===== INDIVÍDUO ===== (gr. [[lexico:a:atomon:start|atomon]]; lat. individuum; in. Individual; fr. Individu; al. Individuum; it. Indivíduo). Em [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:f:fisico:start|físico]]: o indivisível, o que [[lexico:n:nao:start|não]] pode [[lexico:s:ser:start|ser]] mais reduzido pelo procedimento de [[lexico:a:analise:start|análise]]. Em sentido [[lexico:l:logico:start|lógico]]: o que não pode servir de [[lexico:p:predicado:start|predicado]]. Para [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], o indivíduo, no primeiro sentido, é a [[lexico:e:especie:start|espécie]], porquanto, sendo resultado da [[lexico:d:divisao:start|divisão]] do [[lexico:g:genero:start|gênero]], não pode ser dividida (An. post., II, 13, 96b 15; Met., V, 10,1018 b 5). À [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] da indivisibilidade os lógicos do séc. V acrescentaram a [[lexico:i:impossibilidade:start|impossibilidade]] de servir de predicado. [[lexico:b:boecio:start|Boécio]] diz: "Chama-se de indivíduo aquilo que não pode ser dividido por [[lexico:n:nada:start|nada]], assim como a [[lexico:u:unidade:start|unidade]] ou a [[lexico:m:mente:start|mente]], ou o que não pode ser dividido devido à sua solidez, como o diamante; ou o que não pode servir de predicado a outras [[lexico:c:coisas:start|coisas]] semelhantes, como [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]]" (Ad Isag., II em P. L, 64, col. 97). [[lexico:e:esse:start|esse]] reparo tornou-se fundamental na [[lexico:l:logica:start|lógica]] medieval, que o utilizou para definir o indivíduo: "indivíduo é aquilo de que se diz uma única [[lexico:c:coisa:start|coisa]], como Sócrates e [[lexico:p:platao:start|Platão]]" ([[lexico:p:pedro-hispano:start|Pedro Hispano]], Summ. log., 209). [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] [[lexico:f:fala:start|fala]] de um indivíduo [[lexico:v:vago:start|vago]] (vagum), que corresponde à [[lexico:i:individualidade:start|individualidade]] da espécie e de um indivíduo [[lexico:u:unico:start|único]]: "O indivíduo vago, p. ex. o [[lexico:h:homem:start|homem]], significa uma [[lexico:n:natureza:start|natureza]] comum com determinado [[lexico:m:modo:start|modo]] de ser que compete às coisas singulares, que subsistem [[lexico:p:por-si:start|por si]] e são distintas das demais. Mas o indivíduo único significa algo determinado que distingue; assim, o [[lexico:n:nome:start|nome]] Sócrates significa este [[lexico:c:corpo:start|corpo]] e este rosto" (S. Th., I, q. 30; a. 4). Oindivíduo vago obviamente é apenas a unidade só numericamente distinguível de outras unidades. Era assim definido por Duns Scot: "Chama-se de indivíduo, ou seja, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] numericamente [[lexico:u:uno:start|uno]], aquilo que não é divisível em muitas coisas e se distingue numericamente de qualquer outra" Un Met., VII, q. 13, n. 17). Contudo, em Duns Scot mesmo encontram-se as premissas de um [[lexico:c:conceito:start|conceito]] diferente de indivíduo: este, em seu modo de ser, em sua [[lexico:s:singularidade:start|singularidade]], é caracterizado por uma determinação última ou "[[lexico:r:realidade:start|realidade]] última" da natureza que o constitui (v. [[lexico:i:individuacao:start|Individuação]]), de tal [[lexico:f:forma:start|forma]] que inclui um conjunto [[lexico:i:ilimitado:start|ilimitado]] de determinações, em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] das quais a natureza comum se restringe até se tornar este determinado [[lexico:e:ente:start|ente]]. Desse [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista, o indivíduo não é caracterizado pela indivisibilidade, mas pela infinidade de suas determinações. Esse conceito foi expresso claramente por [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]]: "Embora possa parecer paradoxal, é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] [[lexico:t:ter:start|ter]] [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] dos indivíduo e encontrar o [[lexico:m:meio:start|meio]] de determinar exatamente a individualidade de uma coisa, a menos que não se a considere em si mesma. De [[lexico:f:fato:start|fato]], todas as circunstâncias podem repetir-se; as diferenças mínimas são imperceptíveis; o [[lexico:l:lugar:start|lugar]] e o [[lexico:t:tempo:start|tempo]], em vez de serem determinantes, precisam eles mesmos ser determinados pelas coisas que contêm. O que existe de mais considerável nisto é que a individualidade envolve o [[lexico:i:infinito:start|infinito]] e que só [[lexico:q:quem:start|quem]] é capaz de compreendê-lo pode ter conhecimento do [[lexico:p:principio:start|princípio]] de individuação desta ou daquela coisa; se entendermos isso corretamente, veremos que se deve à [[lexico:i:influencia:start|influência]] que todas as coisas do [[lexico:u:universo:start|universo]] exercem umas sobre as outras. É [[lexico:v:verdade:start|verdade]] que não seria assim, se existissem os átomos de [[lexico:d:democrito:start|Demócrito]], mas nesse caso não existiria sequer [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre dois indivíduo diferentes de mesmo [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] e mesmas dimensões" (Nouv. ess., III, 3, § 6). O [[lexico:p:pressuposto:start|pressuposto]] desta doutrina é que, na natureza, só existem indivíduo, ou seja, coisas singulares: pressuposto que, juntamente com os outros pontos principais, foi expresso com toda a clareza por [[lexico:w:wolff:start|Wolff]]. Este começa por afirmar que o indivíduo é "aquilo que percebemos com o sentido interno ou com o sentido [[lexico:e:externo:start|externo]] ou o que podemos imaginar enquanto coisa única" (Log., § 43), e continua definindo o indivíduo como "o ente que é determinado sob todos os aspectos ([[lexico:e:ens:start|ens]] omnimode determinatum), no qual são determinadas todas as coisas que lhe são inerentes" (Ibid., § 74). Essa [[lexico:n:nocao:start|noção]] do indivíduo como o que é absoluta ou infinitamente determinado foi utilizada com frequência pela [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] [[lexico:m:moderna:start|moderna]]. Foi essa noção que permitiu a [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] (e a muitos que seguiram seu [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]]) [[lexico:f:falar:start|falar]] de "indivíduo [[lexico:u:universal:start|universal]]" sem incidir numa [[lexico:c:contradicao:start|contradição]] de termos: "A [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] de acompanhar o indivíduo desse seu [[lexico:e:estado:start|Estado]] inculto até o [[lexico:s:saber:start|saber]] devia ser entendida em seu sentido [[lexico:g:geral:start|geral]] e consistia em considerar o indivíduo universal, o [[lexico:e:espirito:start|Espírito]] autoconsciente, em seu [[lexico:p:processo:start|processo]] de [[lexico:f:formacao:start|formação]]. No que concerne à [[lexico:r:relacao:start|relação]] desses dois modos de individualidade, no indivíduo universal cada [[lexico:m:momento:start|momento]] se mostra no [[lexico:a:ato:start|ato]] em que ganha a forma concreta e seu aspecto [[lexico:p:proprio:start|próprio]]. O indivíduo [[lexico:p:particular:start|particular]] é o espírito não acabado: uma [[lexico:f:figura:start|figura]] concreta em tudo, cujo ser determinado domina uma só determinação, estando as demais presentes apenas em escorço" (Phänomen. des Geistes, Pref, II, § 3; trad. it., p. 24). Do ponto de vista do conceito de indivíduo como infinidade de determinações, Hegel certamente podia falar de indivíduo universal, pois uma infinidade de determinações só pode ser atribuída a um indivíduo [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] ou infinito. Diante disso, como diz Hegel, o indivíduo [[lexico:f:finito:start|finito]] caracteriza-se por uma única determinação, estando as demais presentes apenas acessoriamente. [[lexico:b:bergson:start|Bergson]] faz [[lexico:r:referencia:start|referência]] ao mesmo conceito de indivíduo quando afirma que "a individualidade comporta uma infinidade de graus e em [[lexico:p:parte:start|parte]] alguma, nem mesmo no homem, ela se realiza plenamente" (Évol. créatr., cap. I, ed. 1911, p. 13). Obviamente, esse conceito de indivíduo leva ou a hipostasiar a individualidade de um indivíduo absoluto, como fez Hegel, ou a declará-la inatingível, como fez Bergson. Mas exatamente isso demonstra que se trata de um conceito inútil. Na [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] contemporânea, o indivíduo (assim como a noção análoga de [[lexico:e:elemento:start|elemento]]) é definido em relação com as exigências predominantes nos vários campos de [[lexico:i:indagacao:start|indagação]], ou melhor, em relação com as várias exigências analíticas. No [[lexico:c:campo:start|campo]] [[lexico:m:moral:start|moral]] ou [[lexico:p:politico:start|político]] o indivíduo é a [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]]. No campo biológico, o indivíduo pode ser, para certos fins, o [[lexico:o:organismo:start|organismo]]; para outros, a célula. Mas foi sobretudo no campo das ciências históricas que a filosofia e a [[lexico:m:metodologia:start|metodologia]] contemporâneas utilizaram a noção de indivíduo [[lexico:w:windelband:start|Windelband]] (Präludien, II, p. 145) e [[lexico:r:rickert:start|Rickert]] (Grenzen der naturwissenschaftlichen Begriffsbildung, p. 420) evidenciaram o [[lexico:c:carater:start|caráter]] individualizante das [[lexico:c:ciencias-do-espirito:start|ciências do espírito]], diante do caráter generalizante das ciências naturais. O conhecimento [[lexico:h:historico:start|histórico]] visa a [[lexico:r:representar:start|representar]] o indivíduo em seu caráter [[lexico:s:singular:start|singular]] e irrepetível, ou seja, não como o caso particular de uma [[lexico:l:lei:start|lei]], mas como irredutível aos outros indivíduo com os quais está em conexão causal. O indivíduo, neste caso o [[lexico:e:evento:start|evento]] histórico (fato, pessoa, [[lexico:i:instituicao:start|instituição]] etc), tem duas características: a singularidade e a não-repetibilidade (v. [[lexico:h:historia:start|história]]). O indivíduo ou ser individual significa o portador ou [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] [[lexico:c:concreto:start|concreto]] de uma [[lexico:e:essencia:start|essência]] em sua peculiaridade não-comunicável, p. ex., este pinheiro ou este homem Pedro. Ao indivíduo opõe-se o universal ou a essência, que prescinde (abstrai) de [[lexico:t:todo:start|todo]] sujeito determinado e como tal é comunicável a vários sujeitos. Só o indivíduo existe realmente, ao passo que o universal, enquanto tal, só se elabora no [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] conceptual. A [[lexico:l:lingua:start|língua]] latina designa o indivíduo por Individuum, que etimologicamente significa o indiviso, denotando uma unidade essencialmente indivisa e indivisível, porque este "uno", enquanto tal, nunca pode [[lexico:e:existir:start|existir]] multiplicado, nem, por conseguinte, existir várias vezes; este pinheiro determinado ou este homem determinado existem necessariamente só uma vez. De indivíduo deriva individuação, [[lexico:t:termo:start|termo]] que designa a determinabilidade individual, ou seja, aquilo que faz que este indivíduo seja precisamente este e se distinga de todos os outros, por exemplo: este determinado ser-Pedro. [[lexico:d:duns-scotus:start|Duns Scotus]] e sua [[lexico:e:escola:start|escola]] dão também o nome de haecceitas à individuação, enquanto Pedro, por seu ser individual, é este ente determinado, capaz de ser assinalado como "este". Na [[lexico:e:esfera:start|esfera]] do conhecimento, o indivíduo manifesta-se no conceito individual. — A substantividade incomunicável do indivíduo e sua [[lexico:s:separacao:start|separação]] de tudo o mais crescem com a [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] dos [[lexico:g:graus-do-ser:start|graus do ser]]. No domínio do inorgânico, os indivíduos salientam-se muitíssimo pouco; entram sempre em associações maiores (atômicas ou moleculares) e até hoje não foram ainda fixados de maneira unívoca. Nos reinos [[lexico:v:vegetal:start|vegetal]] e [[lexico:a:animal:start|animal]], todo indivíduo está, de ordinário, nitidamente separado dos restantes. O homem possui uma substantividade essencialmente [[lexico:s:superior:start|superior]], visto que sua [[lexico:a:alma:start|alma]] o eleva à [[lexico:c:categoria:start|categoria]] de pessoa. O espírito [[lexico:p:puro:start|puro]] repousa ainda mais em si. Finalmente, a substantividade absoluta compete a [[lexico:d:deus:start|Deus]], porque se ergue infinitamente acima de todas as coisas. As opiniões divergem quando se trata do principio de individuação, ou seja, do seu [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]] interno. É certo que a individuação abarca e confere cunho individual a todo o fundo ontológico de um ente. No [[lexico:m:mundo:start|mundo]] corpóreo há somente [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] numérica dos indivíduos; por outras [[lexico:p:palavras:start|palavras]], os indivíduos convém em todos os traços essenciais, distinguindo-se apenas pelo [[lexico:n:numero:start|número]]. Para S. Tomás de Aquino o fundamento desta diversidade é a [[lexico:m:materia:start|matéria]], o princípio espácio-temporal. Segundo esta concepção, o indivíduo é "este", porque ocupa este sítio no [[lexico:e:espaco:start|espaço]] e no tempo ou (tratando-se do homem) este lugar histórico, porque pertence precisamente a este ponto do cosmos visível. De [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com esta doutrina, S. Tomás ensina que no espírito puro, onde não há matéria alguma, toda diversidade individual é necessariamente diversidade [[lexico:e:essencial:start|essencial]], mais exatamente: denota diversidade específica (havendo somente conveniência genérica). Assim, este [[lexico:a:anjo:start|anjo]] é tal, não pela peculiaridade espácio-temporal, mas por específico [[lexico:g:grau:start|grau]] ontológico. Contudo, enquanto nos [[lexico:a:anjos:start|anjos]] há ainda indivíduos, Deus é o indivíduo que, mercê de sua infinita plenitude [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]], supera todos os outros indivíduos. — Leibniz formulou o princípio dos [[lexico:i:indiscerniveis:start|indiscerníveis]], segundo o qual duas coisas que conviessem em todas as propriedades coincidiriam necessariamente; não poderia, portanto, haver duas coisas completamente iguais, que se distinguissem unicamente por [[lexico:e:estar:start|estar]] uma ao lado da outra; para não serem idênticas, deveriam, [[lexico:a:alem:start|além]] disso, diferir entre si de alguma maneira. Isto também se deveria aplicar aos mais diminutos [[lexico:e:elementos:start|elementos]] (p. ex., aos eletrões). Tal doutrina a custo se pode demonstrar como metafisicamente necessária. — Lotz. Os gêneros e as espécies formam uma [[lexico:h:hierarquia:start|hierarquia]] de termos dos quais os mais elevados são atribuíveis àqueles que lhes são inferiores. Para o alto, no sentido da universalidade crescente, atinge-se, como o veremos, aos gêneros supremos; para baixo, para-se nas espécies últimas, assim chamadas porque abaixo delas não se pode mais encontrar espécies subordinadas mas somente indivíduos. Os gêneros intermediários podem ser ditos espécies com relação aos gêneros superiores, mas é à espécie última que convém plenamente o nome de espécie: [[lexico:s:species:start|species]]. Nesta [[lexico:p:perspectiva:start|perspectiva]], o indivíduo representa o [[lexico:u:ultimo:start|último]] sujeito de toda [[lexico:a:atribuicao:start|atribuição]], aquele que não pode ser atribuído a nenhum [[lexico:o:outro:start|outro]] senão a ele próprio e ao qual todas as noções superiores poderão ser atribuídas. O indivíduo não sendo um universal, não é um [[lexico:p:predicavel:start|predicável]]. Os positivistas imaginaram que certos elementos sociais "objetivos" — como a [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]], a moeda, as leis, os [[lexico:c:costumes:start|costumes]] — constituem um todo, feito e pronto, que o indivíduo recebe de fora para dentro ao nascer; estes elementos são vistos pelos positivistas como superiores e exteriores ao indivíduo. Os românticos pensaram, ao contrário, que a moeda, as leis, os costumes, a linguagem são intrínsecos ao indivíduo que nasce numa [[lexico:c:cultura:start|cultura]]; não constituem um todo feito, mas um conjunto de [[lexico:s:simbolos:start|símbolos]], e o que tem importância não é a moeda — em si uma cousa morta — e sim a particular maneira de usar a moeda, de falar a língua, de cumprir os ritos legais. São elementos interiores e intrínsecos ao indivíduo, que os traz desde antes do nascimento, juntamente com a cultura ancestral de que é portador. Esta [[lexico:t:tese:start|tese]] romântica foi depois justificada, de maneira sugestiva, pela [[lexico:t:teoria:start|teoria]] dos arquétipos do [[lexico:i:inconsciente:start|Inconsciente]] ancestral de Carl Gustav [[lexico:j:jung:start|Jung]]. Já no [[lexico:c:comeco:start|começo]] do século XIX, Adam Müller, cofundador da [[lexico:e:escola-historica:start|Escola Histórica]], em suas meditações sobre a natureza do Estado, da lei, da [[lexico:c:comunidade:start|comunidade]] e da [[lexico:e:economia:start|economia]], introduziu a categoria do [[lexico:c:capital:start|capital]] espiritual, considerado como patrimônio hereditário e cultural, portanto interior e não [[lexico:e:exterior:start|exterior]] ao indivíduo. — Müller mostrou a [[lexico:i:identidade:start|identidade]] do indivíduo, da [[lexico:n:nacao:start|Nação]] e do Estado, ligados ao passado, ao presente, e ao [[lexico:f:futuro:start|futuro]], na sua continuidade histórica e no caráter [[lexico:i:intrinseco:start|intrínseco]] das suas tradições. Se a língua é um patrimônio hereditário, ela já está inserida na [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] psíquica e somática do seu portador, exprime a sua própria [[lexico:v:visao:start|visão]] ancestral do mundo. O indivíduo que nasce num [[lexico:v:volk:start|Volk]] é portador da Nação na sua [[lexico:i:interioridade:start|interioridade]]; ele é a Nação corporificada [[lexico:a:agora:start|agora]] e aqui; o Estado não lhe é estranho, — como nas teorias que opõem o indivíduo e o Estado —; o Estado é ele mesmo, enquanto [[lexico:o:objetivacao:start|objetivação]] do Volk. A Nação portanto não é [[lexico:o:objeto:start|objeto]] superior, nem exterior ao indivíduo; é uma categoria cultural [[lexico:i:imanente:start|imanente]], que vive na sua intimidade vital; sua relação com a autêntica [[lexico:l:lingua-nacional:start|língua nacional]] não é a relação dum sujeito com um objeto; a língua nacional é ele mesmo, como forma do seu pensamento e da sua Gemüt, revivendo na sua particular maneira de falar, no seu modo individual de ser; ele é a língua nacional enquanto essa língua é a [[lexico:t:traducao:start|tradução]] dos seus estados mais íntimos e das noções e [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] que emanam da sua visão do mundo, uma visão do mundo que emana por sua vez da matriz originária da cultura nacional. — Se reconhecemos que a Nação é [[lexico:m:movimento:start|movimento]] e [[lexico:v:vida:start|vida]], devemos reconhecer que nada do que é individual está fora da órbita do Estado. Só a [[lexico:e:especulacao:start|especulação]] estéril, — dizia Adam Müller — pode imaginar o indivíduo sem [[lexico:r:relacoes:start|relações]] com o Estado. Mas as teorias arquitetadas sobre a [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] do indivíduo [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]], nunca passaram dum acervo de conceitos inúteis e mortos. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}