===== INTENCIONALIDADE E COMPORTAMENTO ===== A [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]], nisto também paralela ao [[lexico:o:objetivismo:start|objetivismo]], era assim levada necessariamente a rejeitar a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] clássica entre interior e [[lexico:e:exterior:start|exterior]]. Pode-se, num certo [[lexico:s:sentido:start|sentido]], dizer que [[lexico:t:todo:start|todo]] o [[lexico:p:problema:start|problema]] husserliano é definir como existe para mim "objetos", [[lexico:r:razao:start|razão]] pela qual é correto afirmar que a [[lexico:i:intencionalidade:start|intencionalidade]] está no centro do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] fenomenológico. A intencionalidade, tomada no sentido [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]], exprime precisamente a insuficiência fundamental da cisão entre a [[lexico:i:interioridade:start|interioridade]] e a [[lexico:e:exterioridade:start|exterioridade]]. Dizer que a [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] é consciência de algo é dizer que [[lexico:n:nao:start|não]] existe [[lexico:n:noesis:start|noesis]] sem [[lexico:n:noema:start|noema]], [[lexico:c:cogito:start|cogito]] sem cogitatum, mas tampouco amo sem amatum etc, em [[lexico:s:suma:start|suma]] que [[lexico:e:eu:start|eu]] estou entrelaçado ao [[lexico:m:mundo:start|mundo]]. E lembramos que a [[lexico:r:reducao:start|redução]] não significa absolutamente interrupção desse entrelaçamento mas apenas um colocar fora de circuito da [[lexico:a:alienacao:start|alienação]] pela qual eu apreendo a mim mesmo como [[lexico:m:mundano:start|mundano]] e não como [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]]. A rigor, o [[lexico:e:eu-puro:start|eu puro]] isolado de seus correlatos não é [[lexico:n:nada:start|nada]]. Assim o eu psicológico (que é o mesmo que o eu [[lexico:p:puro:start|puro]]) é constantemente e por [[lexico:e:essencia:start|essência]] lançado ao mundo, comprometido em situações. Chega-se então a uma nova [[lexico:l:localizacao:start|localização]] do "psiquismo" que não é mais interioridade, mas intencionalidade, em outras [[lexico:p:palavras:start|palavras]], [[lexico:r:relacao:start|relação]] do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] e da [[lexico:s:situacao:start|situação]]. Subentendendo-se que essa relação não une dois polos rigorosamente isoláveis, mas ao contrário que o eu, como igualmente a situação, só é definível na situação e por ela. Contra Sto. [[lexico:a:agostinho:start|Agostinho]] que evoca a [[lexico:r:retorno:start|retorno]] à [[lexico:v:verdade:start|verdade]] interior, [[lexico:m:merleau-ponty:start|Merleau-Ponty]] escreve: "O mundo não é um [[lexico:o:objeto:start|objeto]] cuja [[lexico:l:lei:start|lei]] de [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] eu possuo em meu [[lexico:c:coracao:start|coração]], ele é o [[lexico:m:meio:start|meio]] [[lexico:n:natural:start|natural]] e o [[lexico:c:campo:start|campo]] de todos os meus [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]] e todas as minhas percepções explicitas.. A verdade não "habita" somente o "[[lexico:h:homem:start|homem]] interior" ou melhor não existe homem interior, o homem é no mundo, é no mundo que ele se conhece" (Phén. perc., p. V.). Assim o mundo é negado como exterior e afirmado como "meio", o eu é negado como interioridade e afirmado como "existente". Ora, o mesmo deslocamento da [[lexico:n:nocao:start|noção]] central de toda a [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]], ou seja do [[lexico:p:proprio:start|próprio]] psiquismo, se observava paralelamente nas investigações empíricas. O [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]], tal como é definido por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] por Watson em 1914, responde já à mesma [[lexico:i:intencao:start|intenção]]: [[lexico:e:esse:start|esse]] comportamento é concebido "perifericamente", isto é, pode [[lexico:s:ser:start|ser]] estudado sem se recorrer à [[lexico:f:fisiologia:start|fisiologia]], como uma relação constantemente [[lexico:m:movel:start|móvel]] entre um conjunto de estímulos, procedentes do meio natural e cultural e um conjunto de respostas a tais estímulos, que levam o sujeito para esse meio. A [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] de uma consciência fechada na sua interioridade e que dirige o comportamento, como um piloto o seu navio, deve ser eliminada: ela é contrário ao [[lexico:u:unico:start|único]] [[lexico:p:postulado:start|postulado]] coerente de uma psicologia objetiva, o [[lexico:d:determinismo:start|determinismo]]. Uma [[lexico:d:definicao:start|definição]] de tal [[lexico:n:natureza:start|natureza]] autoriza [[lexico:a:alem:start|além]] disso as pesquisas experimentais e favorece a elaboração de constantes. A fenomenologia não tinha [[lexico:m:motivos:start|motivos]] para se pronunciar sobre esse [[lexico:u:ultimo:start|último]] [[lexico:p:ponto:start|ponto]], mas, de qualquer [[lexico:m:modo:start|modo]], só poderia aplaudir à [[lexico:f:formacao:start|formação]] de uma psicologia empírica cujos axiomas estavam de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com suas próprias definições eidéticas. Nada há de surpreendente no [[lexico:f:fato:start|fato]] de haver rompido com o [[lexico:b:behaviorismo:start|behaviorismo]] reflexológico para o qual Watson propendia, pois via nisto uma recaída nas aporias do introspeccionismo: em vez de permanecer no nível periférico, de acordo com suas primeiras definições, Watson chegava a procurar a [[lexico:c:causa:start|causa]] da resposta a um [[lexico:e:estimulo:start|estímulo]] [[lexico:d:dado:start|dado]] nas conduções nervosas aferentes, centrais e eferentes pelas quais o [[lexico:i:influxo:start|influxo]] circula; tentava mesmo, para finalizar, reduzir todas as conduções ao [[lexico:e:esquema:start|esquema]] [[lexico:r:reflexo:start|reflexo]], integrando assim sem precauções os resultados da célebre [[lexico:r:reflexologia:start|reflexologia]] da [[lexico:p:pavlov:start|Pavlov]] e Bechterev, isolando de novo o [[lexico:c:corpo:start|corpo]]. O reflexo tornava-se o conceito de base da [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] behaviorista: os fenomenólogos não têm dificuldades para demonstrar que Watson não mais descreve o comportamento efetivamente [[lexico:v:vivido:start|vivido]], mas um substituto tematizado desse comportamento, um "[[lexico:m:modelo:start|modelo]]" fisiológico [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]], cujo [[lexico:v:valor:start|valor]] é, de resto, contestável. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}