===== INTELECTUALISMO ===== A doutrina que afirma a preeminência e a anterioridade dos fenômenos intelectuais sobre os sentimentos e a [[lexico:v:vontade|vontade]]. — Por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] afirmava que os sentimentos suscitados em nós pela [[lexico:a:audicao|audição]] de uma sinfonia reduzem-se à [[lexico:p:percepcao|percepção]] confusa de [[lexico:r:relacoes|relações]] matemáticas; o [[lexico:s:sentimento|sentimento]] da [[lexico:h:harmonia|harmonia]] exprimiria, no fundo, percepção de relações "harmônicas". O intelectualismo consiste em supor a [[lexico:l:logica|lógica]] em todos cs fenômenos psíquicos. Opõe-se ao [[lexico:v:voluntarismo|voluntarismo]], que, ao contrário, vê um sentimento, uma [[lexico:f:fe|fé]] ou uma [[lexico:d:decisao|decisão]] voluntária na [[lexico:f:fonte|fonte]] de toda [[lexico:e:expressao|expressão]] e mesmo de toda [[lexico:c:compreensao|compreensão]] de [[lexico:i:ideias|ideias]] ([[lexico:s:schopenhauer|Schopenhauer]]). Uma certa [[lexico:t:tradicao|tradição]] kantiana e hegeliana opõe também o intelectualismo ao [[lexico:r:racionalismo|racionalismo]]: o intelectualismo reduz o [[lexico:e:espirito|espírito]] [[lexico:h:humano|humano]] à [[lexico:f:faculdade|faculdade]] de [[lexico:a:apreender|apreender]] as relações entre os objetos do [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:s:sensivel|sensível]] ([[lexico:m:matematica|matemática]], [[lexico:f:fisica|física]]); o racionalismo, ao contrário, distingue a [[lexico:r:razao|razão]] do [[lexico:e:entendimento|entendimento]], o "[[lexico:h:homem|homem]]" do "[[lexico:f:filosofo|filósofo]]", e reconhece a infinidade do espírito humano, tal [[lexico:c:como-se|como se]] manifesta ela na [[lexico:a:aspiracao|aspiração]] ou no [[lexico:d:dever|dever]] [[lexico:m:moral|moral]], no sentimento estético, na [[lexico:f:fe-religiosa|fé religiosa]] ou na própria [[lexico:m:metafisica|metafísica]]. Por "intelectualismo" (do latim intellectus: intelecto, entendimento, inteligência) podemos entender toda doutrina que atribui uma primazia ao espírito, à [[lexico:i:ideia|ideia]], à razão. Isto pode verificar-se, legítima ou ilegitimamente, em diversas esferas. Extremamente exagerado é o intelectualismo metafísico do [[lexico:i:idealismo-transcendental|idealismo transcendental]], [[lexico:c:chamado|chamado]] [[lexico:i:idealismo-alemao|idealismo alemão]], que converte o âmbito total do [[lexico:s:ser|ser]] em "[[lexico:p:potencia|potência]]" da razão. Com sensata [[lexico:p:ponderacao|ponderação]] defende o intelectualismo metafísico S. [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], segundo o qual o ser em sua [[lexico:c:causa|causa]] primordial divina se identifica com a razão, donde se infere que [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:e:ente|ente]], embora [[lexico:n:nao|não]] seja integralmente razão e espírito, é [[lexico:r:racional|racional]] e conforme com o espírito. Ao intelectualismo metafísico corresponde o intelectualismo epistemológico ([[lexico:i:inteligibilidade|inteligibilidade]]), o qual não deve ser confundido com o racionalismo. Em [[lexico:o:oposicao|oposição]] ao voluntarismo, o intelectualismo não significa que se exclua necessariamente do ser a vontade (pois onde há razão, há também vontade), mas exprime unicamente a primazia conceptual da [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] sobre a vontade, a qual sem aquela nunca pode ser pensada. O que distingue a vontade de qualquer outra [[lexico:e:especie|espécie]] de [[lexico:t:tendencia|tendência]] é justamente a razão que lhe é [[lexico:i:imanente|imanente]] e a informa. O intelectualismo [[lexico:p:psicologico|psicológico]] designa ou a citada preeminência da razão sobre a vontade ou, indo mais [[lexico:a:alem|além]], a concepção errônea de que as funções psíquicas do querer, do sentir e outras, podem ser reduzidas a meros [[lexico:e:elementos|elementos]] intelectuais. De um [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista mais [[lexico:p:pratico|prático]] ([[lexico:p:pedagogia|pedagogia]], [[lexico:c:cultura|cultura]]), fala-se de intelectualismo, quando se concede [[lexico:e:espaco|espaço]] excessivo à [[lexico:v:vida|vida]] intelectual, com prejuízo das demais forças do ânimo. [[lexico:s:socrates|Sócrates]], na [[lexico:f:filosofia-grega|filosofia grega]], defendeu um intelectualismo ¿tico; segundo ele, a [[lexico:v:virtude|virtude]] não é mais do que a [[lexico:c:ciencia|ciência]] do [[lexico:b:bem|Bem]], e por isso pode aprender-se. — Frequentemente emprega-se o [[lexico:t:termo|termo]] "intelectualismo" no mesmo [[lexico:s:sentido|sentido]] que racionalismo. Não obstante, em oposição a este, o intelectualismo significa uma [[lexico:s:situacao|situação]] de precedência da razão e do espírito sem [[lexico:l:limitacao|limitação]] ao especificamente humano do [[lexico:c:conceito|conceito]] e do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] [[lexico:d:discursivo|discursivo]], incluindo, portanto, o Espírito [[lexico:d:divino|divino]], [[lexico:i:infinito|infinito]]. — [[lexico:b:brugger|Brugger]]. (in. Intellectualism; fr. Intellectualisme; al. Intellektualismus; it. Inte-llettualismó). Com este termo [[lexico:h:hegel|Hegel]] designava a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] de [[lexico:p:plotino|Plotino]], interpretando o [[lexico:e:extase|êxtase]] como [[lexico:a:ato|ato]] de sair da [[lexico:c:consciencia|consciência]] sensível e "[[lexico:p:puro|puro]] [[lexico:p:pensar|pensar]]". "A ideia da filosofia plotiniana" — dizia ele — "é portanto um intelectualismo ou um [[lexico:i:idealismo|Idealismo]] [[lexico:s:superior|superior]] que, certamente do lado do conceito, não é ainda idealismo [[lexico:p:perfeito|perfeito]]" ([[lexico:g:geschichte|Geschichte]] der Philosophie, I, seç. III, Plotino; trad. it., p. 41). [[lexico:e:esse|esse]] termo [[lexico:a:agora|agora]] é usado pelas filosofias da vida e da [[lexico:a:acao|ação]] para tachar a corrente contrária, para a qual o [[lexico:i:intelecto|intelecto]] (ou pensamento ou razão) tem [[lexico:f:funcao|função]] dominante na consciência e na [[lexico:c:conduta|conduta]] do homem. Esse termo foi frequentemente empregado pelo [[lexico:i:intuicionismo|intuicionismo]] bergsoniano, pela [[lexico:f:filosofia-da-acao|filosofia da ação]], pelo [[lexico:m:modernismo|modernismo]], pelo [[lexico:p:pragmatismo|pragmatismo]], ou seja, por todas as filosofias que tendem a depreciar o [[lexico:v:valor|valor]] do intelecto como via de [[lexico:a:acesso|acesso]] à [[lexico:v:verdade|verdade]] e como guia da conduta e a julgar muito mais importante a [[lexico:i:intuicao|intuição]], a [[lexico:s:simpatia|simpatia]], o [[lexico:i:instinto|instinto]], a vida, a vontade, etc. Por vezes esse termo foi contraposto a voluntarismo para indicar a primazia atribuída ao intelecto sobre a vontade; nesse sentido, também foi empregado com a [[lexico:f:finalidade|finalidade]] de caracterizar historicamente certos pontos de vista. Assim, falou-se do intelectualismo de Tomás de Aquino e do voluntarismo de Duns Scot, aludindo ao [[lexico:p:peso|peso]] diferente que nesses filósofos têm as duas [[lexico:a:atividades|atividades]] humanas fundamentais. Trata-se, porém, de significados e caracterizações pouco precisos.