===== INTELIGÊNCIA ===== [[lexico:n:nous:start|noûs]] - (gr.) = [[lexico:e:espirito:start|espírito]]. Vide [[lexico:a:alma:start|alma]]. [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] de [[lexico:c:compreender:start|compreender]], [[lexico:a:aptidao:start|aptidão]] para [[lexico:a:apreender:start|apreender]] [[lexico:r:relacoes:start|relações]]. — Há compreensões mais ou menos rápidas, mais ou menos profundas: em [[lexico:g:geral:start|geral]], uma [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] rápida será superficial e uma compreensão lenta será profunda. Em [[lexico:s:suma:start|suma]], [[lexico:n:nao:start|não]] há "uma" inteligência, mas diversas formas de inteligência. O [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] da "[[lexico:o:orientacao:start|orientação]] profissional" é descobrir a inteligência [[lexico:p:particular:start|particular]] de cada um e permitir-lhe "[[lexico:t:ter:start|ter]] êxito" numa especialidade. O "êxito" é uma [[lexico:p:prova:start|prova]] geral da inteligência (Spearmann). De um [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista [[lexico:p:pratico:start|prático]], a inteligência se define como a faculdade de [[lexico:a:adaptacao:start|adaptação]] (Claparède), a aptidão para adaptar-se rapidamente a situações ou problemas novos. Mede-se a inteligência por [[lexico:m:meio:start|meio]] de "testes" (por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], sobre combinações mecânicas, cálculos elementares, construções de quebra-cabeças, para serem realizados num determinado [[lexico:t:tempo:start|tempo]]). A inteligência [[lexico:a:animal:start|animal]] mede-se pela aptidão do animal em fazer um rodeio ("[[lexico:c:conduta:start|conduta]] do rodeio") para obter determinado resultado (por ex., o macaco é por vezes capaz de se utilizar de uma vara para colher um fruto). O [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] da inteligência, na criança, está ligado ao desenvolvimento da [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]]: com dez meses, possui ela o [[lexico:g:grau:start|grau]] de inteligência de um macaco, a [[lexico:q:quem:start|quem]] ultrapassa rapidamente depois. É preciso não confundir, no [[lexico:h:homem:start|homem]], a inteligência com a [[lexico:m:memoria:start|memória]], ou julgá-la segundo a elevação ou a pujança das paixões de um [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]], ou segundo a [[lexico:f:forca:start|força]] de sua [[lexico:v:vontade:start|vontade]]. Cada qual pode desenvolver sua inteligência cultivando-se e aprendendo a [[lexico:r:raciocinar:start|raciocinar]] e a julgar. (V. criança.) O noûs [[lexico:g:grego:start|grego]] significa [[lexico:r:razao:start|razão]], [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]], porém em um [[lexico:s:sentido:start|sentido]] primariamente objetivo, [[lexico:u:universal:start|universal]] ou cosmológico, sem a [[lexico:l:limitacao:start|limitação]] individual e psíquica, que é mais usual. [[lexico:a:anaxagoras:start|Anaxágoras]] foi o primeiro que deu ao [[lexico:t:termo:start|termo]], dentro do seu [[lexico:s:sistema-filosofico:start|sistema filosófico]], um sentido definido. O noûs é aqui o [[lexico:p:principio:start|princípio]] de [[lexico:o:ordem:start|ordem]], que se impõe aos [[lexico:e:elementos:start|elementos]] inertes e ainda que não fosse concebido de maneira imaterial, mas apenas como mais fino e sutil em comparação aos elementos, lhe foi atribuído maior [[lexico:a:atividade:start|atividade]], dando [[lexico:o:origem:start|origem]] ao [[lexico:m:movimento:start|movimento]] no [[lexico:m:mundo:start|mundo]], mas também introduzindo nele [[lexico:u:unidade:start|unidade]] e [[lexico:s:sistema:start|sistema]]. Importância particular assume o noûs, segundo Anaxágoras, na organização do [[lexico:c:ceu:start|céu]] estrelado e em todos aqueles fenômenos da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] que não podiam [[lexico:s:ser:start|ser]] interpretados, na [[lexico:e:epoca:start|época]], por leis mecânicas. [[lexico:d:diogenes-de-apolonia:start|Diógenes de Apolônia]] identificou-o com o [[lexico:a:ar:start|ar]] que, segundo ele, atua também nos corpos orgânicos. [[lexico:p:platao:start|Platão]] atribuiu pela primeira vez uma [[lexico:s:significacao:start|significação]] teleológica, fazendo dele o princípio [[lexico:r:racional:start|racional]] de todos os processos da natureza, cujo [[lexico:c:carater:start|caráter]] racional foi [[lexico:b:bem:start|Bem]] compreendido para atribuir-lhe rigorosa [[lexico:i:imaterialidade:start|imaterialidade]]. Dando [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]] às [[lexico:c:coisas:start|coisas]] do mundo, Nous é o Bem soberano, [[lexico:f:fonte:start|fonte]] de todos os outros fins parciais. Como tal é também o [[lexico:u:ultimo:start|último]] princípio de todas as [[lexico:i:ideias:start|ideias]] porque estas encarnam finalidades. [[lexico:a:alem:start|Além]] do sentido cosmológico de Anaxágoras, Platão deu-lhe um [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] também [[lexico:l:logico:start|lógico]] e ético. Ademais, devido a confusão [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] dos elementos subjetivos e objetivos no [[lexico:p:processo:start|processo]] cognoscitivo, ele representa, simultaneamente, a [[lexico:f:forma:start|forma]] mais elevada de [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] mental; [[lexico:a:apreensao:start|apreensão]] imediata e absolutamente certa das coisas racionais. O noûs, por isto, é distinguido do pensamento [[lexico:d:discursivo:start|discursivo]] que se desenvolve tendo aquele por [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]]. [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] reúne o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] anaxagórico do [[lexico:p:primeiro-motor:start|primeiro motor]] com o platônico do supremo [[lexico:f:fim:start|fim]], e confirma a imaterialidade do noûs, mais do que qualquer [[lexico:o:outro:start|outro]], pela [[lexico:d:definicao:start|definição]] que dá dele como [[lexico:n:noesis:start|noesis]] noeseos (o pensamento do pensamento) e identifica-o pela [[lexico:a:atribuicao:start|atribuição]] de [[lexico:t:transcendencia:start|transcendência]], relativamente ao mundo, praticamente com [[lexico:d:deus:start|Deus]]. O noûs que atua no homem e separável do [[lexico:c:corpo:start|corpo]] imortal e manifesta-se de duas maneiras diferentes, como noûs poietikôs (noûs ativo) que liga o homem à Divindade pela [[lexico:c:contemplacao:start|contemplação]] ([[lexico:t:theoria:start|theoria]]) e o noûs [[lexico:p:pathetikos:start|pathetikos]] que é o noûs [[lexico:p:passivo:start|passivo]] que abrange os [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]] fundados sobre a [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] sensitiva, a memória ou, em geral, mediado por qualquer [[lexico:o:orgao:start|órgão]] corpóreo. Após Aristóteles a concepção da imaterialidade do noûs foi parcialmente abandonada até que os neoplatônicos a renovaram. Segundo eles, no [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]], podem ser distintos dois aspectos: o noûs e o ser. O ser representa o lado [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]] e cosmológico, ao passo que o noûs é a razão universalmente válida, mas capaz de aceitar [[lexico:p:pluralidade:start|pluralidade]] e [[lexico:s:subjetividade:start|subjetividade]], aproximando-se, destarte, até certo grau, da concepção [[lexico:m:moderna:start|moderna]] da razão. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}