===== INTERESSE ===== (in. Interest; fr. Intérêt; al. Interesse; it. Interesse). [[lexico:p:participacao|Participação]] [[lexico:p:pessoal|pessoal]] numa [[lexico:s:situacao|situação]] qualquer e a dependência que dela resulta para a [[lexico:p:pessoa|pessoa]] interessada. Trata-se de um [[lexico:c:conceito|conceito]] [[lexico:m:moderno|moderno]] que [[lexico:k:kant|Kant]] utiliza no [[lexico:d:dominio-da-estetica|domínio da estética]], com a [[lexico:f:finalidade|finalidade]] de afirmar o [[lexico:c:carater|caráter]] "desinteressado" do [[lexico:p:prazer|prazer]] estético: "Chama-se de interesse o prazer que associamos à [[lexico:r:representacao|representação]] da [[lexico:e:existencia|existência]] de um [[lexico:o:objeto|objeto]]. [[lexico:e:esse|esse]] prazer tem sempre [[lexico:r:relacao|relação]] com a [[lexico:f:faculdade|faculdade]] de desejar, seja como [[lexico:c:causa|causa]] determinante dele, seja como necessariamente atinente a tal causa. Mas quando se trata de julgar se uma [[lexico:c:coisa|coisa]] é bela, [[lexico:n:nao|não]] queremos [[lexico:s:saber|saber]] se sua existência importa ou pode vir a importar para nós ou para qualquer pessoa; só queremos saber como julgá-la ao contemplá-la" (Crít. do [[lexico:j:juizo|Juízo]], § 2). [[lexico:h:hegel|Hegel]], por sua vez, ao definir o interesse como "o [[lexico:m:momento|momento]] da [[lexico:i:individualidade|individualidade]] subjetiva e de sua [[lexico:a:atividade|atividade]]", entendia com isso a [[lexico:p:presenca|presença]] do [[lexico:s:sujeito|sujeito]] na [[lexico:a:acao|ação]] (Enc., § 475). A [[lexico:n:nocao|noção]] de interesse foi utilizada sobretudo em [[lexico:p:pedagogia|pedagogia]], como participação do educando no saber, graças à qual o saber se lhe afigura [[lexico:u:util|útil]]. Essa foi uma das regras propostas para a [[lexico:e:educacao|educação]] em Emílio de [[lexico:r:rousseau|Rousseau]]. Mas foi [[lexico:h:herbart|Herbart]] [[lexico:q:quem|quem]] utilizou sistematicamente a noção de interesse, indicando como [[lexico:f:fim|fim]] da educação a plurilateralidade dos interesses. Segundo Herbart, o interesse está no [[lexico:m:meio|meio]], entre [[lexico:s:ser|ser]] espectador dos fatos e neles intervir; em outros termos, é uma participação ainda não totalmente ativa ou engajada. O interesse também se distingue do [[lexico:d:desejo|desejo]] porque, enquanto o objeto deste [[lexico:u:ultimo|último]] ainda não existe, o objeto do interesse já está presente e [[lexico:r:real|real]] (Allgemeine Pädagogik, 1873, II, 1, 2, § 3). Dos pedagogos contemporâneos foi [[lexico:d:dewey|Dewey]] quem mais insistiu na [[lexico:v:valor|valor]] do interesse, definindo-o como "o acompanhamento da identificação, através da ação, do [[lexico:e:eu|eu]] com algum objeto ou [[lexico:i:ideia|ideia]], através da [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de tal objeto ou ideia para a manutenção da auto-expressão" (Educational Essays, ed. por J. J. Findlay, p. 89). Desse [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista, o [[lexico:e:esforco|esforço]], que, em pedagogia, às vezes se costuma contrapor ao interesse, implica uma [[lexico:s:separacao|separação]] entre o eu e o objeto que deve se aprendido ou dominado. Segundo Dewey, os [[lexico:c:caracteres|caracteres]] do interesse são a atividade, a projetividade e a propulsividade. Pelo primeiro, o interesse é [[lexico:d:dinamico|dinâmico]], impele à ação. Pelo segundo, o interesse tem [[lexico:o:objetivo|objetivo]] fora de si, em algum objeto ou finalidade à qual se apega. Pelo [[lexico:t:terceiro|terceiro]], interesse significa realização interna ou [[lexico:s:sentimento|sentimento]] de valor (Ibid., pp. 90-91). Essa concepção do interesse, que é um dos pontos focais da pedagogia de Dewey, exerceu forte [[lexico:i:influencia|influência]] sobre a [[lexico:t:teoria|teoria]] e a prática da educação em todos os países do Ocidente.