===== INTELECÇÃO ===== A [[lexico:a:atividade:start|atividade]] [[lexico:f:fisica:start|física]], em [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], tem de [[lexico:c:caracteristico:start|característico]] que sai de algum [[lexico:m:modo:start|modo]] do [[lexico:a:agente:start|agente]] e passa à [[lexico:c:coisa:start|coisa]] [[lexico:e:exterior:start|exterior]] para a transformar. Dá-se o mesmo no caso do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]? Já sabemos que [[lexico:n:nao:start|não]]. À [[lexico:m:medida:start|medida]] que um [[lexico:s:ser:start|ser]] se eleva na escala dos viventes, caminha no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de uma [[lexico:i:interioridade:start|interioridade]] crescente: cada vez menos o [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] considerado recorre aos outros e com eles se relaciona. Da [[lexico:o:ordem:start|ordem]] da atividade transitiva passa à ordem da atividade [[lexico:i:imanente:start|imanente]] da qual o conhecimento intelectual representa justamente o [[lexico:t:tipo:start|tipo]] mais [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]]. Conclui-se que, na intelecção, não é a coisa exterior que se encontra modificada, mas o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] sujeito cognoscente. [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]], em diversas circunstâncias, precisa que esta modificação pode ser comparada àquela em que uma [[lexico:e:essencia:start|essência]] recebe a [[lexico:e:existencia:start|existência]], o "[[lexico:e:esse:start|esse]]". "A intelecção não é uma [[lexico:a:acao:start|ação]] que progride para o exterior, mas que permanece no agente, como seu [[lexico:a:ato:start|ato]] e sua [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]], do mesmo modo como a existência é a perfeição do existente. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], assim como a existência segue a [[lexico:f:forma:start|forma]], assim também a intelecção segue a "[[lexico:s:species:start|species]]" [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]]" . . . Intelligere non est actio progrediens [[lexico:a:ad-aliquid:start|ad aliquid]] extrinsecum, sed manet in operante, sicut actus et perfectio ejus, prout esse est perfectio existentes. Sicut enim esse consequitur formam, ita intelligere sequitur speciem intelligibilem" Ia Pa. q. 14 a. 4 Cf. ainda, q. 34, a. 1; ad 2. João de Tomás de Aquino, [[lexico:d:de-anima:start|De anima]], q. 11, a. 1; dico ultimo. Assim, pois, como o "esse", na ordem do ser, representa a perfeição última de uma coisa, semelhantemente a intelecção, o "intelligere", na ordem do conhecimento, ou mais geralmente da atividade. Perfeição, no [[lexico:u:ultimo:start|último]] caso, imanente, isto é, ordenada ao [[lexico:b:bem:start|Bem]] do sujeito e que não é produtora de nenhum efeito; atingimos aqui um [[lexico:t:termo:start|termo]] último. Considerando a [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] precedente, João de Tomás de Aquino, que gosta de classificações, recoloca a presente atividade na [[lexico:c:categoria:start|categoria]] da [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]]. Aparentemente a intelecção se apresenta como uma [[lexico:m:modalidade:start|modalidade]] do [[lexico:g:genero:start|gênero]] ação; mas uma ação exige uma [[lexico:p:paixao:start|paixão]] correspondente em um sujeito que ela transforma, o que aqui não se dá. Ainda mais, como acabamos de dizer, a intelecção não aparece, como a ação, orientada para algo de distinto. A intelecção não pode, pois, pertencer ao [[lexico:p:predicamento:start|predicamento]] da ação e, sendo [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] do próprio sujeito, resta que deva ser assimilada ao predicamento qualidade. O principal [[lexico:i:interesse:start|interesse]] desta [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] é marcar bem a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] que separa a atividade cognoscitiva, tipo perfeito da ação imanente, da atividade física ou transitiva. Agir, para um [[lexico:e:espirito:start|espírito]], é uma coisa e, para uma [[lexico:r:realidade:start|realidade]] material, outra. Muitas dificuldades no [[lexico:e:estudo:start|estudo]] do conhecimento provêm do [[lexico:e:esquecimento:start|esquecimento]] desta [[lexico:v:verdade:start|verdade]] elementar. A realidade, todavia, é mais complexa do que acabamos de dizer. A intelecção, em Tomás de Aquino, aparece igualmente como produtora de um termo ou de um quase-termo, interior por certo, mas realmente distinto dela: o "verbum mentis", ou a "conceptio intellecta". Ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] que contemplo o [[lexico:o:objeto:start|objeto]], e para [[lexico:e:estar:start|estar]] em condições de o contemplar, formo em minha [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] uma [[lexico:i:imagem:start|imagem]] deste objeto que mo torna presente. Em outras [[lexico:p:palavras:start|palavras]], para uma inteligência, [[lexico:p:pensar:start|pensar]] é contemplar, mas é também conceber. Qual é pois este termo concebido pela inteligência? A atividade de concepção que acabamos de discernir deve ser distinta realmente da [[lexico:a:apreensao:start|apreensão]] exercida pela inteligência ou da intelecção? Que [[lexico:r:relacoes:start|relações]] há exatamente entre estes dois aspectos do ato de conhecer? Tais são os problemas que presentemente se colocam. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}