la médecine expérimentale, 1865, 1, 2, § 2). Poincaré repetia, com referência à [[lexico:m:matematica:start|matemática]], o que Bernard dissera a propósito das ciências experimentais: "Demonstra-se com a [[lexico:l:logica:start|lógica]], mas só se inventa com a intuição (...) A [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] que nos ensina a [[lexico:v:ver:start|ver]] é a intuição. Sem ela, o geômetra seria como o escritor [[lexico:b:bom:start|Bom]] de [[lexico:g:gramatica:start|gramática]], mas vazio de ideias" (Science et méthode, 1909, p. 137). Ainda segundo Poincaré, na matemática a exigência lógica leva à formulação [[lexico:a:analitica:start|analítica]]; a exigência intuitiva, à formulação geométrica. "Assim, a lógica e a intuição têm cada uma sua missão. Ambas são indispensáveis. A lógica, a única que pode dar certezas, é o [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] da [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]]: a intuição é o instrumento da [[lexico:i:invencao:start|invenção]]" (La valeur de la science, 1905, p. 29). Nesse sentido, como já se observou algumas vezes, a intuição tem caráter mais [[lexico:n:negativo:start|negativo]] que [[lexico:p:positivo:start|positivo]]: ela antecipa o que não decorre da [[lexico:o:observacao:start|observação]] empírica ou não pode ser deduzido dos conhecimentos já possuídos. Portanto, parece designar apenas certo [[lexico:g:grau:start|grau]] de [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] do pesquisador e [[lexico:n:nada:start|nada]] tem a ver com o significado filosófico tradicional do termo, no qual se insere o emprego que dele fazem os matemáticos intuicionistas (v. [[lexico:i:intuicionismo:start|intuicionismo]], 4a). VIDE [[lexico:n:nous:start|noûs]], [[lexico:n:noesis:start|noesis]] conhecimento imediato. — Em [[lexico:p:principio:start|princípio]], distingue-se a intuição "empírica", que se relaciona a um objeto do [[lexico:m:mundo:start|mundo]], da intuição "[[lexico:r:racional:start|racional]]", que se designa a apreensão imediata de uma relação entre duas ideias (por ex., é uma intuição racional que nos permite [[lexico:a:apreender:start|apreender]] a demonstração que a [[lexico:s:soma:start|soma]] dos ângulos de um [[lexico:t:triangulo:start|triângulo]] é igual a dois ângulos retos). Toda intuição tem um caráter de [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]], quer se trate da descoberta de um objeto do mundo, de uma nova ideia ou da [[lexico:a:analise:start|análise]] de um sentimento. É nesse sentido que se tem falado da natureza "divinatória" da intuição. Distingue-se, em psicologia, as inteligências "intuitivas" e as inteligências "discursivas", segundo a rapidez da [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] e suas exigências de demonstrações objetivas ou, ao contrário, suas repugnâncias por essas demonstrações. Em sentido [[lexico:e:estrito:start|estrito]], é a visão direta de algo individual existente, que se mostra imediatamente em sua concreta plenitude (isto é, sem intervenção de outros conteúdos cognitivos). Pelo que, só pode denominar-se intuitivo, em sentido rigoroso, aquele conhecimento que apreende o objeto em seu próprio ser presente; pelo contrário, é obstrutivo o conhecimento que prescinde da presença viva do conhecido. — Distinguem-se duas espécies de intuição: [[lexico:s:sensorial:start|sensorial]] e intelectual, denominando-se esta última também visão intelectual. A intuição sensorial encontra-se no [[lexico:a:animal:start|animal]] e (em grau mais [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]]) no homem. Ligada a órgãos do [[lexico:c:corpo:start|corpo]], limita-se às manifestações do mundo corpóreo. O termo "intuição" provém do sentido da vista, que no homem tem a primazia entre os demais sentidos; contudo estes possuem igualmente, a seu modo, uma "intuição" (mais ou menos altamente valiosa). Em sentido pleno, só pode designar-se como intuição a percepção imediata, porque só ela co-apresenta nos fenômenos sensoriais a existência do individual. Em acepção mais ampla, qualifica-se também de intuitiva a representação, na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que se forma de elementos intuitivos puramente sensoriais, mas prescinde da existência do individual representado. Entre a representação e a percepção situam-se as chamadas "imagens intuitivas subjetivas" dos eidéticos (do [[lexico:g:grego:start|grego]] [[lexico:e:eidos:start|eidos]] = [[lexico:i:imagem:start|imagem]]); produzidas pela [[lexico:f:fantasia:start|fantasia]] (não pelo objeto) como representações correntes, igualam, todavia, em clareza plástica (e, tratando-se de certos tipos, também em independência da [[lexico:v:vontade:start|vontade]]) as percepções (representação). — A intuição sensorial como percepção e representação reveste-se da maior importância para o pensamento humano, porque é a partir dela que este elabora muitos de seus conceitos primeiros e permanece constantemente incrustado nela durante seu curso ulterior (conversio ad [[lexico:p:phantasma:start|phantasma]] dos escolásticos). VIDE [[lexico:f:formacao-do-conceito:start|formação do conceito]], [[lexico:e:entendimento:start|entendimento]]. A intuição intelectual, em sentido estrito, só o espírito puro a possui; seu [[lexico:a:arquetipo:start|arquétipo]] é a visão com que Deus se compreende e compreende todo o existente finito no espelho de si mesmo ([[lexico:o:onisciencia:start|onisciência]]). Esta visão dirige-se ao ser (em [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] ao aparente ou [[lexico:f:fenomenico:start|fenomênico]]), e, por conseguinte, no caso de [[lexico:e:ente:start|ente]] corpóreo, penetra até seu núcleo [[lexico:e:essencial:start|essencial]], desde o qual contempla os fenômenos. Pelo que, não é só a fixação opaca do faticamente existente (como a intuição sensorial), mas é, ao mesmo tempo, e necessariamente, a apreensão ou compreensão dele em seu [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]]. Esta intuição intelectual é interdita ao homem, por mais que o [[lexico:o:ontologismo:start|ontologismo]], e bastas vezes também o [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]], lha atribuam. Contudo, há, em seu conhecer intelectual, intuição em sentido lato, na medida em que este conhecimento participa de alguns traços essenciais da intuição intelectual. Muito próxima a ela vem a compreensão dos atos espirituais de pensar e querer. Podemos aqui [[lexico:f:falar:start|falar]] de intuição, porque tais atos se mostram imediatamente como algo existente [[lexico:s:singular:start|singular]]; não na acepção plenária do termo, visto que se tornam presentes não em visão direta, senão unicamente mediante a [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]]. — Nosso conhecimento conceptual aparece primariamente como o polo oposto de toda intuição, uma vez que tem em mira o [[lexico:u:universal:start|universal]], prescinde do existente e nunca extrai da plenitude concreta senão rasgos isolados; tampouco é um apreender imediato, mas sempre é levado a cabo mediante a intuição sensorial ou a reflexão. Não obstante, atendendo a que o universal primeiramente se conhece como que totalmente incrustado nestes modos intuitivos de apreensão, o próprio conceito ganha uma certa intuitividade, podendo, então, falar-se de "intuição da essência". [[lexico:a:alem:start|Além]] disso, o conhecimento conceptual qualifica-se de intuitivo, na medida em eme imediatamente, ou seja, sem intervenção de um raciocínio, apreende seus objetos, quer estes sejam [[lexico:e:essencias:start|essências]], quer conexões essenciais. Neste sentido fala S. Tomás de Aquino elo intelectus principiorum e distingue entre intelectus e [[lexico:r:ratio:start|ratio]], isto é, entre conhecimento intelectual e conhecimento discursivo respectivamente, o primeiro dos quais, segundo ele, participa, em grau mínimo, da visão do espírito puro. — De modo mais assinalado, podemos falar de intuição, quando abarcamos com um só olhar (sem mediação do discurso) [[lexico:r:relacoes:start|relações]] de maior amplitude; isto se aplica principalmente à visão artística, porque nela o objeto contemplado concretiza-se também em formas sensorialmente intuitivas. — Tal visão é sentida como inspiração, quando repentinamente abre perspectivas imprevistas e se apresenta como mercê graciosa, sem que haja intervenção própria. Segundo S. Tomás, o conhecimento intuitivo aqui descrito não difere essencialmente elo conhecimento discursivo, visto que "intelectus" e "ratio" constituem unicamente duas funções de uma só [[lexico:p:potencia:start|potência]] cognoscitiva intelectual. A [[lexico:f:filosofia-moderna:start|filosofia moderna]] restringe muito e de muitas maneiras o rico âmbito do conhecimento [[lexico:t:teoretico:start|teorético]] (tomado, sobretudo, como discursivo), subtraindo-lhe principalmente os conhecimentos orientadores da vida e as realidades metafísicas. Estas são, então, postas em [[lexico:c:correspondencia:start|correspondência]] com modos de compreensão extra-intelectuais, irracionais ou emocionais, que frequentemente se manifestam como intuições. Devem aqui incluir-se, além ela [[lexico:f:filosofia-da-vida:start|filosofia da vida]], a "apresentação [[lexico:e:emocional:start|emocional]]" e o "sentimento [[lexico:i:intencional:start|intencional]]" da atual [[lexico:f:filosofia-dos-valores:start|filosofia dos valores]], [[lexico:b:bem:start|Bem]] como também a [[lexico:i:irracional:start|irracional]] apreensão de Deus preconizada pela [[lexico:f:filosofia-da-religiao:start|filosofia da religião]] em nossos dias. Embora tais orientações enfermem de uma infra-valorização do racional, todavia puseram em destaque, com grande [[lexico:i:intensidade:start|intensidade]], a insuficiência da "ratio" [[lexico:m:moderna:start|moderna]] descaracterizada, mate matizada e escrava ela [[lexico:t:tecnica:start|técnica]]. Ensinam também que só a inserção na [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] das forças psíquicas outorga ao conhecimento sua plena eficácia e [[lexico:v:vitalidade:start|vitalidade]], com o que, muitas vezes, uma apreensão globalmente intuitiva se antecede à análise racional. — Lotz. Podemos dizer que quando os fatos são corpos, nós os intuímos por intermédio dos sentidos. Quando são estados de alma, nós os percebemos imediatamente, isto é, diretamente. Denominamos intuição essa [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de darmos conta dos fatos espaciais e temporais. Intuímos o sensível. Também se usa o termo intuição em acepção figurada, que é aplicada à visão [[lexico:i:ideal:start|ideal]]. Assim se fala em intuição intelectual, poética e [[lexico:m:mistica:start|mística]]. O vocábulo intuição designa em geral a visão direta e imediata de uma realidade ou a compreensão direta e imediata de uma verdade. [[lexico:c:condicao:start|Condição]] para que haja intuição em ambos os casos é que não haja elementos intermediários que se interponham em tal “visão direta”. Tem sido comum por isso contrapor o pensar intuitivo ao pensar discursivo, mas vários autores preferem a intuição à dedução (Descartes) ou ao conceito (Kant). [[lexico:p:platao:start|Platão]] e [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] admitiram tanto o pensar intuitivo como o discursivo, mas enquanto Platão se inclinou para destacar o [[lexico:v:valor:start|valor]] superior do primeiro e para considerar o segundo como um auxílio para o atingir, Aristóteles procurou sempre estabelecer um equilíbrio entre ambos. A intuição pode ser dividida em sensível e [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]], mas a intuição a que os citados filósofos se referiram quase sempre foi a inteligível. Muitos autores escolásticos examinaram o [[lexico:p:problema:start|problema]] da intuição em estreita relação com o da [[lexico:a:abstracao:start|abstração]]. Muito [[lexico:v:vulgar:start|vulgar]] entre eles foi distinguir entre a ideia intuitiva - ou seja, a que é recebida imediatamente pela presença real da [[lexico:c:coisa:start|coisa]] conhecida - e a ideia abstrativa - em que tal [[lexico:r:reacao:start|reação]] não é imediata. A intuição é por isso a visão, de tal modo que no [[lexico:a:ato:start|ato]] intuitivo o [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] vê a coisa ou se sente sentir, e assim sucessivamente, ao contrário do que sucede no ato abstrativo, onde se conhece uma coisa pela [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]], como a [[lexico:c:causa:start|causa]] pelo [[lexico:e:efeito:start|efeito]]. Para Descartes, a intuição é um ato [[lexico:u:unico:start|único]] ou [[lexico:s:simples:start|simples]], diferentemente do discurso, que consiste numa [[lexico:s:serie:start|série]] ou [[lexico:s:sucessao:start|sucessão]] de atos; por isso, como Descartes especialmente evidencia nas Regras para a Direção do Espírito, apenas há evidência propriamente dita na intuição, que apreende as naturezas simples, assim como as soluções imediatas entre estas naturezas. A intuição cartesiana tem três propriedades essenciais: a) ser ato de pensamento puro (por oposição à percepção sensível); b)n ser infalível, na medida em que é ainda mais simples que a dedução, a qual não é mais que a progressão espontânea da [[lexico:l:luz-natural:start|luz natural]]; c) aplica-se a tudo o que possa cair sob um ato simples do pensamento, quer dizer, os juízos e as relações entre juízos. Por sua vez, a captação imediata e não discursiva ou mediata das naturezas converte-se para Leibniz na apreensão direta das primeiras verdades. A intuição é, assim, um modo de [[lexico:a:acesso:start|acesso]] às [[lexico:v:verdades-de-razao:start|verdades de razão]] ou, para uma mente infinita, às próprias [[lexico:v:verdades-de-fato:start|verdades de fato]], na medida em que têm o seu fundamento naquelas e podem ser abarcadas por intermédio de um só olhar intelectual. Kant empregou o termo intuição em vários sentidos: intuição intelectual, intuição empírica, intuição pura. A intuição intelectual, aquele [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de intuição por intermédio do qual alguns autores pretendem que se pode conhecer diretamente certas realidades que se encontram fora do [[lexico:l:limite:start|limite]] da experiência possível. Kant rejeita este tipo de intuição. O tipo de intuição aceitável é aquele que tem lugar “na medida em que o objeto nos é dado, o que unicamente é possível, pelo menos para nós, os homens, quando o espírito foi afetado por ele”. Segundo Kant, os objetos são-nos dados por meio da [[lexico:s:sensibilidade:start|sensibilidade]], e só esta produz intuição. A intuição é empírica quando se relaciona com o objeto por meio das sensações, chamando-se [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] ao objeto indeterminado desta intuição. A é pura quando não há nela nada do que pertence à [[lexico:s:sensacao:start|sensação]]. A intuição tem lugar [[lexico:a:a-priori:start|a priori]], como forma pura da sensibilidade “e sem um objeto real do sentido ou sensação”. A intuição, todavia, não basta para o [[lexico:j:juizo:start|juízo]]. este requer conceitos, os quais são produzidos pelo entendimento. É fundamental na [[lexico:t:teoria:start|teoria]] kantiana do conhecimento a tese de que “os [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]] sem conteúdo são vazios; as intuições sem conceitos são cegas”. O [[lexico:i:idealismo-alemao:start|idealismo alemão]] [[lexico:p:pos-kantiano:start|pós-kantiano]] tendeu para aceitar a noção de intuição intelectual.. Isto sucedeu por várias razões: eliminação da coisa em si, importância outorgada à [[lexico:a:atividade:start|atividade]] não só constituinte mas também construtora do Eu. Também se podem [[lexico:c:compreender:start|compreender]] as ideias de intuição que se sustentaram ao longo da história da filosofia se nos ativermos a uma [[lexico:c:classificacao:start|classificação]] geral das espécies de intuição. A intuição pode ser dividida em sensível ou inteligível, espiritual ou ideal. A primeira é a visão direta no [[lexico:p:plano:start|plano]] da sensibilidade de algo imediatamente dado e, em rigor, de algo real. A segunda, que é a propriamente filosófica, dirige-se ao ideal, capta essências, relações, objetos ideais, mas capta-los, por assim dizer, através da intuição sensível, sem que isto queira dizer que o apreendido neste segundo tipo de intuição seja uma mera abstração do sensível. Como [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] assiná-la, toda a intuição individual ou empírica pode transformar-se em essencial, em [[lexico:i:intuicao-das-essencias:start|intuição das essências]] ou [[lexico:i:ideacao:start|ideação]], a qual capta o “quê” das coisas de modo que enquanto “o dado da intuição individual ou empírica é um objeto individual, o dado da intuição essencial é uma essência pura”. Junto a estas duas intuições fala-se de uma intuição ideal, dirigida às essências, de uma intuição emocional, dirigida aos valores, de uma [[lexico:i:intuicao-volitiva:start|intuição volitiva]], encaminhada à apreensão das existências. Para Bergson, a intuição é aquele modo de conhecimento que, em oposição ao pensamento, capta a realidade verdadeira, a [[lexico:i:interioridade:start|interioridade]], a duração, a continuidade, o que se move e se faz; enquanto o pensamento aflora o [[lexico:e:externo:start|externo]], converte o [[lexico:c:continuo:start|contínuo]] em fragmentos separados, analisa e decompõe, a intuição dirige-se ao [[lexico:f:futuro:start|futuro]], instala-se no [[lexico:c:coracao:start|coração]] do real. A intuição é por isso intimamente [[lexico:i:inefavel:start|inefável]]; a [[lexico:e:expressao:start|expressão]] da intuição cristaliza e, de certo modo, falsifica a intuição. A intuição bergsoniana é uma intuição de realidades, ou, inclusivamente, da realidade. Esta abre-se à intuição quando se desarticulam e rompem [[lexico:c:categorias:start|categorias]] “espacializadoras” e “pragmáticas” do pensamento. Para Husserl, a intuição pode ser individual, mas esta intuição pode transformar- se - não empiricamente, mas como “[[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] essencial” - numa visão essencial. O objeto desta é uma pura essência desde as categorias mais elevadas até ao mais [[lexico:c:concreto:start|concreto]]. A visão essencial intuitiva pode ser adequada ou inadequada conforme for mais ou menos completa (o que não corresponde necessariamente à sua maior ou menor [[lexico:c:clareza-e-distincao:start|clareza e distinção]]). A intuição essencial capta uma pura essência, a qual é dada à dita intuição. A intuição [[lexico:c:categorial:start|categorial]] é para Husserl a intuição de certos conteúdos não sensíveis tais como [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] e números. As diferentes espécies de “visões de essenciais” são equivalentes a diferentes tipos de intuição categorial. Pode ver-se que se propôs um tipo diferente de intuição para cada [[lexico:o:ordem:start|ordem]] de objetos - entendo objeto num sentido muito geral, que inclui coisas tais como essências, números, relações, e... Há algum fundamento comum em tão variadas formas de intuição? Para já parece que não pode haver fundamento comum pelo menos de dois tipos de intuição: a chamada intuição sensível e a intuição não sensível. Com efeito, a primeira refere-se a dados, objetos, processos, etc, percebidos pelos sentidos, enquanto a segunda, tanto se refere a [[lexico:u:universais:start|universais]] [[lexico:c:como-se:start|como se]] refere a entidades metafísicas, encontra-se para lá de toda a apreensão sensível. Não obstante, quando não consideramos nem o tipo de objeto nem o órgão ou faculdade de apreensão do mesmo e nos limitamos a estudar a forma de relação entre o objeto e a intuição, podemos advertir vários [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] comuns em todas as espécies de intuição citadas. Entre tais caracteres mencionamos os seguintes: O ser direta (na intuição não há rodeios de nenhuma espécie); o ser imediata (na intuição não há nenhum [[lexico:e:elemento:start|elemento]] [[lexico:m:mediador:start|mediador]], nenhum raciocínio, nenhuma inferência, etc); o ser completa (nem toda a intuição apreende por completo o objeto que se propõe intuir, mas toda a intuição apreende totalmente o apreendido); o ser adequada (na medida em que deixa de haver [[lexico:a:adequacao:start|adequação]] deixa de haver intuição). A generalidade destes caracteres mostra-se em que correspondem por igual não apenas à intuição de realidades, sensíveis ou não, mas também à intuição de conceitos e de proposições. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}